Investimentos de impacto no Brasil atingem R$ 18,7 bilhões

Investimentos de impacto no Brasil atingem R$ 18,7 bilhões

Volume de ativos sob gestão reportado em 2021 é 60% maior em relação ao ano anterior

A Aspen Network of Development Entrepreneurs (ANDE), uma rede global composta por mais de 220 organizações que promovem o empreendedorismo em mercados emergentes, acaba de lançar o Relatório de Investimentos de Impacto no Brasil de 2021. Esse é o quarto relatório especificamente focado no país e foi preparado em parceria estratégica com a Fundação Grupo Boticário de Proteção à Natureza, o Fundo Vale e a Potencia Ventures; com análise realizada pela Pipe Labo.

O relatório traz o cenário mais atualizado do mercado de investimento de impacto a partir de conversas com 38 organizações que investem no Brasil. “Por meio de dados institucionais e empresariais compartilhados pelos investidores, este relatório fornece uma visão geral de onde e como o capital é alocado, além de identificar os desafios enfrentados pelo ecossistema de impacto. Isso o torna uma ferramenta importante para analisar o contexto e tomar decisões para ação coletiva neste campo”, diz Henrique Bussacos, presidente do conselho da ANDE Brasil.

De acordo com o estudo, em 2021, foram observados tanto o aumento do volume de investimento quanto a chegada de novos atores no setor. O mercado de investimento de impacto no Brasil continuou a crescer e agora está estimado em aproximadamente R$ 18,7 bilhões. Em relação ao levantamento de dezembro de 2020 (R$ 11,5 bilhões), o volume de ativos sob gestão reportado é cerca de 60% maior.

Sobre a relevância desse tipo de pesquisa, Patricia Daros, Diretora do Fundo Vale, afirma“Nosso foco são os negócios de impacto na agenda de floresta e clima. Entendemos a importância de alocar recursos tanto para fortalecer esses negócios quanto para o ecossistema ao seu redor, bem como para veículos financeiros que possam investir neles. Mas para entender melhor os movimentos desse campo e onde estão os gaps de investimento, onde os recursos da filantropia podem fazer diferença, é fundamental a produção constante de conhecimento. E apoiar estudos como este é uma maneira de fazer isso”.

Quando a coleta de dados começou, em 2021, a pandemia da COVID-19 ainda era uma realidade latente, por isso o relatório oferece algumas informações sobre como esse contexto influenciou os interesses do setor. Também ressalta como a diversidade ainda é um tema complexo, sendo que mais de um terço dos investidores que responderam sobre gênero e raça não coletam essas informações sobre seus conselhos de administração ou na liderança das organizações.

No que se refere a isso, Itali Colini, da Potencia Ventures, afirma: “Ao analisar os dados, observamos um aumento no interesse por temas como pobreza, trabalho decente e educação. Os investidores estão respondendo às profundas consequências da pandemia, como desemprego, empobrecimento das profissões e dificuldades de acesso à digitalização, entre outros. Por outro lado, também podemos ver que os decisores ainda são predominantemente brancos e do sexo masculino. A demografia nos mostra que a diversidade é uma questão urgente!”

O relatório também indica que há quatro setores no top de interesse dos investidores: Alimentos e Agricultura, seguido por Educação; Saúde; e Biodiversidade e Conservação de Ecossistemas. Há muito interesse em Biodiversidade por parte dos investidores, mas ainda há pouco investimento concretizado em negócios desse setor. Isso reforça a importância do investimento do setor filantrópico direcionado a fortalecer e preparar negócios de temáticas menos consolidadas para que, gradativamente, tenham maior chance de receber investimentos que objetivam retorno”, diz Guilherme Karam, Gerente de Economia da Biodiversidade da Fundação Grupo Boticário.

Principais conclusões do relatório

  • Generalidades: Cerca de 40% dos membros do grupo de investidores tradicionais declararam ter acima de R$ 100 milhões sob gestão em 2021. Foram reportados 319 negócios, em 2021.
  • Sobre expectativas de retorno, 24 investidores indicaram buscar retornos de mercado sobre seus investimentos, enquanto 11 buscaram algum tipo de retorno abaixo do de mercado.
  • Crescimento do setor: Salta aos olhos o expressivo aumento do AUM mapeado por esta pesquisa em relação à sua edição anterior, que trouxe os dados do mercado em 2020. No grupo de investidores tradicionais, foram mapeados R$ 11 bilhões, um aumento de quase 150% em relação aos R$ 4,4 bilhões da pesquisa anterior.
  • Novos perfis ​de investimento: Mais investidores estão entrando nos estágios de Pré-Semente e de Empresas privadas maduras, em relação ao estudo anterior. Isso indica uma maior diversificação do setor.
  • Mudanças ​Climáticas: É importante ressaltar que 71% dos ​investidores têm entre seus investimentos feitos entre 2020 e 2021 algum negócio de impacto voltado para os desafios das mudanças climáticas. Sendo que 26% têm a totalidade dos investimentos de negócios ​de impacto com essa pauta.
  • Impacto: Observando os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da ONU priorizados pelos investidores, há no horizonte aquecimento para os investimentos e consequentemente para os empreendedores relacionado a Trabalho e Renda, assim como Erradicação da Pobreza. ​Mensurar o próprio impacto das iniciativas ainda é um desafio.
  • Diversidade: De forma agregada, dos 250 conselheiros citados, 167 são homens e ​83 mulheres. Entre os 240 membros de cargos de liderança, 169 são homens e ​ 71 são mulheres.
  • Os dados de raça ou cor são mais desafiadores. Entre as organizações que reportaram dados sobre esse tema, há uma concentração muito grande de conselheiros brancos, apenas três do total de 162 são de outras raças ou cores.

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná.Profissional com experiência de 50 anos na área de jornalismo, sendo 48 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social.Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Também é professora titular nos cursos de Jornalismo e Ciências Contábeis da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas paranaenses, de São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos.Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 16 anos de blog, mais de 35 mil matérias foram postadas.Ao longo de sua carreira recebeu 20 prêmios, com destaque para o VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005).Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

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