Com possível queda da Selic, imóvel volta ao radar como investimento em 2026

Especialista analisa impactos da próxima reunião do Copom nos juros imobiliários e explica se este é o momento certo para comprar imóvel
A próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), marcada para os dias 17 e 18 de março, já movimenta o mercado financeiro. Com a expectativa de uma possível redução da taxa Selic, investidores começam a reavaliar estratégias, e o mercado imobiliário volta a ganhar protagonismo nesse debate.
Após um período marcado por juros elevados, crédito mais restrito e adiamento de decisões de compra, a sinalização de um novo ciclo de queda da Selic faz muita gente voltar a se perguntar se vale a pena investir em imóveis em 2026. Seja para compra e venda, geração de renda com aluguel ou até para moradia, o tema ganha força justamente em um momento de transição do cenário econômico.
Para Ramiro Delgado, especialista em Investimentos Imobiliários, a expectativa por uma queda nos juros já está no radar do mercado há um tempo. “O mercado está aguardando esse movimento há meses, mas o novo cenário de guerra e instabilidade internacional pode ser utilizado como justificativa para a manutenção da taxa. Nesse contexto, eu apostaria 65% das minhas fichas em uma queda, mas existe uma probabilidade de 35% para a manutenção da Selic no patamar atual”, avalia.
Segundo o especialista, a relação entre Selic e mercado imobiliário é direta, mesmo não imediata. Uma eventual queda da taxa básica tende a melhorar gradualmente as condições de financiamento, tornando o crédito mais acessível.
“Como os financiamentos imobiliários são contratos de muito longo prazo, de 30 a 35 anos, os bancos costumam se antecipar. Alguns já começaram a reduzir suas tabelas de juros, justamente projetando esse novo cenário”, explica Delgado.
Hoje, com os juros ainda elevados, muitos brasileiros seguem postergando a compra do imóvel, seja para morar ou investir. No entanto, esse cenário pode favorecer quem se antecipa ao mercado. Além do impacto nos financiamentos, a expectativa de queda da Selic também muda o comportamento do investidor. Com a renda fixa ainda atrativa, mas com tendência de desaceleração nos retornos, cresce o interesse pela chamada economia real. “As pessoas passam a buscar ativos que gerem valor de forma mais concreta, e o imóvel entra como uma opção de proteção patrimonial, diversificação e potencial de valorização”, destaca.
Preços dos imóveis
Esse movimento tem efeito direto sobre a dinâmica de preços dos imóveis. Com juros mais baixos, mais pessoas conseguem aprovação de crédito, o que aumenta a demanda. “Quando cresce o número de compradores disputando uma quantidade limitada de imóveis, os preços tendem a subir. É uma lógica simples de oferta e demanda”, afirma Ramiro.
Nas principais capitais do país, como São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte e Porto Alegre, Ramiro observa que os preços dos imóveis estão represados há alguns anos, justamente por conta do ciclo prolongado de juros altos. “A tendência é que, assim que a Selic comece a cair de forma mais clara, esse represamento seja liberado e os valores passem a subir”, diz.
A queda da Selic também pode beneficiar quem comprou um imóvel financiado em um período de juros mais altos. Desde 2012, a Lei nº 12.703 autoriza a portabilidade de financiamento imobiliário, com taxas menores no mercado. “Existe a possibilidade de renegociar o financiamento com o próprio banco ou transferir a dívida para outra instituição em busca de condições mais vantajosas. Na prática, isso significa a chance de ajustar o contrato, pagar menos juros e aliviar o peso das parcelas ao longo do tempo”, conclui Ramiro.








