Produção industrial avança 0,9% e cresce em 11 dos 15 locais pesquisados em fevereiro

Produção industrial avança 0,9% e cresce em 11 dos 15 locais pesquisados em fevereiro

Maiores crescimentos da indústria vieram do Espírito Santo e Rio Grande do Sul

Na passagem de janeiro para fevereiro, a produção industrial brasileira cresceu 0,9%, na série livre de influências sazonais, com 11 dos 15 locais pesquisados pela Pesquisa Industrial Mensal (PIM) Regional apresentando resultados positivos.

Os maiores avanços foram registrados no Espírito Santo (11,6%) e Rio Grande do Sul (6,7%), com ambos interrompendo dois meses consecutivos de queda na produção, período em que acumularam perdas de 11,3% e 6,8%, respectivamente.

Por outro lado, Mato Grosso (-0,9%) e Goiás (-0,8%) apresentaram os recuos mais elevados neste mês, com o primeiro local intensificando a perda observada no mês anterior (-0,8%); e o segundo marcando o quarto mês seguido com queda na produção, período em que acumulou redução de 12,4%. No Paraná, a  produção industrial caiu 0,1%.

O analista da pesquisa Bernardo Almeida destaca que com o crescimento em fevereiro, a produção industrial acumula um ganho de 3% nos dois últimos meses. O indicador elimina, portanto, a perda de 2,3% acumulada no período de setembro a dezembro de 2025.

“Esse movimento pelo segundo mês seguido pode ser explicado pela necessidade de algum tipo de recomposição de estoques após o período de queda no final do ano passado que diminuiu os níveis dessa variável”, disse Almeida.

O analista ressalta que fatores macroeconômicos seguem influenciando o desempenho da indústria.

“Temos uma política monetária contracionista com taxas de juros em patamares elevados, estreitando e encarecendo as linhas de crédito, reduzindo investimentos e arrefecendo, assim, a produção industrial”, ressalta.

Na comparação com fevereiro de 2025, a indústria recuou 0,7%, com nove dos 18 locais pesquisados registrando queda na produção.

O indicador acumulado nos últimos doze meses avançou 0,3% em fevereiro, ainda positivo, mas assinalando perda de ritmo frente aos resultados dos meses anteriores. No índice acumulado para janeiro-fevereiro de 2026, frente a igual período do ano anterior, o setor industrial registrou perda de 0,2%, com resultados negativos em nove dos 18 locais pesquisados.

Espírito Santo e Rio Grande do Sul são destaques

A indústria capixaba foi o grande destaque do mês em termos absolutos e segundo lugar em influência para o total da indústria, mostrando alta após dois meses de resultados negativos. O resultado de fevereiro foi o mais intenso desde maio de 2025 (17,5%). Neste mês, indústrias extrativas foi a atividade que mais influenciou o resultado positivo do estado.

Rio Grande do Sul (6,7%) foi o segundo lugar em termos absolutos e o primeiro em termos de influência no mês. Com o resultado, a indústria gaúcha interrompe dois meses consecutivos de quedas, registrando a taxa mais elevada desde junho de 2024 (35,6%), quando a indústria local retomou as atividades após as enchentes que paralisaram a produção no estado. Nesse mês, entre os setores que auxiliaram a recuperação estão bebidas e veículos automotores.

“A indústria capixaba eliminou a perda de 11,3%, acumulada em dezembro de 2025 e janeiro de 2026, enquanto a indústria gaúcha eliminou quase totalmente a sua perda de 6,8%, acumulada no mesmo período. Ambos os movimentos nos permitem fazer uma leitura compensatória às perdas anteriores”, explica Almeida.

Bahia (3,2%), Pará (2,7%), Ceará (2,5%), Amazonas (1,7%), Santa Catarina (1,0%) e Região Nordeste (1,0%) também registraram avanços mais intensos do que a média nacional (0,9%), enquanto Pernambuco (0,6%), São Paulo (0,5%) e Rio de Janeiro (0,2%) completaram o conjunto de locais com taxas positivas em fevereiro de 2026.

Pelo lado das quedas, Mato Grosso (-0,9%) e Goiás (-0,8) registram os recuos mais elevados em fevereiro, com o primeiro local intensificando a perda observada no mês anterior (-0,8%); e o segundo marcando o quarto mês consecutivo de queda na produção, período em que acumulou redução de 12,4%.

Minas Gerais (-0,3%) e Paraná (-0,1%) também mostraram resultados negativos em fevereiro de 2026.

Indústria cede 0,7% na comparação com fevereiro de 2025

Na comparação com o mesmo mês do ano anterior, o setor industrial apresentou perda de 0,7% em fevereiro de 2026, com nove dos 18 locais pesquisados registrando queda na produção. Vale ressaltar que fevereiro de 2026 (18 dias) teve 2 dias úteis a menos que igual período do mês anterior (20).

Rio Grande do Norte (-24,5%) apresentou o recuo mais acentuado neste mês (-24,5%), seguido pelo Ceará (-9,8%) e Paraná (-7,7%). A indústria potiguar foi pressionada, em grande parte, pelas atividades de coque, produtos derivados do petróleo e biocombustíveis (óleo diesel), produtos alimentícios (castanha de caju descascada ou triturada, balas, farinha de trigo, sal de cozinha iodado, condimentos e temperos compostos, açúcar cristal e café torrado e moído) e indústrias extrativas (sal marinho associado à extração).

Amazonas (-7,2%), Goiás (-6,1%), Santa Catarina (-5,9%), Bahia (-4,1%), São Paulo (-3,6%) e Maranhão (-1,6%) completaram o conjunto de locais com redução na produção neste tipo de comparação. Minas Gerais, ao marcar variação nula (0,0%) neste mês, repetiu o patamar de produção verificado em fevereiro de 2025.

Por outro lado, Espírito Santo (31,3%) e Pernambuco (25,0%) registraram os avanços mais elevados de fevereiro. O analista da pesquisa destaca que as expansões bem expressivas dos estados podem ser explicadas pelas baixas bases de comparação observadas no mesmo período do ano anterior.

“Na indústria capixaba, o setor extrativo impulsiona esse crescimento com aumento na produção de minérios de ferro, óleos brutos de petróleo e gás natural. Já na indústria pernambucana, o setor de derivados do petróleo destaca-se com crescimento expressivo de 18630,3%, uma vez que, no mesmo período do ano anterior, algumas plantas industriais encontravam-se paralisadas nesse setor e, por isso, a expressividade da variação”, explica Almeida.

Mato Grosso do Sul (8,3%), Rio de Janeiro (5,8%), Mato Grosso (2,9%), Região Nordeste (1,6%), Rio Grande do Sul (0,7%) e Pará (0,4%) registraram os demais resultados positivos nessa base de comparação.

Crédito da foto: Freepik

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná.Profissional com experiência de 50 anos na área de jornalismo, sendo 48 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social.Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Também é professora titular nos cursos de Jornalismo e Ciências Contábeis da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas paranaenses, de São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos.Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 16 anos de blog, mais de 35 mil matérias foram postadas.Ao longo de sua carreira recebeu 20 prêmios, com destaque para o VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005).Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

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