Aristocratas tupiniquins: conheça a carteira que rendeu mais de 500% nos últimos 10 anos

Aristocratas tupiniquins: conheça a carteira que rendeu mais de 500% nos últimos 10 anos

Paranaense Copel é uma das empresas que faz parte da carteira

Inspirada na S&P, dos Estados Unidos, a plataforma brasileira Dividendos .me elaborou um índice de dividendos aristocratas com empresas nacionais listadas na B3. Formado por 15 companhias que pagam dividendos a seus acionistas há dez anos consecutivos, sempre de forma crescente, a carteira surpreende pela rentabilidade no período. Em uma década, sem a inclusão dos dividendos, o ganho fica em 205,81%. Já incluindo os dividendos distribuídos por essas companhias, a valorização chega a 519,93%. O Ibovespa obteve uma rentabilidade de 97,1% e o CDI rendeu 129,74% no período analisado.

Guilherme Gentile, head de análise da Dividendos .me, observa que a seleção das empresas para a formação do índice de dividendos aristocratas tupiniquim tornou a carteira bem diversificada, com diferentes setores em sua composição. Há empresas do agronegócio, siderurgia, energia, saúde, aluguel de carros, financeiro, varejo, bancos, máquinas e equipamentos e madeira e papel. Entre os destaques da lista estão o Santander (banco), a WEG (máquinas e equipamentos), Ferbasa (siderurgia) e SLC Agrícola (agro), cujas rentabilidades superaram a da Bolsa.

Há outras da lista que decepcionaram no período como Diagnósticos da América (saúde), Dexco (madeira e papel) e Guararapes (Varejo), mas que não tiveram peso para arrastar o desempenho para baixo. “Apesar de o índice ter tido algumas empresas que perderam para o Ibovespa e foram, de certa forma, detratoras para a carteira, as ‘vencedoras’ superaram e muito e compensaram esses ‘erros’. Além disso, as diferentes rentabilidades demonstram a importância da diversificação dos ativos na carteira”, comenta Gentile.

Como foi elaborado o índice

Para entender melhor como o índice de dividendos aristocratas tupiniquim foi desenvolvido pela Dividendos .me, é necessário entender como ele funciona nos Estados Unidos. Tanto lá quanto aqui, o índice é basicamente um ranking onde entram somente empresas que pagam dividendos. O índice estadunidense, elaborado pela S&P, inclui apenas empresas que pagam dividendos por mais de 25 anos. São companhias com um bom histórico e que têm resultados sólidos e compromisso em remunerar seus acionistas pelo capital investido. A série inclui o S&P 500 Dividend Aristocrats, o S&P Global Dividend Aristocrats e o S&P High Yield Dividend Aristocrats.

Apesar do critério para as empresas americanas entrarem nesse índice ser de, no mínimo 25 anos de pagamentos crescentes e consecutivos, muitas têm um histórico maior, de pelo menos 40 anos. Dentre os nomes que figuram na listagem, a maioria é formada por companhias que já têm suas marcas consolidadas no mercado, contam com grandes vantagens competitivas e que, provavelmente, tendem a continuar por um longo tempo como líderes de mercado, como Coca-Cola, Johnson & Johnson e Colgate.

No Brasil, a Dividendos .me não pôde, de forma fidedigna, replicar o índice Dividendos Aristocratas para as ações listadas na B3. Primeiramente, porque o mercado nacional não tem histórico de longevidade igual ao da bolsa estadunidense nem é tão desenvolvido quanto. No entanto, a Dividendos .me adotou alguns critérios para criar o índice “Tupiniquim”, que seguem linha semelhante. São eles:

• Dez anos distribuindo dividendos consecutivamente;
• Empresas com liquidez maior que R$ 500 mil;
• Crescimento dos dividendos nos últimos dez anos maior que 0%.

Com base nestes fatores, a plataforma chegou à seleção das quinze empresas com maior crescimento de dividendos que compõe a carteira de dividendos aristocratas brasileiros. “Provavelmente, o ganho dos últimos dez anos das aristocratas brasileiras não irá se repetir no futuro para essas empresas. É importante observar que esta análise é de “retrovisor” e não futurista. Mas, tais empresas devem estar no radar do investidor por conta da remuneração atrativa de dividendos e, por essa razão, contam com uma perspectiva positiva de retorno futuro”, afirma.

Gentile também lembra que outro ponto que o investidor sempre deve ter em mente é o reinvestimento dos dividendos para aproveitar os juros compostos. “Ou como o bom velhinho de Omaha gosta de falar, o efeito bola de neve que só faz crescer ao longo do trajeto”.

Índice de Dividendos Aristocratas Tupiniquim

Ticker      Empresa    Setor   Dividendos      Rent. 10 anos     Rent. Incluindo DIV
SLCE3   SLC Agrícola  Agro    48,19%         430,46%             795,46%
GGBR4 Gerdau S.A. Siderur   33,07%         72,13%               191,96%
CPLE6   COPEL        Energia  31,01%       163,43%               609,33%
FLRY3   Fleury S.A.   Saúde    28,18%          47,35%              239,25%
RENT3   Localiza       Aluguel   24,37%        481,42%             601,14%
VALE3    Vale S.A.     Siderur    22,54%        127,82%             427,96%
WEGE3  WEG S.A.  Maquinas  20,82%        951,62%            1150,32%
DXCO3   Dexco S.A. Madeira   20,52%         -21,71%                58,04%
FESA4    FERBASA   Siderur   18,68%         425,50%              981,66%
DASA3   Dasa           Saúde     18,38%          22,69%                  62,23%
CGRA4 Grazziotin    Varejo      18,00%          71,10%                297,44%
SANB4 Santander    Bancos     17,17%        118,32%               1254,73%
B3SA3   B3 S.A.     Financeiro    14,89%       180,39%                410,75%
TAEE11 Taesa        Energia        14,75%          66,30%               726,51%
GUAR3 Guararapes Varejo         13,96%        -49,67%                  -7,87%
Rentabilidade média                                        205,81%               519,93%

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná.Profissional com experiência de 52 anos na área de jornalismo, sendo 50 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social.Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Há 25 anos é professora titular do curso de Jornalismo da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas do Paraná, São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos.Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 19 anos de blog, mais de 50 mil matérias foram postadas.Ao longo de sua carreira recebeu 21 prêmios, com destaque para Embrapa Floresta (Menção Honrosa em 2025); VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005).Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

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