Para 71% dos PJs Corporativos, trabalho como pessoa jurídica foi escolha própria ou fruto de negociação

Maior autonomia na carreira, remuneração mais alta e flexibilidade estão entre principais motivações
A Company Hero, plataforma especializada na gestão e proteção de profissionais Pessoa Jurídica (PJ), acaba de lançar um estudo que traça o perfil e apresenta as expectativas e os desafios dos profissionais PJ que atuam em um ambiente corporativo. O levantamento, conduzido em parceria com a Opinion Box, revela que a contratação como pessoa jurídica tem sido cada vez mais resultado de escolhas conscientes e negociações estratégicas entre pessoas e empresas.
De acordo com a pesquisa, 71% dos entrevistados tiveram papel decisivo na opção pelo modelo PJ, indicando uma relação mais madura entre as partes. Para 27% dos PJs, o modelo de contratação escolhido partiu de uma oferta do próprio profissional, enquanto 44% declararam que o modelo foi fruto de uma negociação mútua com o contratante.
Entre as principais motivações para atuar como PJ, 26% apontam maior autonomia sobre a própria carreira, 23% destacam a possibilidade de uma remuneração mais elevada e 13% citam maior flexibilidade de horários. O estudo reforça que, no mundo corporativo, a contratação via CNPJ tem sido percebida como uma alternativa alinhada a objetivos profissionais de médio e longo prazo.
“A contratação PJ no ambiente corporativo não pode mais ser analisada apenas sob a ótica da precarização. O que vemos é um contingente relevante de profissionais sêniores fazendo escolhas conscientes para buscar o melhor retorno”, afirma Miklos Grof, CEO da Company Hero
O perfil mapeado evidencia que a contratação PJ tem sido amplamente utilizada justamente em posições estratégicas. Entre os entrevistados, 59% ocupam cargos de coordenação, gerência ou alta liderança, e 34% estão em posições de diretoria ou C-level.
Benefícios como fator de equilíbrio e mitigação de riscos
O levantamento também revela um descompasso relevante entre as expectativas dos profissionais e as práticas adotadas pelas empresas, especialmente em relação a benefícios. O ponto mais crítico envolve planos de saúde, benefício desejado por 79% dos profissionais e eleito como prioridade número um para 48% deles. A adoção, no entanto, é mínima: apenas 6% dos PJs recebem esse tipo de apoio.
Quando questionados sobre o pacote de auxílios ideal, vales-refeição e alimentação foram pontuados por 66% dos entrevistados, seguidos por bônus por performance (64%), pagamento de férias (63%), seguro de vida (62%) e contribuição para previdência (60%).
Para a ampla maioria dos entrevistados (87%), a oferta de remuneração adequada e de benefícios diversos reduz — e não aumenta — o risco de processos trabalhistas. A pesquisa, no entanto, aponta que dois terços dos profissionais PJ (66%) não possuem qualquer benefício além da remuneração mensal por seus serviços.
Para os PJs entrevistados, a avaliação é de que relações mais equilibradas, claras e bem compensadas tendem a gerar menos conflitos do que tentativas de mascarar a rotina de trabalho.
“O mercado está evoluindo e entendendo que estender benefícios também aos profissionais PJ pode ser parte de uma estratégia importante para atração e retenção de talentos que, no fundo, querem reconhecimento e conveniência. A empresa que ignora isso não está economizando, está apenas perdendo os melhores profissionais para a concorrência”, reforça Grof.
O estudo da Company Hero mapeia ainda três modelos de concessão de benefícios adotados pelo mercado — direto, saldo livre e híbrido —, analisando vantagens, riscos e motivações de cada abordagem para empresas que contratam profissionais PJ.
Relação PJ & Contratante
Outro tema sensível para as empresas é a fronteira entre o que pode ou não ser adotado em relação ao regime de trabalho, e quais práticas se enquadram como características do modelo CLT, refletindo habitualidade, onerosidade, pessoalidade e subordinação.
Em relação à flexibilidade almejada por parte dos profissionais, 31% dos entrevistados afirmaram ter total liberdade sobre suas rotinas – 33% afirmam que a empresa estabelece horários fixos e diretrizes específicas, enquanto 36% declaram ter certa maleabilidade, apesar de lidarem com algum nível de coordenação ou metas definidas sobre o seu trabalho.
A performance destes profissionais PJ também é avaliada com frequência: de acordo com o levantamento, três em cada quatro profissionais recebem avaliações de desempenho, sejam elas formais e periódicas (25%) ou informais, e com feedbacks pontuais (50%).
Embora a terceirização, inclusive de atividades-fim, seja permitida desde 2017, o modelo segue gerando disputas judiciais e aguarda uma definição do Supremo Tribunal Federal (STF), que deve se manifestar sobre os limites da chamada pejotização em 2026.








