Black Friday 2023: especialistas apontam aspectos que contribuíram para a queda de pedidos

Black Friday 2023: especialistas apontam aspectos que contribuíram para a queda de pedidos
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Decréscimo de 16,3% pode ser explicado pelo endividamento alto e ampliação do período de promoções

A Black Friday de 2023 não empolgou os consumidores brasileiros. É isso que mostra os dados da plataforma Hora a Hora, da Confi.Neotrust, em parceria com a ClearSale. Segundo os dados, foram registrados um total de 8,2 milhões de pedidos, uma queda significativa de 16,3% em comparação ao ano anterior. Especialistas apontam que os motivos para o desempenho negativo podem estar relacionados com o aumento do endividamento dos consumidores e das empresas, com fraudes e com a dificuldade dos empresários de apresentarem boas ofertas no período.

Segundo Sérgio Scarpelli, head de criação da Agência Amithiva, a Black Friday no país enfrenta sérios desafios, principalmente quando tratamos dos consumidores mais endividados. “A Black Friday no exterior é uma queima de estoque pensando na renovação dos varejistas para o período de Natal. No Brasil, a grande liquidação não ocorre da mesma forma, fazendo com que muitas marcas não consigam fornecer descontos que realmente atraiam os consumidores”, afirmou.

Outro fator que explica o movimento mais fraco neste período está no alongamento do período de promoções, uma tendência que Scarpelli acredita que veio para ficar. “Vemos um movimento muito claro no varejo de estender as promoções por um período mais alongado, como os famosos “Esquenta Black Friday”, as prorrogações de promoções e o “Mês da Black Friday”. Com essa estratégia, vemos os consumidores consumindo de forma mais constante durante um período maior, não se focando apenas na data da promoção”, explica.

Mas a estratégia do varejo faz sentido? Para o especialista, uma variação da data, considerando que não temos uma liquidação da mesma forma que há no exterior, pode ser de benefício para o mercado. “Acredito que estendendo a adiantando a data para períodos do mês onde há maior consumo é uma boa estratégia, que beneficia os consumidores e as marcas”, completou.

Outro fator que levou a Black Friday de 2023 ter resultados negativos foi o endividamento. Dados da Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), divulgada pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), mostram que 87% das famílias brasileiras têm dívidas com cartão de crédito. Já o levantamento “Perfil e Comportamento do Endividamento Brasileiro 2023”, do Serasa, mostra que, das dívidas feitas no cartão de crédito, 46% são de itens como eletrodomésticos, roupas e outros.

Fernando Lamounier, educador e diretor da Multimarcas Consórcios, aponta que falta um pensamento a longo prazo no planejamento financeiro das famílias brasileiras. “A Black Friday é uma data que incentiva o consumo e ainda falta um planejamento de médio e longo prazo no país. Até mesmo quando falamos do endividamento a partir de compras relacionadas a necessidades básicas. Recentemente a pesquisa do Serasa demonstrou isso, onde um total de 59% das dívidas contraídas por cartões de crédito no país são referentes a alimentos. Neste cenário de endividamento de empresas e dos consumidores, não é de se estranhar os resultados negativos observados na Black Friday”, explicou.

O especialista ressalta que boas práticas financeiras diárias podem auxiliar os consumidores a aproveitarem mais as promoções em períodos como esse. “Buscar entender seus gastos e qual o valor dos ganhos, fazer um controle financeiro e buscar aproveitar os períodos com os melhores preços, como é o caso da Black Friday e da Cyber Monday, fazem toda a diferença no planejamento”, completou.

Porém, em um cenário de endividamento e de altos custos, principalmente quando consideramos a taxa de juros elevada e a moeda desvalorizada, a Black Friday de 2023 pode ser apenas um sinal de que o consumo e o investimento no varejo precisam de atenção e que medidas governamentais como o “Desenrola”, criado pelo governo federal para a renegociação de dívidas, ainda não demonstram os resultados tão aguardados pelo setor.

 

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná. Profissional com experiência de 50 anos na área de jornalismo, sendo 48 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social. Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Também é professora titular nos cursos de Jornalismo e Ciências Contábeis da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas paranaenses, de São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos. Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 16 anos de blog, mais de 35 mil matérias foram postadas. Ao longo de sua carreira recebeu 20 prêmios, com destaque para o VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005). Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

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