Reforma tributária coloca em risco empregos no setor de tecnologia e compromete capacidade do Brasil de competir globalmente

Reforma tributária coloca em risco empregos no setor de tecnologia e compromete capacidade do Brasil de competir globalmente

Aumento da carga tributária sobre software e serviços de TI impacta de forma transversal o custo de todos os setores

A tecnologia da informação desempenha um papel essencial no desenvolvimento de uma nação e na competitividade da sua economia. Segundo a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), a transformação digital impulsiona o crescimento econômico, aumenta a produtividade e a eficiência administrativa, reduz a desigualdade nos países em desenvolvimento, facilita a inovação e fortalece a governança. Nesse sentido, a Associação Brasileira das Empresas de Software (ABES) dedica-se a impulsionar o setor de Software e Serviços de Tecnologia da Informação do Brasil para a promoção da inclusão digital, para a ampliação de oportunidade de capacitação da força de trabalho e para a melhoria da prestação de serviços públicos, especialmente na educação, saúde e proteção social, bem como a promoção de políticas públicas que garantam o acesso igualitário à tecnologia e às habilidades digitais para evitar a ampliação das desigualdades sociais.

Por isso, a ABES defende um tratamento diferenciado para o setor de TI na Reforma Tributária, uma vez que entende que incentivar investimentos estratégicos em Software e Serviços de TI é muito diferente de impor custos adicionais nas cadeias produtivas de desenvolvimento tecnológico, impactando sua capacidade de reduzir as desigualdades sociais e econômicas históricas no Brasil.

“Recentemente, o estudo do Institute for Management Development (IMD) demonstrou o caótico quadro em que o Brasil se encontra em relação à sua competitividade. Este resultado está diretamente relacionado à baixa capacidade do Brasil em absorver tecnologia. Em 2020, o país representava o 9º maior mercado de TI e, em 2022, caímos para a 12º posição. Aumentar o custo de seu acesso não irá colaborar para reverter este quadro, mas sim comprometer ainda mais a competitividade e o processo de neoindustrialização que está entre as prioridades do atual governo”, defende Rodolfo Fücher, Presidente do Conselho da ABES.

A Reforma Tributária tem diversos desafios relacionados ao setor de Software e Serviços de TI. Há uma complexidade natural para o micro e o pequeno empreendedor, pois o argumento da simplificação oculta dificuldades operacionais que impactam a cadeia produtiva de software e afugentam investimentos e empreendedores do setor. “No final, o consumidor pagará a conta, já que ele não tem como repassar o acréscimo tributário dos bens ou serviços que porventura adquirir”, explica Fücher.

De acordo com a Associação, o novo imposto, do qual ainda não se conhece a alíquota, poderá gerar uma inflação nos preços dos serviços de TI, aumentando brutalmente o custo da transformação digital e reindustrialização do Brasil. “Além disso, o IBS (imposto sobre bens e serviços), também conhecido com IVA (imposto sobre valor agregado) aumentará a carga tributária nas operações com software (licenciamento de uso) e nos serviços de tecnologia da informação. Para se ter uma ideia, tomando como referência a alíquota de 25% do IVA/IBS, a carga tributária atual seria multiplicada por quatro”, calcula.

Para Jorge Sukarie, Conselheiro da ABES, haverá perda da competitividade dos Desenvolvedores de Software e prestadores de serviços de TI do País. “Com as informações que dispomos até aqui sobre a Reforma Tributária, desenvolver softwares no Brasil ficará mais caro, pois o principal insumo do setor está na mão de obra e seus encargos, e esses custos não geram crédito no conceito da reforma tributária proposta, podendo estimular a migração de empresas para países vizinhos. Também vislumbramos uma queda nos investimentos, pois a diminuição das margens para acomodação da elevação dos preços no final da cadeia levará a uma forte redução na capacidade de contratação de mão de obra e de investimentos em inovação, bem como o impacto direto no Simples, já que a cadeia produtiva optará por adquirir bens e serviços de empresas ‘Não optantes pelo Simples Nacional’, e um aumento do custo ao acesso de tecnologias inovadoras, pois a mudança para a sistemática do IVA/IBS empurrará a carga tributária para a ponta. Considerando como referência alíquota de 25% do IVA, estimamos um aumento em torno de 22% no preço final dos softwares e serviços de tecnologia, o que irá gerar uma redução do consumo, com menos investimentos em tecnologia e inovação, mais a perda de produtividade e competitividade do País”, enumera.

A ABES aponta sete razões para que o mercado de TI tenha tratamento diferenciado na Reforma Tributária:

1) Incentivo à inovação: A TI é um setor altamente inovador, que requer investimentos significativos em pesquisa e desenvolvimento. Um regime tributário excepcionado pode proporcionar incentivos fiscais e reduções de impostos para estimular a inovação tecnológica e o desenvolvimento de novas soluções.

2) Elevação do grau de competitividade nacional: O setor de Software e Serviços de TI é altamente competitivo em escala global. Para que as empresas brasileiras possam competir com sucesso no mercado internacional, é necessário um ambiente fiscal favorável, com tributação adequada, similar à de outros países e incentivos que possibilitem a redução de custos e a melhoria da competitividade.

3) Geração de empregos: O Setor de Software e Serviços de TI já gera um significativo número de empregos qualificados e tem um grande potencial para aumentar constantemente esta demanda. Um regime tributário mais adequado pode estimular o crescimento do setor, atraindo investimentos e promovendo a criação de novos empregos, contribuindo para o desenvolvimento econômico e social do país.

4) Atração de investimentos: Uma tributação diferenciada pode atrair investidores nacionais e estrangeiros para o setor de TI, promovendo o desenvolvimento econômico e tecnológico do país. É papel do Estado tornar o ambiente de negócios convidativo para imprimir progresso econômico nacional.

5) Modernização da indústria nacional: A transversalidade da TI é estratégica, razão pela qual o Estado deve incentivar a adoção de tecnologias digitais, se o Brasil quiser aproveitar as novas oportunidades que se abrem quanto à reindustrialização, melhorando sua eficiência e competitividade.

6) Contribuição para o PIB: O setor de TI tem o potencial de impulsionar o crescimento econômico do país. O sistema tributário deve favorecer a expansão do setor, aumentando sua contribuição para o Produto Interno Bruto (PIB) nacional. De acordo com o Estudo de Mercado da ABES, o setor de TI cresceu aproximadamente 3,0% em 2022, atingindo expressivos R$ 247,4 bilhões em investimentos.

7) Desenvolvimento de talentos: O tratamento tributário diferenciado visa destinar recursos para programas de capacitação e formação de profissionais em tecnologia, impulsionando o desenvolvimento de competências necessárias para a nova economia digital.

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná. Profissional com experiência de 50 anos na área de jornalismo, sendo 48 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social. Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Também é professora titular nos cursos de Jornalismo e Ciências Contábeis da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas paranaenses, de São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos. Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 16 anos de blog, mais de 35 mil matérias foram postadas. Ao longo de sua carreira recebeu 20 prêmios, com destaque para o VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005). Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

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