Com tecnologia já disponível, fraude das Americanas poderia ter sido evitada

Com tecnologia já disponível, fraude das Americanas poderia ter sido evitada

Adoção do blockchain inviabiliza as inconsistências contábeis da empresa

O reconhecimento da própria empresa nesta terça-feira (13) de que houve fraude em balanço divulgado no início do ano, colocou as Americanas novamente sob os holofotes do mercado financeiro. Para analistas ligados ao setor de tecnologia, como Antonio Hoffert, sócio-fundador da H3aven, a adoção da tecnologia blockchain poderia ter evitado que as inconsistências contábeis da companhia fossem executadas.

Hoffert explica que, por meio da blockchain, é possível blindar as informações de balanço contábil com segurança, para que se tornem auditáveis em tempo real, sem necessidade de auditorias externas, que recentemente estão se mostrando ineficazes para proteger investidores. “Escândalos empresariais recentes comprovam esse problema de agência das auditorias, que recebem seus pagamentos dos próprios objetos de análise. Isso afeta grandes empresas mundo afora e contamina segmentos inteiros”, avalia o especialista.

Ele lembra que as Americanas tiveram uma nota alta em “governança corporativa e alta gestão” no Índice de Desenvolvimento Sustentável da B3, publicado ainda no começo do ano, antes da explosão da crise contábil que tomou os noticiários e pegou o mercado financeiro de surpresa — a holding brasileira recebeu nada menos que 91,79 pontos de um total de 100, o que garantia seu lugar entre as 20 empresas mais sustentáveis do país.

“Em um cenário de interesses conflitantes, como na miscelânea contábil da Americanas, a excelente avaliação de governança como prelúdio de um revés contábil, digno de associação com o episódio do Lehman Brothers, parece um problema até então sem solução, fadado a se repetir inúmeras vezes. Porém, a minha visão é diferente: entendo que a tecnologia blockchain permite a criação de uma camada de confiança capaz de armazenar consensos entre clientes e fornecedores a fim de garantir uma inequivocabilidade e impossibilitar a fraude”, defende Hoffert.

Mecanismos de consenso

A solução se daria mediante uma aplicação denominada mecanismo de consenso, no qual as partes integrantes de um acordo seriam capazes de registrar um acordo sobre a natureza de toda transação. “Uma compra de uma mercadoria envolve um consenso entre duas partes: as condições de pagamento e o valor do produto. Com esse consenso registrado em Blockchain, um contrato inteligente automaticamente atualizaria os demonstrativos contábeis com os resultados financeiros e físicos da transação”, explica o especialista.

Uma vez que a contabilidade da empresa seria 100% validada em tempo real por terceiros que têm interesses difusos, muitas vezes antagônicos aos da empresa, “chegamos à verdade por meio de um processo dialético registrado em um cartório agnóstico. Dessa forma, a reputação da própria cadeia de valor com a qual a organização interage se torna o lastro de sua governança contábil. Assim, os acionistas e o conselho administrativo ganham visibilidade completa da saúde financeiro/contábil sem precisar confiar em relatórios de um gestor específico”, completa.

O G do ESG

Ele acredita que o episódio expõe ainda uma das maiores lacunas do “G” da sigla ESG: enquanto conhecemos diversos sistemas e aplicações automatizadas para controle de estoque e gestão de pessoas, por exemplo, falta tecnologia que garanta a governança. “É nessa lacuna que a tecnologia blockchain se tornou vital para companhias que precisam ancorar ações reais de ESG”.

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná.Profissional com experiência de 50 anos na área de jornalismo, sendo 48 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social.Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Também é professora titular nos cursos de Jornalismo e Ciências Contábeis da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas paranaenses, de São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos.Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 16 anos de blog, mais de 35 mil matérias foram postadas.Ao longo de sua carreira recebeu 20 prêmios, com destaque para o VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005).Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

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