Créditos da Reforma Tributária podem definir quem paga menos imposto no Brasil

Créditos da Reforma Tributária podem definir quem paga menos imposto no Brasil

Contabilista alerta que a incapacidade de rastrear créditos fiscais pode reduzir margens de lucro e elevar preços para empresas que não se adequarem ao novo modelo

Com a fase de testes da Reforma Tributária em 2026, a incapacidade de rastrear créditos fiscais poderá encarecer as operações no Brasil. O atraso de empresas em se adaptar ao novo modelo acende um alerta para riscos com impacto direto no caixa durante a atual transição para a Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS) e o Imposto sobre Bens e Serviços (IBS).

A lógica do sistema em implementação exige não cumulatividade plena, onde o crédito passa a ter natureza financeira e não mais apenas fiscal. Ou seja, as empresas descontam o imposto efetivamente pago na compra de insumos ao longo da cadeia produtiva. Em decorrência disso, quem opera com fornecedores irregulares ou falham no registro de notas fiscais perdem o direito ao repasse.

“Duas companhias do mesmo setor e com faturamento idêntico recolherão volumes diferentes de tributos a partir do seu nível de compliance fiscal. Por isso, a contabilidade virou o núcleo da precificação. Quem não rastrear os créditos da cadeia de fornecimento vai absorver o imposto na margem de lucro e encarecer a mercadoria para o consumidor”, afirma Fábio Edelberg, CEO da Navecon, que realiza gestão contábil e planejamento tributário de mais de 1.300 CNPJs da indústria e comércio.

Um levantamento recente da plataforma Gestão Click apontou que apenas 8,5% das empresas iniciaram adaptações operacionais para o novo modelo.

“Muitas companhias ainda não perceberam que a nova lógica pode alterar diretamente o custo das operações. A lentidão corporativa na revisão de contratos e na adequação de sistemas de faturamento se converte em perda financeira imediata para o setor produtivo.” alerta o especialista da Navecon.

Entenda o novo modelo tributário e os créditos fiscais

A transição de 2026 ao novo modelo tributário exige o recolhimento de uma alíquota teste de 1%, dividida em 0,9% de CBS e 0,1% de IBS.

A partir de 2027, empresas poderão descontar parte dos tributos pagos em compras de insumos, serviços e mercadorias. “Uma indústria que compra matéria-prima de fornecedores regularizados e registra corretamente todas as operações fiscais pode descontar esses tributos na etapa seguinte da cadeia. Já uma empresa que mantém parte das compras fora do sistema ou opera com fornecedores irregulares tende a perder esses créditos e, na prática, pagar mais imposto sobre a mesma operação” exemplifica o executivo da Navecon.

O objetivo do modelo é reduzir o chamado efeito cascata, quando impostos são cobrados repetidamente ao longo da cadeia econômica. O acesso a esses créditos, porém, dependerá da organização fiscal das empresas e da regularidade das operações registradas. A transição para o novo sistema é até 2033. Para Edelberg, esse é um momento decisivo para a revisão de processos fiscais e organização das informações contábeis.

“A reforma muda a lógica do sistema. Empresas que se organizarem antes da implementação terão mais previsibilidade para operar e tomar decisões estratégicas”, conclui.

Crédito da foto: Freepik

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná.Profissional com experiência de 50 anos na área de jornalismo, sendo 48 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social.Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Também é professora titular nos cursos de Jornalismo e Ciências Contábeis da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas paranaenses, de São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos.Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 16 anos de blog, mais de 35 mil matérias foram postadas.Ao longo de sua carreira recebeu 20 prêmios, com destaque para o VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005).Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

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