Indústria de materiais de construção inicia 2º semestre com sinais de resiliência

Indústria de materiais de construção inicia 2º semestre com sinais de resiliência

Utilização da capacidade instalada segue em 75%

A indústria de materiais de construção inicia o segundo semestre com sinais de resiliência no mercado doméstico, estabilidade operacional e postura seletiva nos investimentos. Segundo o Termômetro ABRAMAT, 45% das empresas sinalizaram aumento no volume de vendas no segundo trimestre no mercado interno, enquanto 32% projetam estabilidade e 23% estimam queda.

A expectativa para o mercado doméstico é acompanhada pela manutenção do ritmo de atividade da indústria. O levantamento também mostra que a utilização média da capacidade instalada permaneceu em 75%, mesmo patamar registrado em maio e acima dos 74% observados em junho de 2025. O indicador reforça uma leitura de atividade industrial sustentada, ainda que em um ambiente econômico marcado por incertezas e decisões empresariais mais cautelosas.

A percepção sobre o momento atual do mercado interno também apresentou melhora em junho. A parcela de empresas que classificou o desempenho como ruim caiu para 18%, ante 23% em maio. Ainda assim, a predominância das avaliações regulares, com 45% das respostas, indica um setor em trajetória de estabilidade, sem sinais de aceleração intensa da demanda. Para julho, 64% das empresas projetam um mercado estável, enquanto 32% esperam desempenho positivo.

Na avaliação da ABRAMAT, esse conjunto de indicadores mostra que o mercado doméstico continua sendo o principal fator de sustentação da atividade da indústria neste momento.

“O mercado doméstico continua sendo o principal fator de sustentação da atividade da indústria de materiais de construção. O fato de quase metade das empresas sinalizar aumento das vendas no segundo trimestre demonstra resiliência da performance na demanda doméstica. Ao mesmo tempo, a predominância das avaliações regulares para Julho mostra que essa recuperação gradual que tivemos ao longo do 1º semestre, pode entrar agora em um momento de estabilidade, ainda exigindo atenção ao ambiente econômico”, afirma Mauro Franco, presidente executivo da ABRAMAT.

Os dados de investimento também apontam uma indústria que mantém planos de médio prazo, mas com maior seletividade. Em junho, 59% das empresas afirmaram que pretendem realizar investimentos nos próximos 12 meses. O percentual representa queda de dois pontos percentuais em relação a maio, mas permanece acima dos 52% registrados no mesmo período de 2025.

Entre as empresas que planejam investir, 32% priorizam a modernização dos meios de produção e 27% pretendem ampliar a capacidade instalada. O resultado indica um movimento voltado tanto ao ganho de eficiência quanto à preparação para uma retomada mais consistente da atividade no futuro.

Segundo Mauro Franco, a manutenção dos planos de investimento mostra que a indústria segue olhando além das oscilações de curto prazo.

“Mesmo com uma acomodação em relação ao mês anterior, o fato de seis em cada dez empresas manterem planos de investimento mostra que a indústria continua apostando em competitividade, inovação e produtividade. É um sinal de confiança na capacidade de crescimento do setor no médio e longo prazo.”

No mercado internacional, o cenário segue mais cauteloso. Apenas 22% das empresas esperam aumento das vendas no trimestre atual, enquanto 56% projetam estabilidade e outros 22% preveem queda. A leitura indica que, diferentemente do mercado doméstico, o ambiente externo ainda não apresenta tração suficiente para ampliar de forma mais clara as expectativas positivas da indústria.

O Termômetro ABRAMAT também revela baixo nível de confiança em relação às ações do governo para o desenvolvimento do setor. Apenas 5% das empresas se declaram otimistas, enquanto 73% se dizem indiferentes e 23% pessimistas.

Para Mauro Franco, o conjunto dos indicadores mostra uma indústria com capacidade de reação, mas ainda dependente de um ambiente econômico mais favorável para acelerar o crescimento.

“A recuperação não ocorre de forma homogênea. O mercado externo segue mais pressionado e o baixo nível de confiança em relação ao ambiente de negócios reforça a importância de medidas que ampliem a previsibilidade para quem produz e investe. Quanto maior a segurança para planejar, maior será a capacidade da indústria de transformar essa resiliência em um ciclo consistente de crescimento.”

O Termômetro ABRAMAT é uma pesquisa mensal realizada com empresas associadas para acompanhar a percepção da indústria de materiais de construção sobre o desempenho do setor e suas expectativas para o curto e médio prazo.

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná.Profissional com experiência de 50 anos na área de jornalismo, sendo 48 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social.Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Também é professora titular nos cursos de Jornalismo e Ciências Contábeis da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas paranaenses, de São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos.Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 16 anos de blog, mais de 35 mil matérias foram postadas.Ao longo de sua carreira recebeu 20 prêmios, com destaque para o VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005).Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

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