Startup paranaense Belterra se une a Santander, Grupo Gaia e Conexsus em operação financeira inédita para fomentar bioeconomia

Startup paranaense Belterra se une a Santander, Grupo Gaia e Conexsus em operação financeira inédita para fomentar bioeconomia

CRA verde de R$ 17 milhões irá financiar capital de giro para 22 negócios comunitários e 4 pequenas e médias empresas de impacto

Uma emissão de Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRA) com características inéditas foi o instrumento escolhido para impulsionar negócios ligados à bioeconomia.  O Santander Brasil, Grupo Gaia, Instituto Conexões Sustentáveis (Conexsus) e Belterra investiram na operação.

Emitido e distribuído pelo Grupo Gaia, e tendo o Santander como Coordenador líder, o CRA destinou R$17 milhões em capital de giro a 22 cooperativas comunitárias ligadas ao Conexsus, e à Belterra, startup paranaense que desenvolve sistemas agroflorestais. Trata-se de um CRA Verde inovador, pois fomenta diferentes atividades econômicas que ajudam a manter a floresta em pé e a regenerar áreas degradadas a partir do uso sustentável dos recursos naturais.

O crédito destinado a cada negócio varia conforme as necessidades. No Paraná, serão beneficiadas quatro iniciativas nos municípios de Ortigueira, Londrina, Paranacity e Curitiba.

A Belterra já foi responsável pela implantação de mais de 1,8 mil hectares de agroflorestas e tornou-se um dos maiores produtores brasileiros de cacau, além de culturas como cupuaçu, banana, açaí e mandioca, em parceria com pequenos e médios agricultores. A Conexsus – Instituto Conexões Sustentáveis é uma organização não governamental, sem fins lucrativos, que atua para ativar o ecossistema de negócios comunitários de impacto socioambiental, ampliando sua contribuição para a geração de renda no campo e para a conservação de florestas e biomas. No total, o título verde vai levar crédito a 4,5 mil produtores associados às cooperativas apoiadas pela Conexsus em todo o Brasil, com destaque para a Amazônia.

Neste primeiro momento, o investimento será direcionado ao extrativismo florestal sustentável, à agricultura familiar e à restauração de áreas degradadas por meio de implantação de Sistemas Agroflorestais para a produção de cacau, banana, mandioca, cupuaçu, pupunha e outras espécies.

Para reduzir o risco dos investidores e ao mesmo tempo viabilizar taxas reduzidas às cooperativas comunitárias, a emissão foi dividida em três níveis de cotas: sênior, mezanino e subordinada – sendo que as desta última categoria foram adquiridas por Conexsus e Belterra, utilizando recursos do Fundo Vale e da Good Energies Foundation. Ou seja, trata-se de uma operação de blended finance, que reuniu fundos de fontes diversas, com prazos de vencimento diferentes e taxas que variam de 3,3% a 15,75% ao ano (CDI + 2,1%). Essa estrutura tornou possível o repasse de crédito com juros de 12% a.a. aos produtores, que, em sua maioria, enfrentam dificuldades para levantar capital de giro e dar escala a suas atividades. O CRA contou como agente de formalização, a assessoria legal do Campos Mello e o Luchesi Advogados.

“Conseguimos co-criar uma estrutura para o CRA Verde que viabiliza o uso deste instrumento no fortalecimento de negócios florestais e na geração de impacto socioambiental significativo, equacionando o retorno entre os vários parceiros da operação. Esperamos aprender com essa operação e futuramente explorar negócios com escala ainda maior e com uso de ativos de carbono”, afirma Leonardo Fleck, head de negócios sustentáveis inovadores do Santander Brasil. “A versatilidade, agilidade e o baixo custo da operação irá auxiliar produtores rurais na implementação de inovações tecnológicas, intensificação da produção, recuperação de áreas degradadas e práticas de agricultura de baixo carbono, aperfeiçoando a gestão de suas organizações e criando histórico de crédito para futuras operações.”

“Não temos tempo a perder, investimentos de impacto são necessários.  Ou o mercado financeiro muda e passa a investir com consciência, ou seguiremos fazendo greenwashing e destruindo o futuro da vida humana.  Essa operação mostra que é possível mudar”, afirma João Paulo Pacífico, CEO do Grupo Gaia.

“Um aspecto muito importante desta operação é o fato de estar inteiramente focada na geração de impacto socioambiental relevante. Desde sua modelagem, envolvendo fundos de impacto para subsidiar um crédito mais acessível, até a definição do público beneficiado. Todos os negócios contemplados estão operando dentro da floresta ou na restauração da floresta, trabalhando efetivamente para fomentar cadeias produtivas sustentáveis e desenvolver a bioeconomia brasileira a partir da floresta em pé”, reforçou Valmir Ortega, CEO da Belterra Agroflorestas.

“O principal diferencial deste instrumento é assegurar que negócios comunitários consigam ter acesso à capital financeiro adequado ao seu negócio com taxas de juros formatadas para sua realidade, em conjunto com uma assessoria técnica ao desenvolvimento do negócio. São associações e cooperativas que estão na base das cadeias da sociobioeconomia. Apenas neste CRA serão beneficiados 22 produtos da sociobiodiversidade brasileira. A escala futura de instrumentos como esse pode e deve ampliar os negócios das centenas de associações e cooperativas que produzem de forma sustentável nos meios rurais e florestais, protegendo o meio ambiente, e gerando renda para milhares de extrativistas e agricultores familiares em todo o Brasil”, conclui Carina Pimenta, diretora executiva da Conexsus.

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná.Profissional com experiência de 50 anos na área de jornalismo, sendo 48 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social.Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Também é professora titular nos cursos de Jornalismo e Ciências Contábeis da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas paranaenses, de São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos.Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 16 anos de blog, mais de 35 mil matérias foram postadas.Ao longo de sua carreira recebeu 20 prêmios, com destaque para o VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005).Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

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