Reforma Tributária: entidades fazem manifesto pela garantia de manutenção dos serviços públicos

Reforma Tributária: entidades fazem manifesto pela garantia de manutenção dos serviços públicos

O manifesto foi assinado pela Anfip, Anafisco, Febrafisco, Fenafim, Fenafisco, Sindifisco Nacional, Sindireceita e Unafisco Nacional

Os representantes das entidades de classe dos cargos que atuam nas Administrações Tributárias da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, que compõem o Pacto de Brasília, e demais entidades da sociedade civil, reivindicam que o Congresso Nacional garanta uma arrecadação que não ameace a redução no financiamento dos serviços públicos.

A sugestão de um teto para a calibragem da alíquota a ser cobrada no novo sistema tributário, meramente baseado nos dados de arrecadação entre 2012 e 2021, sem aprofundamento de estudos, baseado em parâmetros de uma década atrás, trará repercussões que ao final limitará o direito constitucional de acesso aos serviços públicos.

A definição de uma trava constitucional à carga tributária sobre o consumo poderá impedir a fruição da cidadania da maioria dos brasileiros que dependem exclusivamente dos serviços públicos como o atendimento de saúde, de educação, de transporte, de infraestrutura, dentre outros. Que estudos embasaram a conclusão de que essa limitação, no patamar máximo da média de 2012 a 2021, seria a ideal para o Brasil cumprir com as suas necessidades de crescimento, de investimento, de atendimento aos mais carentes?

Há por vezes a confusão dos atores políticos entre aumento de alíquota e aumento de carga tributária. O viés adotado a partir do novo arcabouço fiscal é o de expansão da base tributária, não por aumento de tributos ou de alíquotas dos que já pagam, mas sim por maior eficácia da máquina arrecadadora no combate à sonegação e à inadimplência contumaz, revisão de benefícios fiscais sem retorno à sociedade, e pela tributação adequada dos mais ricos e privilegiados. Isso não significa que não se deva almejar a redução da carga tributária sobre o consumo. Porém isso não pode ser feito de maneira aleatória, sem qualquer embasamento científico, e sim pelo crescimento econômico, por investimento na máquina arrecadadora e por um sistema tributário realmente progressivo. Carreiras de Estado da Administração Tributária – União, Estados, DF e Municípios.

A definição constitucional de um limite – não para alíquotas, mas para o montante global – da arrecadação sobre o consumo poderá trazer, entre suas consequências, o desinteresse dos chefes do Executivo Estadual e Municipal no investimento de suas administrações tributárias. Do ponto de vista desses atores políticos, o incremento de arrecadação decorrente de uma maior eficiência do Fisco teria como consequência a redução da alíquota. O risco, por consequência lógica, é que os investimentos não sejam feitos, levando à perda de eficiência das administrações tributárias, e, aí sim, aumento de alíquota, para se alcançar as receitas necessárias. Ou seja: o tiro pode sair pela culatra, levando a futuros aumentos de alíquota, fazendo com que os que já pagam acabem pagando ainda mais.

Espera-se que o Senado Federal não incorra no equívoco da legislatura anterior do Congresso Nacional, que ignorou os apelos dos Estados e Municípios, impondo severas perdas com reduções estruturais de seus orçamentos retirando, por exercício fiscal, um percentual de arrecadação de ICMS (Leis Complementares 192/2022 e da LC 194/2022).

O grave erro de avaliação de um efêmero quadro superavitário semestral, em 2022, resultou em subtração estrutural que, já em 2023, retirou 102 bilhões de reais dos erários estaduais e municipais. As estradas não recuperadas, as escolas, hospitais e postos de saúde descontinuados, os restaurantes populares encerrados e vários serviços que beneficiam a população mais pobre, foi vitimada por plataformas e votos que concorreram para o prejuízo dos mais pobres, que veiculam e dissimulam um discurso de farisaísmo de redução do Estado. Bem entendida: é a redução no financiamento dos serviços utilizados pelos pobres, mas com manutenção dos maiores gastos públicos per capita de juros do mundo, em benefício dos ricos, na outra ponta.

As entidades abaixo signatárias reivindicam que o Congresso Nacional, atualmente na expectativa da deliberação do Senado Federal, proteja a sociedade com um dispositivo que não ameace a correta e necessária prestação dos serviços que os entes públicos de todas as esferas federativas se esforçam para garantir à população.

Pacto de Brasília

O Pacto de Brasília é um colegiado integrado pelas representações associativas, sindicais e federativas dos servidores ocupantes dos cargos efetivos das Administrações Tributárias da União, Distrito Federal, estados e municípios, constituído em 2019 para defender princípios em defesa da administração tributária de Estado, da sociedade e da redução da desigualdade social.

Integram o Pacto de Brasília a Fenafisco, ANFIP, Anafisco, Febrafisco, Fenafim, Sindifisco Nacional, Sindireceita e Unafisco Nacional.

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná.Profissional com experiência de 50 anos na área de jornalismo, sendo 48 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social.Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Também é professora titular nos cursos de Jornalismo e Ciências Contábeis da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas paranaenses, de São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos.Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 16 anos de blog, mais de 35 mil matérias foram postadas.Ao longo de sua carreira recebeu 20 prêmios, com destaque para o VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005).Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

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