Copa 2026 deve acelerar migração da verba publicitária para o digital
Maior edição da história acelera migração do investimento para CTV, streaming e plataformas digitais, com decisões cada vez mais automatizadas
A Copa 2026 deve ser a maior da história em receita, com estimativa de mais de US$10,9 bilhões, cerca de 56% acima da edição do Catar, em 2022, segundo levantamento da Sports Value com base em dados da FIFA. O torneio também será o mais extenso, com mais seleções e jogos, ampliando o tempo de exposição das marcas e, ao mesmo tempo, fragmentando ainda mais a audiência.
“Essa Copa marca a virada de chave na forma como a mídia é planejada e operada. As marcas vão ter que trabalhar com muito mais dados e tecnologia do que com planejamento tradicional. A importância em saber impactar a audiência certa na hora que está mais propensa a receber aquela mensagem nunca foi tão importante quanto nos dias de hoje. Por isso, dados e tecnologia hoje são vitais para o sucesso de uma campanha”, afirma Eduardo Abreu (foto), vice-presidente de Vendas e Marketing do hub de mídia Adsplay.
A mudança na distribuição da verba já aparece nos números do mercado. Dados do CENP-Meios mostram que a internet respondeu por 39,8% dos investimentos publicitários no Brasil em 2024, à frente da TV aberta, com 36,5%. A tendência é de ampliação dessa diferença, impulsionada por formatos conectados e compra automatizada de mídia. Hoje, a maior parte da compra digital já ocorre via programática, modelo que concentra a negociação de inventário em plataformas automatizadas e permite ajustes contínuos ao longo da campanha.
Fundada em 2017, a Adsplay atua como hub de mídia e projeta crescimento de 18% no volume operado em 2026, acompanhando a migração dos anunciantes para modelos orientados por dados. O portfólio da empresa reúne mais de 250 clientes e atende setores como serviços financeiros, educação, saúde, hospitalidade, varejo e indústria, entre outros.
A expansão de CTV e plataformas de streaming com publicidade reforça esse movimento. Esses ambientes passam a capturar uma parcela crescente da verba antes concentrada na TV linear, apoiados em segmentação de audiência e dados de consumo. Com mais jogos distribuídos ao longo do torneio, a audiência tende a se pulverizar ainda mais. Para as marcas, a presença pontual perde eficiência. A disputa passa a ser por frequência e capacidade de ajuste ao longo da campanha.
Segundo Abreu, a alocação de investimento já é, em grande parte, determinada por sistemas que processam sinais em tempo real e redistribuem verba conforme a resposta do público. A inteligência artificial sustenta esse modelo ao cruzar dados de navegação, consumo e localização para prever comportamento e ajustar a entrega de mídia continuamente.
Grande parte da mídia digital já é operada dessa forma. Sistemas automatizados testam combinações, identificam padrões e direcionam investimento para onde há maior probabilidade de resultado. “Hoje, a mídia já é operada por modelos que processam múltiplos sinais em tempo real, como comportamento, contexto e histórico de consumo, para decidir onde cada impressão tem mais valor. Não é mais sobre planejar antes, é sobre ajustar continuamente. Quem não tiver essa capacidade de otimização em escala simplesmente perde eficiência”, diz pontua.


