Como as empresas podem aproveitar melhor o talento dos aprendizes?

Como as empresas podem aproveitar melhor o talento dos aprendizes?

Especialista destaca estratégias para capacitação e retenção de jovens

O programa Jovem Aprendiz, instituído pela Lei 10.097/00, registrou a maior adesão histórica em 2024. Com cerca de 614 mil jovens participantes,  segundo o Ministério do Trabalho e Emprego, o programa consiste numa excelente porta de entrada para o trabalho formal para jovens, que inclui aprendizagem prática e teórica, além de tempo reservado aos estudos escolares.

A legislação estabelece uma cota mínima para a contratação de aprendizes por empresa: entre 5% e 15% do total de trabalhadores, com empresas que tenham a partir de sete funcionários. De acordo com levantamentos do Ministério do Trabalho e Emprego e do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), se o piso da cota, equivalente a 5%,  fosse totalmente cumprido, o Brasil poderia ter cerca de 960 mil aprendizes em atividade. Esse número poderia chegar a 3 milhões em caso de cumprimento do percentual de 15%.

Para a gerente do Programa de Aprendizagem da Companhia de Estágios, Bruna Nascimento, muitas empresas ainda têm dificuldade de aproveitar o talento dos aprendizes.

“Para algumas organizações, ainda é um desafio fazer uma boa alocação dos aprendizes e não ver essa categoria apenas como cota a ser cumprida”, diz a especialista. “A gente precisa levar em consideração que o programa realmente forma profissionais capacitados, que podem receber treinamento para seguirem se desenvolvendo e galgando novas posições, reduzindo os custos em recrutamentos externos das empresas.”

Confira a seguir orientações para valorizar e aproveitar melhor os jovens talentos.

1. Envolva o aprendiz desde o início  

O onboarding ou programa de integração na ocasião de um novo emprego é sempre importante, ainda mais para o caso de jovens que nunca tiveram experiência de trabalho numa empresa. Neste caso, o processo é ainda mais crítico e indispensável para garantir que ele compreenda como funciona aquele ambiente e assimile suas funções.  Mais do que apenas uma explicação sobre as normas internas, o programa de integração deve ser estruturado para apresentar a rotina de forma dinâmica, abordando a missão da empresa, a importância do papel do jovem aprendiz dentro da organização e como ele contribui para o seu desenvolvimento profissional. Também conta a favor envolvê-lo nos processos, eventos sociais, quando possível, e realizar treinamento contínuo e ajustado conforme a sua evolução.

Os gestores têm um papel de destaque no desenvolvimento dos aprendizes. Para que o programa seja bem-sucedido, os líderes precisam estar preparados para orientar, acompanhar e oferecer feedbacks construtivos. Isso exige treinamento prévio para alinhar as expectativas de todas as partes envolvidas, além de um bom conhecimento das competências que o aprendiz pode oferecer e daquelas que ele ainda precisa desenvolver.

2. Proponha tarefas efetivas e desafios reais

O aprendiz deve ser visto como mão de obra de valor, sendo assim, pode ser uma solução eficaz para desafogar equipes que estão sob pressão, otimizando processos internos. Jovens costumam ter interesse e energia para se envolver em atividades produtivas e contribuir de forma concreta para os resultados da empresa. O mais importante é evitar delegar apenas tarefas superficiais e operacionais.  Quando o aprendiz se vê limitado apenas a funções burocráticas sem impacto real no dia a dia da equipe, a desmotivação cresce e a empresa perde a oportunidade de desenvolver um talento.

Um primeiro passo é alinhar as funções às competências dos aprendizes. Algumas áreas, como financeiro e RH, lidam com dados confidenciais e exigem um nível maior de maturidade, sendo mais adequadas para profissionais mais maduros – se forem aprendizes, a partir dos 18 anos. Já funções como análise de dados, processos e logística permitem que aprendizes mais jovens, que tenham entre 15 ou 16 anos, se envolvam ativamente, ajudando na organização de rotas, separação de pedidos ou controle de materiais. A rotação entre diferentes setores também pode ser uma estratégia interessante para ampliar a visão dos jovens sobre a empresa.

3. Realize seleções internas  

Uma das melhores formas de engajar um aprendiz e garantir sua continuidade na empresa é permitir sua participação em processos seletivos internos para vagas permanentes. Ao fazer isso, a empresa mostra ao aprendiz que ele tem oportunidades de crescimento dentro da organização, o que aumenta seu comprometimento com as metas da companhia.

Participar de seleções internas também permite que o aprendiz perceba o impacto de seu trabalho, bem como as possibilidades reais de efetivação. Isso gera um ciclo positivo: o aprendiz se dedica mais ao seu desenvolvimento, porque sabe que o sucesso pode resultar em uma vaga permanente. A transparência quanto às oportunidades internas é uma das estratégias mais eficazes para reter talentos.

4. Promova desenvolvimento estratégico 

O desenvolvimento do jovem começa com aprendizados básicos que fazem a diferença no ambiente de trabalho como negociação e diálogo com colegas, apresentação de ideias e postura profissional. Questões comportamentais, como comprometimento, trabalho em equipe e gestão do tempo, também são fundamentais para formar jovens profissionais mais preparados.

Além das soft skills, é importante incentivar o desenvolvimento de hard skills que sejam coerentes com as metas e necessidades futuras da empresa. A maioria jovens já possui familiaridade com ferramentas digitais, e essa habilidade pode ser potencializada com capacitações em Excel, inglês e softwares específicos da empresa. Oferecer treinamentos nessas áreas amplia as possibilidades de atuação dos aprendizes e permite que eles se destaquem, tanto dentro da empresa quanto em oportunidades futuras.

5. Estimule a participação em projetos e eventos

Envolver os aprendizes em projetos significativos, nos quais possam interagir com diferentes áreas, reforça o senso de pertencimento e permite que desenvolvam habilidades importantes para sua trajetória profissional. Quando eles percebem que suas contribuições são valorizadas, tornam-se mais engajados e motivados a permanecer na empresa. Além disso, essa integração com a equipe e com os processos da organização amplia sua visão sobre o funcionamento do negócio e as possibilidades de carreira.

Pequenos gestos também fazem a diferença. Incentivar a participação em reuniões, incluir os jovens em eventos internos e proporcionar benefícios sociais, como almoços de equipe ou programas de bem-estar, ajuda a criar um ambiente mais acolhedor. Essas ações mostram que o aprendiz não está ali apenas para cumprir uma função temporária, mas que é uma peça importante na cultura e no crescimento da empresa.

6. Avalie o impacto do programa

O impacto do programa pode ser medido pelo caminho que os aprendizes seguem após sua participação. Sucesso é visto quando eles concluem o ciclo, se matriculam em cursos superiores na área ou conquistam vagas efetivas. A taxa de retenção também é um indicador essencial: empresas que promovem pertencimento reduzem a evasão e os desligamentos precoces.

Além de métricas estruturadas, como trilhas de desenvolvimento e avaliações 360º, ouvir os aprendizes sobre sua experiência é fundamental. Feedbacks diretos ajudam a ajustar o programa, garantindo que ele seja mais atrativo e eficaz no desenvolvimento técnico e comportamental dos jovens.

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná.Profissional com experiência de 50 anos na área de jornalismo, sendo 48 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social.Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Também é professora titular nos cursos de Jornalismo e Ciências Contábeis da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas paranaenses, de São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos.Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 16 anos de blog, mais de 35 mil matérias foram postadas.Ao longo de sua carreira recebeu 20 prêmios, com destaque para o VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005).Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

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