Mercado de crédito apresenta sinais de desaceleração

Mercado de crédito apresenta sinais de desaceleração

Retração é justificada pela alta dos juros, endividamento elevado e aumento da inadimplência

O mercado de crédito brasileiro apresenta sinais claros de desaceleração, após um crescimento expressivo registrado em 2024. Segundo dados do Banco Central, o saldo total de crédito do Sistema Financeiro Nacional (SFN) atingiu R$ 6,9 trilhões até o último dado disponível, com alta de 10,2% na comparação com o mesmo período do ano passado.

Apesar do crescimento nominal, as concessões de empréstimos vêm perdendo fôlego. No acumulado dos últimos 12 meses, as concessões somaram R$ 644 bilhões, o que representa alta de 9,8% no acumulado de 12 meses, bem abaixo da alta de 15,5% observados em 2024. Essa desaceleração reflete um cenário mais restritivo.

Segundo análise da Mapfre Investimentos, entre os fatores que explicam essa retração, destacam-se: elevação da taxa Selic para o maior nível desde 2006; o endividamento das famílias e comprometimento da renda com o serviço da dívida em níveis recordes; e inadimplência elevada em algumas modalidades, como no crédito para o agronegócio. Esse conjunto de fatores tem levado as instituições financeiras a adotar maior seletividade na concessão.

As instituições financeiras concedentes de crédito têm sinalizado um cenário macroeconômico desafiador, revisando para baixo suas projeções de crescimento para novas concessões. A expectativa é de que estas continuem crescendo, mas em ritmo moderado, com maior foco em operações com garantias e clientes de menor risco, destacam os economistas da Mapfre.

Cenário desafiador para 2026

O cenário para 2026 continua desafiador. Embora haja expectativa de início da redução da taxa Selic ao longo do ano, a taxa básica deve permanecer em níveis elevados, o que tende a limitar uma recuperação mais consistente. Além disso, os pedidos de recuperação judicial seguem aumentando, com destaque para o agronegócio, sinalizando dificuldades que ainda persistem no setor.

Na visão dos economistas da Mapfre Investimentos, modalidades como empréstimos sem garantias para pessoas físicas, crédito para pequenas e médias empresas e financiamentos para o setor agro devem ser as mais impactadas. Por outro lado, as instituições financeiras já vêm ajustando suas carteiras. Assim, não obstante o aumento das perdas esperadas, o sistema financeiro continua bem provisionado, com condições para manter o regular funcionamento da intermediação financeira.

Realização nas bolsas é absorvida

Em novembro os principais índices acionários operaram em sentidos mistos, com pequena realização de lucros nos EUA e atingimento de novas máximas nominais nos índices domésticos.

O Ibovespa avançou 6,37% em setembro aos 159 mil pontos, renovando as máximas do ano com o retorno acumulado em 2025 de 32%, com fluxo de investidores estrangeiros positivo no mês em R$2,8 bilhões. O dólar caiu 0,95% frente ao Real a R$ 5,37. O índice Nasdaq recuou 2,2% e o S&P500 0,4%. Já o índice do dólar DXY caiu 0,1% a 99,56 e a curva de juros americana devolveu prêmios em todos os vértices (vértice de 10 anos a 4,01% no final de novembro, frente aos 4,09% no final de outubro).

Nos EUA um acordo político viabilizou o fim do shutdown, enquanto incertezas quanto à sustentabilidade e retorno potencial de investimentos em infraestrutura de IA motivou uma pequena correção dos índices acionários. A correção contudo teve duração curta, uma vez que apostas de corte dos juros pelo Federal Reserve e pacotes de estímulos por parte de economias centrais, notadamente Japão e China, predominaram sobre eventuais riscos no radar.

No Brasil, o destaque do mês de novembro ficou por conta do anúncio pelo BC da liquidação do Banco Master, na maior operação (em termos nominais) do FGC desde sua criação.

Em relação à performance dos fundos administrados, no mercado de renda fixa, economistas da Mapfre Investimentos observam o fechamento de até 40 pontos base nos vértices intermediários e longo da curva de juros nominais e fechamento de até 20 pontos base nos intermediários para longos na curva de juros reais. “Seguimos atuando com menor volatilidade dos fundos, operando ativamente mas cumprindo alto nível no controle de riscos e aproveitando oportunidades em operações de arbitragem e trades relativos. Na renda variável, a carteira de large caps avançou 5,77% no mês (benchmark +6,44%) e a carteira de small caps avançou 0,04% no mês (benchmark +6,03%). Destaques positivos no mês para os setores de bancos e mineração & siderurgia, com destaque negativo para o setor de logística”, aponta a análise da Mapfre Investimentos.

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná.Profissional com experiência de 50 anos na área de jornalismo, sendo 48 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social.Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Também é professora titular nos cursos de Jornalismo e Ciências Contábeis da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas paranaenses, de São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos.Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 16 anos de blog, mais de 35 mil matérias foram postadas.Ao longo de sua carreira recebeu 20 prêmios, com destaque para o VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005).Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

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