Estudo mostra que shopping centers podem elevar receita em até 25% ao corrigir falhas na experiência do cliente
Pesquisa aponta que gargalos na jornada, especialmente no pós-compra, impactam conversão, fidelização e valor dos ativos
Em meio à transformação do varejo, um estudo inédito sobre a experiência do consumidor em shopping centers no Brasil traz um diagnóstico claro: o setor não perde clientes na atração, mas na execução da jornada. A pesquisa indica que falhas operacionais, sobretudo no pós-compra, impactam diretamente receita, recorrência e desempenho dos lojistas.
Segundo o levantamento, etapas como troca de produtos, atendimento, navegação e processos burocráticos concentram os maiores níveis de fricção. “O varejo físico ainda opera com lógica fragmentada, enquanto o consumidor já é omnichannel. Ele não separa mais o online do offline, e o shopping que continuar operando apenas como um conjunto de lojas tende a perder relevância no médio prazo”, afirma Tarcisio Ferreira, responsável pelo estudo que originou o livro Phygital Experience: a evolução digital dos shoppings físicos.
O estudo mostra que a experiência do cliente deixou de ser um diferencial e passou a operar como variável econômica. Empreendimentos com jornada estruturada apresentam aumento de fluxo qualificado, crescimento de ticket médio, maior tempo de permanência e elevação da frequência de visita. Em mercados mais maduros, esse conjunto pode gerar entre 15% e 25% mais receita por visitante.
Por outro lado, experiências negativas impactam diretamente a conversão, a retenção de clientes, a performance dos lojistas e os níveis de ocupação. “Experiência ruim reduz conversão, aumenta churn e pressiona o resultado do ativo. Esse efeito já é mensurável”, afirma o autor.
Diferenças regionais
A pesquisa também aponta diferenças regionais relevantes. Enquanto São Paulo e Rio de Janeiro apresentam maior maturidade operacional, os shoppings do Nordeste se destacam pelo vínculo emocional com o consumidor e pelo maior tempo médio de permanência.
O setor passa por uma mudança estrutural que exige revisão do modelo de gestão. Embora a compra ainda seja a principal motivação, os dados indicam uma transição para centros de experiência. Lazer, alimentação e convivência ganham protagonismo, ampliando o tempo médio de permanência para até três horas. Esse movimento impacta diretamente o valor do ativo, já que empreendimentos com maior recorrência e melhor desempenho de vendas tendem a atrair marcas premium e alcançar maior valuation.
Gestão orientada por dados é o diferencial
O estudo identifica um descompasso entre investimento em tecnologia e percepção do consumidor. Cerca de 70% dos usuários utilizam ferramentas digitais de forma ocasional, evidenciando um gap entre disponibilidade e adoção.
Para Tarcisio, o avanço do setor passa por cinco frentes prioritárias: redução de fricções operacionais, integração de dados, personalização da jornada, gestão baseada em indicadores de experiência e uso estruturado de tecnologia e inteligência artificial. “Shoppings com gestão orientada por dados e visão de jornada apresentam melhor desempenho, independentemente da praça”, afirma.
Os resultados integram o livro Phygital Experience: a evolução digital dos shoppings físicos, com lançamento previsto para o final de abril. A obra é assinada por Tarcisio Ferreira, mestre pela FGV e especialista em transformação digital do varejo físico, com mais de 15 anos de experiência em estratégia, tecnologia e experiência do cliente.


