Confira as principais tendências e comportamentos de consumo no cenário brasileiro pós-pandemia

Busca por soluções economicamente viáveis tornou-se uma questão de sobrevivência
A Associação Brasileira de Embalagem (ABRE) promoveu um workshop sobre as principais tendências e comportamentos de consumo no cenário brasileiro pós-pandemia. Realizado de forma presencial e online, o encontro apresentou um panorama histórico sobre os hábitos de consumo dos brasileiros da classe média, desde a criação do Plano Real até a pandemia e seus impactos. As informações desta notícia são da empresa Avery Dennison, enviadas à imprensa na sexta-feira (23).
De acordo com Alexandre Botelho, diretor de Compras, Inovação e Sustentabilidade da Avery Dennison na América Latina, é necessário entender as mudanças nos hábitos de consumo, o papel que a embalagem e o rótulo desempenham na decisão de compra e na conexão das marcas com seus consumidores. “É através de uma abordagem centrada no consumidor, no convertedor de rótulos e na marca que conseguimos explorar e propor soluções inovadoras.”
Resiliência imperativa
Passada a fase de ascensão da classe média brasileira, no início dos anos 2000, as instabilidades econômicas do país começaram a acertar precisamente essa população, com dificuldades agravadas pela recente pandemia. De acordo com a Pesquisa Global McKinsey de Percepção do Consumidor 2022, realizada pela McKinsey & Company, a resiliência – com grande adaptação a um ambiente econômico incerto – fez com que 50% dos respondentes se mostrassem otimistas para uma breve melhora.
Entretanto, os últimos desafios provocaram uma revolucionária mudança nos hábitos de consumo da classe média. De acordo com a ABRE, 23,2% das pessoas deixaram de comprar determinados itens, outras 20,3% consideraram deixar de comprar, e 19,8% acabaram comprando produtos alternativos ou inferiores, devido às altas constantes de preços. A busca por soluções economicamente viáveis tornou-se uma questão de sobrevivência.
Transparência e engajamento social
Redução de tamanho e queda de qualidade dos ingredientes e produtos comercializados seguem entre as principais preocupações dos consumidores da classe média brasileira, que buscam diferentes formas de economizar (trade down, promoções, descontos) e sentem que as marcas não oferecem em suas embalagens uma comunicação clara.
Nesse sentido, a preocupação imediata não é a de optar por práticas, produtos ou embalagens com apelo sustentável, mas por preço em conta ou facilidade na hora do consumo. Para falar de sustentabilidade com esse nicho de público é preciso, primeiramente, aplicar-se às causas sociais, valorizando as pessoas, para então pensar no meio ambiente. É preciso, por exemplo, que todas as regiões contem com coleta seletiva e que a população seja informada sobre sua importância, para então verter esforços em soluções que possam ser recicladas ou promovam a economia circular.
“Cabe a grandes players do setor contribuir com uma parcela considerável para essa nova consciência. Na Avery Dennison, por exemplo, além de aproveitarmos cada janela de oportunidade para aportar inovações que promovam o desenvolvimento de rótulos autoadesivos mais sustentáveis, trabalhamos o engajamento de toda nossa cadeia produtiva com o programa AD Circular. Por meio dessa iniciativa, criamos conexão e aumentamos o percentual de resíduos reciclados, livrando os aterros e dando vida nova a esses materiais. Acreditamos que à medida que as marcas adotem essas estratégias, sob as máximas da transparência, mais facilidade teremos ao trabalhar essas questões junto ao consumidor final”, disse Alexandre Botelho.
Tendências em embalagens
De acordo com a ABRE, empresas do setor de embalagem devem pensar em soluções que ajudem os consumidores a comprar mais por menos, apresentem tamanhos variados, com materiais que garantam a longevidade do produto e utilizem menos matérias-primas, como é o caso dos refis. Embalagens menores, kits com miniprodutos, e uso de insumos que impulsionem a reutilização, a sustentabilidade social e facilitem a coleta seletiva, estarão à frente nos próximos anos.
Olhando o consumidor brasileiro de maneira geral e não apenas direcionada a uma classe social, a Pesquisa Global McKinsey de Percepção do Consumidor 2022 aponta que as pessoas passaram a fazer a troca por produtos mais caros e de melhor qualidade desde que atendam premissas como performance (41%), ingredientes de melhor qualidade (48%), conveniência (26%) e sustentabilidade (23%), por exemplo.
Marcas e consumidores estão mais exigentes e sofisticados em termos de embalagens, que não são apenas um invólucro para os produtos: toda a inovação agregada deve ser pensada para a otimização da cadeia de suprimentos, com uma abordagem que contemple informações técnicas, que sejam customizadas para atender a diferentes canais de vendas, que tenham funcionalidades de canal de comunicação e, finalmente, que as embalagens valorizem atributos como sustentabilidade, transparência e sourcing responsável de produtos.
Para que a transição sustentável seja efetiva ao setor, é preciso combinar fatores como a circularidade para reciclar e aproveitar materiais reciclados na criação de novas embalagens; e uso de soluções que reduzam a emissão de gases de efeito estufa ao longo de todo o ciclo de vida da embalagem; estratégias que, em equilíbrio, levarão à regeneração da natureza.








