Curtir o Carnaval está quase 80% mais caro que há 10 anos

Curtir o Carnaval está quase 80% mais caro que há 10 anos

Estudo da Rico mostra que gastos com bebidas, estética e viagens encareceram acima do IPCA

Para muitos brasileiros, o Carnaval é um dos períodos mais aguardados do ano e, nos últimos anos, também passou a pesar mais no bolso. Um estudo da Rico mostra que a chamada “cesta carnavalesca”, composta por produtos e serviços consumidos nos dias de folia, acumulou alta de 79,07% em 10 anos, acima da variação de 64,77% do IPCA no mesmo período.

“De maneira simplificada, isso significa que os principais itens consumidos durante o carnaval subiram perto de 14% a mais do que a inflação média de bens e serviços do país nos últimos 10 anos”, afirma Maria Giulia Figueiredo, analista de research da Rico e responsável pelo levantamento.

Os dados fazem parte de um estudo elaborado pela Rico, plataforma de investimentos e serviços financeiros do Grupo XP Inc., que analisou o comportamento dos principais gastos associados ao Carnaval, como bebidas, maquiagem, bijuterias, serviços de beleza e transporte, em diferentes horizontes de tempo.

No recorte de seis anos, a diferença entre a cesta temática e o índice geral se estreitou, mas a pressão segue acima da média: a cesta carnavalesca subiu 48,97%, contra 39,15% do IPCA. No curto prazo, olhando para 2025, a seleção também permaneceu à frente da inflação oficial.

“Ou seja, a folia tem encarecido acima da inflação nos últimos anos”, destaca Maria Giulia.

A cesta carnavalesca: quanto ficou mais caro curtir a folia?

Para medir o impacto real no bolso dos foliões, o estudo da Rico construiu uma cesta hipotética com alguns dos principais produtos e serviços consumidos durante o Carnaval, como cerveja, outras bebidas alcoólicas, bijuterias, artigos de maquiagem, cabeleireiro, passagens aéreas e ônibus interestaduais.

Itens 12 meses 6 anos 10 anos
IPCA 4,26% 39,15% 64,77%
Cesta total 5,51% 48,97% 79,07%
Cerveja 5,97% 41,34% 58,18%
Outras bebidas alcoólicas -2,88% 51,09% 80,76%
Vinho 0,80% 23,64% Iniciou a partir de 01/2020
Cerveja 3,11% 31,87% 51,53%
Bijuteria 9,88% 57,84% 61,76%
Ônibus interestadual 4,04% 26,95% 54,91%
Passagem aérea 7,86% 48,64% 74,23%
Artigos de maquiagem 3,27% 29,09% 35,16%
Cabeleireiro e barbeiro 8,07% 42,62% Iniciou a partir de 01/2020

Os números mostram que o impacto não vem de um único item, mas da combinação de vários reajustes concentrados no período carnavalesco.

Bebidas: o brinde ficou mais caro

Nos últimos 10 anos, a cerveja acumulou alta de 58,18%, enquanto outras bebidas alcoólicas — como destilados e coquetéis prontos — subiram ainda mais, com inflação de 80,76% no período, a maior entre os itens analisados.

“Esse aumento reflete o encarecimento dos insumos, como malte e alumínio para as latas”, aponta o estudo. No caso de outras bebidas alcoólicas, a valorização do dólar, que impacta o custo de importação de insumos, também ajudou a impulsionar os preços.

O vinho, por sua vez, apresentou inflação menor no período analisado, com alta de 23,64% nos últimos seis anos, já que passou a integrar o IPCA apenas a partir de 2020.

Maquiagem e bijuterias: brilhar custa mais

Itens ligados ao visual carnavalesco também ficaram mais caros. As bijuterias acumularam inflação de 61,76% em 10 anos e de 57,84% em seis anos, mostrando um avanço consistente ao longo do tempo.

No curto prazo, o acumulado de 2025 apresentou a maior alta entre todos os itens analisados, superando inclusive a própria cesta carnavalesca. “Esse movimento é explicado pelo aumento dos custos de produção e a alta do dólar, que encarece insumos como metais e pedras sintéticas”, aponta o estudo.

Já os artigos de maquiagem tiveram alta de 35,16% em 10 anos e de 29,09% em seis anos, refletindo o encarecimento de pigmentos importados e embalagens.

Serviços e viagens: demanda concentrada pressiona preços

Serviços de beleza, como cabeleireiro e barbeiro, também sofreram reajustes relevantes. Nos últimos seis anos, a inflação acumulada foi de 42,62%. “Esse tipo de serviço é influenciado pelo comportamento da renda disponível da população e pela variação da demanda, que tende a subir em períodos de festas”, aponta o estudo.

Para quem viaja no Carnaval, os custos de deslocamento são outro fator de pressão. As passagens aéreas acumularam alta de 74,23% em 10 anos e de 48,64% em seis anos, enquanto as passagens de ônibus interestaduais subiram 54,91% em 10 anos.

Fatores como preço dos combustíveis, câmbio, demanda e ajustes na oferta ajudam a explicar essas variações expressivas.

A folia pesa mais no bolso

O levantamento mostra que, de bebidas a serviços e transporte, o Carnaval ficou mais caro por uma combinação de fatores como aumento da demanda, mudanças tributárias, encarecimento de insumos e depreciação cambial.

“Para quem quer curtir a folia sem comprometer o orçamento, vale a pena planejar os gastos com antecedência, buscar promoções e considerar alternativas mais econômicas”, conclui Maria Giulia Figueiredo.

4 dicas para curtir o Carnaval sem sofrer com a ressaca financeira

Além de mostrar como a inflação tem pesado mais no bolso dos foliões nos últimos anos, o estudo da Rico reforça a importância do planejamento financeiro para atravessar o Carnaval sem comprometer o orçamento. A seguir, Thaisa Durso, educadora financeira da Rico, reúne orientações práticas para aproveitar a festa com mais consciência — e menos aperto depois da Quarta-Feira de Cinzas.

  1. Antecipe gastos e fuja da inflação de última hora

No Carnaval, serviços e deslocamento tendem a ficar mais caros pela alta concentração de demanda. Planejar gastos com antecedência, comprar passagens antes e criar pequenas reservas ajuda a evitar preços inflacionados nos dias de festa.

  1. Proteja seu dinheiro durante a folia

Em meio a aglomerações, vale adotar cuidados simples: desativar pagamento por aproximação dos cartões, evitar Wi-Fi público, usar doleira e, se possível, levar um celular secundário. Em caso de furto, o contato imediato com o banco reduz prejuízos.

  1. Tenha uma reserva de emergência

Imprevistos acontecem — e a reserva funciona como um “abadá financeiro”. O ideal é priorizar liquidez e segurança, com aplicações que permitam resgate rápido, evitando o uso de crédito caro no pós-Carnaval.

  1. Organize o orçamento para o resto do ano

Depois da folia, colocar os gastos na planilha ajuda a evitar que a ressaca financeira se estenda pelos meses seguintes. Visualizar despesas fixas, variáveis e sazonais traz mais controle e facilita decisões ao longo do ano.

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná. Profissional com experiência de 50 anos na área de jornalismo, sendo 48 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social. Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Também é professora titular nos cursos de Jornalismo e Ciências Contábeis da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas paranaenses, de São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos. Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 16 anos de blog, mais de 35 mil matérias foram postadas. Ao longo de sua carreira recebeu 20 prêmios, com destaque para o VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005). Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

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