Contribuintes com salário de R$ 6,6 mil pagam mais Imposto de Renda proporcionalmente do que milionários

Contribuintes com salário de R$ 6,6 mil pagam mais Imposto de Renda proporcionalmente do que milionários

Isenção de lucros e dividendos faz com que pessoas com rendimentos de R$ 20 mil mensais tenham o dobro de alíquota efetiva em comparação com os que estão no topo da pirâmide social

Estudo realizado pelo Sindifisco Nacional (Sindicato Nacional dos Auditores-Fiscais da Receita Federal) aponta que a regressividade do Imposto de Renda da Pessoa Física (IRPF) segue penalizando os mais pobres. A partir da análise dos dados dos Grandes Números, divulgados pela Receita Federal, do exercício 2024, ano calendário 2023, foi possível verificar que pessoas que ganham de 5 a 7 salários-mínimos (R$ 6,6 mil) contribuem com uma alíquota efetiva de 6,63%, enquanto aqueles que recebem R$ 420 mil mensais tem uma alíquota de 5,28%.

Os trabalhadores que mais contribuem com IRPF são aqueles com rendimento da 15 a 20 salários-mínimos (R$ 19,8 mil), que tem uma alíquota efetiva de 11,41%. Após essa faixa de renda, a porcentagem da contribuição passa a diminuir, chegando a 5,18% para contribuintes com renda a partir de 240 salários-mínimos (R$ 316 mil), conforme mostra o gráfico acima.

“Em 1995, seis anos depois da Constituição, nós isentamos de pagar Imposto de Renda lucros e dividendos, ou seja, os detentores dos maiores rendimentos do país saíram da conta. Se eles saem da conta, ela é deslocada para o andar de baixo. Em 2023, tivemos R$ 1 trilhão em lucros e dividendos declarados que não pagaram nenhum centavo de Imposto de Renda, deixando para os trabalhadores o ônus dos impostos que sustentam o país”, afirma Dão Real, presidente do Sindifisco Nacional.

A redução da base de cálculo do imposto de renda causada pela isenção das rendas do capital aumenta à medida que crescem os ganhos do contribuinte, conforme podemos analisar no gráfico abaixo.

Segundo o estudo: os dados demonstram que há relação crescente entre a Renda Total Declarada e a Renda Isenta e Não Tributável, o que pode apontar o alto grau de desoneração dos contribuintes mais ricos e um acirramento na regressividade. Para as faixas de Renda Total Declarada superiores a 240 salários-mínimos mensais, aproximadamente 71% dos rendimentos correspondem à Renda Isenta e Não tributável.

Já na faixa dos que declararam mais de 320 salários-mínimos mensais em rendimentos totais, apenas 5,5% correspondem aos rendimentos tributáveis brutos, que após deduções se sujeitarão à tabela progressiva do Imposto de Renda. Por outro lado, nas faixas de rendas inferiores, entre 1 e 2 salários-mínimos mensais, aproximadamente 10,7% correspondem aos rendimentos isentos e não tributáveis, enquanto 85,2% correspondem aos rendimentos tributáveis brutos.

É inevitável a constatação de que este tipo de tratamento tributário é absolutamente não isonômico e não equitativo.

“A tributação pode ser usada como instrumento de redução das desigualdades, porém, atualmente, ela claramente as aprofunda. O PL 1087, que busca garantir o pagamento de uma alíquota efetiva mínima para os mais ricos é urgente e um passo importante, mas enfrenta grandes resistências fruto, em boa parte, da desinformação em torno do tema. Mesmo que a alíquota efetiva mínima de 10% para os mais ricos passe no Congresso, ainda assim, a classe média seguirá como a mais onerada pelo Imposto de Renda”, conclui Dão Real.

 

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná.Profissional com experiência de 50 anos na área de jornalismo, sendo 48 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social.Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Também é professora titular nos cursos de Jornalismo e Ciências Contábeis da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas paranaenses, de São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos.Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 16 anos de blog, mais de 35 mil matérias foram postadas.Ao longo de sua carreira recebeu 20 prêmios, com destaque para o VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005).Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

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