Empresas recorrem à tecnologia para reduzir a inadimplência

Carlos Benitez.
Fintech tem um motor de crédito próprio para ajudar empresas a lidar com os desafios e contradições do mercado
Em abril deste ano, a parcela de famílias brasileiras com dívidas chegou a 78,3%. Os dados são da Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC). A expectativa da CNC é que o índice registrado em abril permaneça igual pelos próximos dois meses, até atingir 78,4% em julho.
Em relação aos inadimplentes – aqueles com contas ou dívidas em atraso -, a pesquisa mostra que o total chegou a 29,1% das famílias do país, um pouco abaixo do que havia sido registrado em março (29,4%). Em abril de 2022, o índice era de 28,6%. O aumento ocorreu principalmente na classe média.
Na avaliação da entidade, a maioria das pessoas com dívidas atrasadas há mais tempo segue tendo dificuldades de quitá-las devido aos juros elevados cobrados pelos bancos e financeiras.
Ainda segundo a pesquisa, do total de consumidores endividados, 86,8% têm dívidas no cartão de crédito e 9% com crédito pessoal. No primeiro caso, trata-se do maior índice em um ano e, no segundo, supera os últimos seis meses.
Avaliando riscos
Para o CEO e fundador do hub de serviços financeiros BMP, Carlos Benitez, os grandes bancos possuem sistemas mais burocráticos de avaliação de riscos, o que acaba dificultando a concessão de crédito. Hoje, segundo ele, há sistemas que permitem análises de crédito mais rápidas e eficientes para diminuir esses riscos.
Pensando nisso, a sua empresa criou o BMP Cred, um motor de crédito próprio para ajudar empresas a lidar com os desafios e contradições do mercado. Trata-se de uma tecnologia capaz de analisar rapidamente as informações do potencial cliente, contribuindo para que as empresas interpretem os dados e riscos de modo a determinar limites seguros de crédito e, ao mesmo tempo, reduz as chances de inadimplência.
“A tecnologia contribui para que se interprete de forma mais categórica as informações do potencial cliente. De nada adianta ter uma série de informações e não saber o que se faz com elas. Afinal, a concessão de crédito deve vir a partir de uma análise precisa, levando em conta variantes, para que se diminuam os riscos de forma a assegurar sua rentabilidade”, afirma o CEO da BMP.
Benitez disse que, por meio do BMP Cred, um parceiro reduziu seu índice de inadimplência: a carteira de clientes foi analisada e, como resultado do trabalho desenvolvido pela BMP, a rentabilidade da empresa cresceu.
A BMP, que iniciou suas atividades oferecendo crédito para compra de veículos e hoje é referência em Bank as a Service no país, desenvolveu um ecossistema inteiro para atender às necessidades do mercado. Com o BMP Cred, a Companhia possui políticas exclusivas para seus parceiros. “Em até uma semana, conseguimos programar um modelo de crédito customizado para o cliente, maximizando a rentabilidade da sua carteira”, pontua Benitez.
Mais segurança
A participação de uma instituição financeira devidamente habilitada para interpretar os dados e garantir que a análise de crédito seja feita de forma adequada, é fator determinante para o sucesso da operação. “É importante que a empresa consiga trabalhar com o conjunto de dados encontrados, sempre de forma segura e transparente, compatível com a expectativa do cliente final”, diz Benitez.
Quanto mais personalizado for o processo em relação à área de atuação do negócio que depende da concessão de crédito, maiores são as chances de sucesso. “Isso significa que cada empresa precisa de ferramentas adaptadas às suas demandas, e é isso o que a BMP oferece. Nos especializamos em customizar os modelos de crédito justamente porque cada empresa precisa trabalhar com um processo de análise próprio”, afirma o CEO.
Importante frisar que não se trata de simplesmente elevar o volume de crédito concedido, mas de garantir a segurança da operação para os dois lados envolvidos: a empresa e o cliente. “O que buscamos é apresentar dados corretos, ainda que nem sempre sejam positivos. Queremos ser fidedignos com a realidade dos negócios, para que as chances de angariar volumes de crédito sejam maiores. Dessa forma, é possível que os investimentos se tornem viáveis, com o fortalecimento do capital de giro”, pondera Benitez.








