Alta do petróleo pode encarecer produtos e impactar o fluxo de caixa de PMEs

Alta do petróleo pode encarecer produtos e impactar o fluxo de caixa de PMEs

Com pressão sobre combustíveis e logística, pequenas e médias empresas tendem a sentir primeiro os efeitos no custo operacional e na gestão do capital de giro

A recente alta no preço do petróleo no mercado internacional acendeu um alerta para empresas brasileiras, especialmente as pequenas e médias, que possuem menor margem para absorver oscilações de custo. Como o combustível está diretamente ligado à cadeia logística e à produção de diversos insumos, o aumento tende a se refletir rapidamente no preço final de produtos e serviços.

Nos últimos meses, o barril do petróleo tipo Brent voltou a operar em patamares elevados, pressionado por tensões geopolíticas e ajustes na oferta global. Esse movimento tem impacto direto no Brasil, que, apesar de ser produtor relevante de petróleo, ainda depende da importação de derivados refinados, o que torna os preços internos sensíveis às variações internacionais.

Segundo dados da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis, os combustíveis representam uma parcela significativa dos custos logísticos no país, especialmente no transporte rodoviário, responsável por grande parte da distribuição de mercadorias. Com isso, aumentos no diesel e na gasolina tendem a gerar efeito cascata em toda a economia.

Para pequenas e médias empresas, o impacto costuma ser ainda mais imediato. De acordo com levantamento do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas, custos operacionais e fluxo de caixa estão entre os principais desafios enfrentados por PMEs, especialmente em cenários de instabilidade econômica.

Segundo Felipe Franchi, CEO e fundador da Franchi, fintech especializada em soluções financeiras para empresas, o efeito da alta do petróleo vai além do aumento direto nos combustíveis.

“Quando o custo do combustível sobe, ele pressiona toda a cadeia. O frete fica mais caro, os fornecedores reajustam preços e, muitas vezes, o pequeno empresário não consegue repassar esse aumento imediatamente ao consumidor. Isso gera um descasamento no fluxo de caixa e exige ainda mais organização financeira”, afirma Frnachi.

Além da logística, setores que dependem de insumos derivados do petróleo, como embalagens plásticas, produtos químicos e parte da indústria de alimentos, também podem sofrer reajustes, ampliando o impacto sobre as empresas.

Outro ponto de atenção é o reflexo indireto na inflação. De acordo com o Banco Central do Brasil, pressões inflacionárias tendem a influenciar a política de juros, o que pode manter o crédito mais caro por mais tempo. Para empresas que dependem de capital de giro ou financiamento, isso representa um desafio adicional.

Para Franchi, a principal recomendação é antecipar cenários e reforçar o controle financeiro. “Em momentos de aumento de custo, a empresa precisa olhar com mais atenção para o fluxo de caixa, renegociar prazos com fornecedores e, se possível, ajustar sua estratégia de preços de forma gradual. Quem se antecipa sofre menos impacto”, explica.

Diante de um cenário global ainda instável, a tendência é que oscilações no preço do petróleo continuem influenciando a economia nos próximos meses. Para as PMEs, a capacidade de adaptação e planejamento financeiro será determinante para atravessar períodos de maior pressão sobre custos sem comprometer a operação.

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná. Profissional com experiência de 50 anos na área de jornalismo, sendo 48 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social. Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Também é professora titular nos cursos de Jornalismo e Ciências Contábeis da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas paranaenses, de São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos. Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 16 anos de blog, mais de 35 mil matérias foram postadas. Ao longo de sua carreira recebeu 20 prêmios, com destaque para o VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005). Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

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