Metade dos brasileiros já pagou juros por atraso de pagamentos

Metade dos brasileiros já pagou juros por atraso de pagamentos

Pesquisa  revela que 53% dos brasileiros já deixaram de contratar um serviço para evitar lidar com pagamentos recorrentes

O cenário macroeconômico no Brasil revela um grande desafio: embora a renda tenha crescido e o desemprego tenha recuado, a gestão das contas pessoais ainda é marcada pela desorganização financeira. Para ilustrar, de acordo com o Brasil no Limite: o raio-x dos pagamentos em 2026, realizado pela Toku, fintech especializada em automatizar o processo de arrecadação recorrente, em parceria com o PiniOn, metade dos brasileiros já pagou juros ou multas por atraso em pagamentos nos últimos 12 meses.

Isso porque, na prática, apesar de 45,9% afirmarem que as condições financeiras particulares melhoraram, o levantamento aponta que apenas 25,6% nutrem expectativas positivas para a economia nacional. Aumentando a pressão sobre as famílias, uma fatia considerável dos brasileiros – 6 em cada 10 – possui mais de 50% do orçamento comprometido com despesas fixas. O estresse mensal decorre principalmente pela falta de dinheiro (34,2%), mas fatores como o caráter manual e burocrático dos pagamentos interferem, entre eles, esquecer a data de vencimento (16,6%) e a necessidade de emitir boletos mensalmente (10,7%).

Como explica Raphael Emerick, Country Manager da Toku no Brasil, “Quando o orçamento está apertado, qualquer falha aumenta a sensação de risco. O fato de metade dos entrevistados já ter pago multas indica que bilhões de reais são perdidos anualmente por fricção e desorganização. Esse desgaste tornou-se parte da rotina das famílias, tornando a cobrança um ponto crítico e complexo na relação entre empresas e clientes”, explica

Para Talita Castro, CEO do PiniOn, o cenário também revela que o problema vai além da falta de dinheiro e está diretamente ligado ao contexto emocional e estrutural das famílias brasileiras. “Ao observarmos esses dados sob a ótica comportamental, percebemos que, mesmo com uma percepção de melhora nas condições financeiras individuais, o estresse e a sobrecarga continuam impactando a organização do orçamento. A gestão financeira exige atenção constante, e em um ambiente de múltiplas pressões, pequenas falhas acabam gerando custos adicionais. Esse levantamento sinaliza uma vulnerabilidade importante na rotina dos brasileiros e reforça a necessidade de mecanismos que tragam mais previsibilidade e simplificação ao consumidor”, analisa.

Digitalização sem sistematização

Os dados concluem que a população prefere organizar suas obrigações financeiras por aplicativo do banco ou mentalmente, sendo o uso de planilhas e outros métodos algo pouco usual. Nesse contexto, o Pix Manual representa a principal forma de quitação de contas mensais, usado por 51,7% das pessoas, mas a automação por Pix Automático ainda é vista com desconfiança: somente 11,8% o utilizam. Isso ocorre porque, embora 81% conheçam o recurso, 44,8% preferem controlar manualmente os gastos

Esse comportamento da população também é reflexo da falta de incentivo das instituições para que os grupos adotem o modelo eletrônico. Para ilustrar, apesar de 74,9% acreditarem que o futuro das transações será híbrido ou automático, 15% ainda mantêm o uso de boletos e 7,2% o débito automático tradicional como modalidades principais

Nesse cenário, apesar da necessidade de controle, fruto da sensação de insegurança econômica, a automação já é vista como caminho para atenuar o desgaste: 46,4% associam pagamentos automáticos à prevenção de atraso e 21% à redução de estresse. A migração, entretanto, depende de confiança: 81% adotariam o Pix Automático se houvesse total transparência e facilidade de cancelamento.

O impacto no mercado e na economia

Diante desse contexto, a automação precisa vir acompanhada de comunicação clara e visibilidade. A ausência desses fatores gera prejuízos diretos aos clientes: 52% dos brasileiros deixaram de contratar serviços para evitar cobranças recorrentes, enquanto 48,6% já cancelaram assinaturas por complicações na quitação. Além disso, 39,6% chegaram até mesmo a pagar por uma fatura sem nunca utilizar o produto.

A vulnerabilidade operacional fica ainda mais nítida no setor de financiamentos. Enquanto 80% das pessoas automatizariam as parcelas se a solução fosse percebida como segura, 51% já atrasaram pagamentos – mesmo com as dívidas sendo prioritárias. O motivo, muitas vezes, não é a falta de dinheiro, mas falhas sistêmicas: 32% dos atrasos em financiamentos são causados por esquecimento ou desorganização.

O especialista entende que os dados mostram que existe espaço para reduzir a inadimplência sem aumentar a rigidez da cobrança, apenas aprimorando a infraestrutura. “Se empresas que lidam com milhares de transações diárias não possuírem sistemas previsíveis e escaláveis, continuaremos alimentando um gargalo que pesa no bolso do consumidor, com juros que poderiam ser evitados. A questão é que as instituições devem criar mecanismos para apoiar o planejamento individual do cliente. É essencial assumir a responsabilidade de estruturar essa jornada para que todos possam se beneficiar”, finaliza Raphael.

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná.Profissional com experiência de 50 anos na área de jornalismo, sendo 48 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social.Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Também é professora titular nos cursos de Jornalismo e Ciências Contábeis da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas paranaenses, de São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos.Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 16 anos de blog, mais de 35 mil matérias foram postadas.Ao longo de sua carreira recebeu 20 prêmios, com destaque para o VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005).Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

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