Ibovespa vira para o negativo e dólar cai após dados fracos de emprego nos EUA

Ibovespa vira para o negativo e dólar cai após dados fracos de emprego nos EUA

Ao contrário das expectativas, o Ibovespa não se animou o quanto se esperava depois da queda da taxa de juros acima do projetado. Na sexta-feira (04), o Ibovespa fechou o pregão em baixa de 0,89%, aos 119.507 pontos. Na semana, o índice acumulou qiueda de 0,57%. O dólar encerrou a R$ 4,8753, em queda de 0,48%, no mercado à vista. Na semana, porém, a moeda americana subiu 3,05%.

Na avaliação do CEO da transferbank, uma das 15 maiores corretoras de câmbio do Brasil, Luiz Felipe Bazzo, isso aconteceu porque o mercado, no geral, já estava em grande parte precificado, apesar de muitos analistas enxergarem um corte menor. O mercado já vem olhando para esse corte há bastante tempo, então, embora ajude o índice a se manter em um patamar estável, não foi uma grande novidade.

“O grande medo da vez do mercado financeiro é que o pessoal que vai assumir venha a tomar uma linha de decisões diferente da equipe atual”, diz Bazzo. Na sua avaliação, é preciso ter moderação ao mensurar o impacto nesse curto prazo em relação à decisão do Copom. A medida precisa de mais tempo para incidir sobre os ativos de maneira mais transparente.

Além disso, completa do CEO, é importante observar o impacto negativo que alguns setores tiveram sobre o Ibovespa no pregão, de maneira mais específica, mas que não refletem o desempenho da bolsa como um todo.

A resistência da semana a alguns nomes tanto associados com o setor financeiro, relevante no interior do índice, como também associados à curva de juros, que não tem o movimento trivial hoje, além de algumas commodities.

“Apesar da surpresa positiva com os juros caindo mais que o esperado, ainda tenho desconfiança com relação à inflação em um longo prazo e, consequentemente, com os juros futuros. Isso amortece um pouco o Ibovespa, mas que tem uma semana muito boa em comparação com a realidade internacional, que foi predominantemente negativa”, afirma Luiz Felipe Bazzo.

Dólar

Enquanto o Brasil tem iniciado esforços para controlar sua inflação e tende a fazer cortes consecutivos na taxa de juros, países vistos como economias mais ‘fortes’, como os Estados Unidos, estão propícios a permanecer com juros elevados por mais tempo.

Em consequência disso, outras opções se tornam interessantes na comparação com investimentos de maior risco, como papéis de países emergentes como o Brasil.

A taxa de juros americana continua elevada para o padrão histórico. E um dos principais fatores do valor do real frente ao dólar é uma operação em que os investidores pegam emprestado em lugares com juros baixos e aplicam em países que estejam pagando bons juros.

Segundo análise do CEO do transferbank, a tendência do mercado mostra que o dólar deve terminar o ano entre R$ 4,90 e R$ 5,0 se mantendo em um ponto de equilíbrio até o fim do ano. “Enquanto a Selic estiver em dois dígitos e os indicadores de inflação e atividade econômica derem suporte às decisões de política monetária do Banco Central, não acredito que o dólar possa ultrapassar a casa de R$ 5,00”.

Em resumo, a decisão do Copom significa uma tendência de um menor fluxo de capital para o Brasil, visto que nos EUA e demais países os juros ainda sobem, mesmo que para níveis restritivos, não há previsão de um início de corte. Então, por ora deve-se manter a pressão forte no real.

O mercado também repercute a divulgação dos mais recentes dados de emprego dos Estados Unidos, que registraram um leve avanço em julho em relação ao mês anterior, mas que vieram abaixo das expectativas. Os dados mostram que o mercado de trabalho americano continua aquecido e pode pesar contra os mercados.

“Importante salientar que a forte geração de emprego indica que a população continua com dinheiro na mão, o que pode seguir pressionando a inflação do país. Juros elevados na maior economia do mundo aumentam também o rendimento dos títulos públicos do país, que são considerados os mais seguros do planeta”, conclui Bazzo.

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná.Profissional com experiência de 50 anos na área de jornalismo, sendo 48 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social.Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Também é professora titular nos cursos de Jornalismo e Ciências Contábeis da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas paranaenses, de São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos.Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 16 anos de blog, mais de 35 mil matérias foram postadas.Ao longo de sua carreira recebeu 20 prêmios, com destaque para o VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005).Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

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