Brasil é referência mundial na implementação do Open Finance: conheça alguns mitos e verdades

Brasil é referência mundial na implementação do Open Finance: conheça alguns mitos e verdades

60 milhões de brasileiros devem participar deste ecossistema até 2025

O Open Finance é um ecossistema financeiro aberto por meio de soluções digitais e com participação de diversas organizações do sistema financeiro. A implementação no Brasil vem ocorrendo desde 2021 e, de lá para cá, diversos avanços aconteceram.

 Ao final de março deste ano, a quantidade de consentimentos ativos  chegou a 28,3 milhões, contra 18,7 milhões em dezembro de 2022. No primeiro trimestre de 2023, foram adicionados por mês, em média, cerca de 3,2 milhões de novos consentimentos, sendo a maioria de pessoas físicas.

Esses números colocam o Brasil entre os países com maior adesão ao Open Finance e, em breve, deve superar o Reino Unido na liderança do ranking “Global Open Finance Index” em relação ao desenvolvimento do ecossistema de compartilhamento de dados.

Segundo a consultoria Oliver Wyman, 60 milhões de brasileiros devem participar deste ecossistema até 2025. O Brasil é referência mundial na implementação do sistema, porém, ainda há muitas dúvidas acerca do tema.

“O Open Finance tem como proposta o compartilhamento de informações entre instituições financeiras do mercado, como bancos, corretoras e distribuidoras de câmbio, seguros e investimentos, seguradoras, entidades de previdência e adquirência”, explica Alan Mareines, CEO da Lina Open X.

Uma evolução do Open Banking, o Open Finance tem objetivo semelhante à versão anterior: conceder ao cliente a possibilidade de compartilhar seus dados com outros bancos e instituições financeiras. “Porém, o Open Finance reúne um portfólio de possibilidades de compartilhamento mais completo do que o seu antecessor Open Banking, o que inclui: câmbio, investimentos, seguros e previdência”, destaca o especialista.

Alan Mareines aponta quatro dos principais mitos sobre o Open Finance:

1. Meus dados não estarão seguros

Há um temor de que, a partir do consentimento, os dados fiquem expostos. Mas a realidade é justamente o oposto: as instituições só podem ter acesso aos dados dos clientes se estiverem devidamente autorizadas por eles, o que dá mais poder e controle aos consumidores.

Existem várias regras de governança e também leis que as instituições participantes precisam seguir para poder usufruir do ecossistema, além de certificações, padrões de segurança e mecanismos de proteção que garantem a privacidade de dados.

Quando o cliente autoriza o compartilhamento, é obrigação da instituição informar para qual finalidade os dados serão utilizados, além de especificar quais são esses dados exatamente. O consumidor pode escolher por quanto tempo os dados serão compartilhados, e as informações ficam protegidas pela Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) e pela Lei do Sigilo Bancário.

2. Vai ser mais uma tarifa que precisarei pagar

O compartilhamento de dados não tem nenhum custo ao consumidor. Nenhuma cobrança é feita nesse sentido, pois a ideia é justamente incentivar que o cliente opte por compartilhar suas informações. Para a instituição financeira que está recebendo os dados compartilhados, o benefício é justamente poder conhecer melhor o cliente e, com isso, personalizar sua oferta de produtos e serviços financeiros.

3. Assim que compartilhar os dados, passarei a receber ofertas e propostas indesejadas

Na verdade, tende a acontecer o contrário. Quanto mais informações uma determinada instituição financeira possui a respeito dos seus clientes, mais personalizada pode ser a sua oferta de produtos e serviços, o que significa que os consumidores terão à disposição somente soluções que realmente fazem sentido, podendo também comparar diferentes ofertas disponíveis para o seu perfil. Esse é um dos grandes benefícios do Open Finance.

Importante ressaltar que a personalização é benéfica para o consumidor e também para a instituição financeira, que muitas vezes, ao oferecer opções genéricas por conta da ausência de dados personalizados, acaba se distanciando da realidade de seus clientes e perdendo oportunidades de venda do seu produto ou serviço.

4. Uma vez compartilhados meus dados, nunca mais terei opção de remover o compartilhamento

A qualquer momento, o consumidor pode solicitar a interrupção do compartilhamento de dados. A opção de revogar o compartilhamento pode ocorrer por diversos motivos, e o cliente pode fazer isso quando quiser, de forma fácil e totalmente digital, diretamente no aplicativo do banco. A instituição, por sua vez, perde o direito de utilizar os dados.

A Febraban aponta que mais de 90% das instituições pretendem expandir parcerias até o fim de 2023, com o intuito de prover ao consumidor serviços mais completos e entrar em segmentos novos como forma estratégica de agregar valor, complementar jornadas e consolidar a busca constante pela inovação.

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná.Profissional com experiência de 50 anos na área de jornalismo, sendo 48 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social.Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Também é professora titular nos cursos de Jornalismo e Ciências Contábeis da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas paranaenses, de São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos.Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 16 anos de blog, mais de 35 mil matérias foram postadas.Ao longo de sua carreira recebeu 20 prêmios, com destaque para o VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005).Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *