Intenção de Consumo das Famílias é a maior em 11 anos

Intenção de Consumo das Famílias é a maior em 11 anos

Queda da inflação sobre bens duráveis ao longo dos 12 meses eleva em 1,6% a ICF em maio de 2026

A expressiva disparada de 18,5% na disposição das famílias brasileiras para comprar bens duráveis em comparação ao mesmo período do ano passado impulsionou a intenção de consumo em maio de 2026. Essa inclinação por eletrodomésticos e eletrônicos, somada à percepção de estabilidade no mercado de trabalho, cujo indicador de emprego atual subiu 2% no mês e atingiu 128,2 pontos, o nível mais alto registrado nos últimos 12 meses, fez a Intenção de Consumo das Famílias (ICF) avançar 1,6% na comparação mensal.

Apurada pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), a pesquisa registrou a sétima alta mensal consecutiva, levando o índice geral a atingir 106,6 pontos. Assim, a ICF chega ao patamar mais elevado desde março de 2015, quando alcançou 108%, tendo uma expansão de 3,3% no confronto com maio de 2025.

A forte tração no momento para a compra de duráveis é justificada tecnicamente por um nítido alívio inflacionário nessa categoria de produtos. Enquanto o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) geral subiu 0,67% em abril, os bens duráveis registraram incremento de apenas 0,45%. No acumulado de 12 meses, esse descompasso fica ainda mais evidente, apontando uma inflação de 0,68% para o segmento de duráveis diante de 4,39% do indicador oficial do País.

Para o presidente do Sistema CNC-Sesc-Senac, José Roberto Tadros, o avanço expressivo no momento para a compra de bens duráveis reflete um alívio inflacionário muito específico e localizado desse segmento, mas o comércio ainda caminha em trajetória de incertezas.

“Não podemos ignorar que a taxa Selic permanece em patamar excessivamente elevado, atuando como freio na economia ao encarecer o crédito e limitar o poder de consumo imediato das famílias. Esse nível restritivo de juros drena a capacidade de venda das empresas e sufoca a retomada do crescimento”, afirma Tadros.

Trabalhadores seguros

Essa folga de preços abriu espaço no orçamento e se somou à tranquilidade no emprego atual, indicador em que 42,3% dos entrevistados relatam um momento mais seguro para o trabalho, o maior percentual desde janeiro, amparado pela expansão na massa de rendimentos. O cenário favorável na margem ajudou a reverter o histórico de três resultados negativos na avaliação dos consumidores sobre o emprego atual na comparação anual, que fechou em alta de 1,2%.

Em contrapartida, as famílias demonstram cautela com o futuro de médio prazo, o que fez o subíndice de perspectiva profissional amargar uma retração anual de 5,9%, refletindo os ligeiros incrementos na taxa de desocupação nos últimos três meses, embora o componente tenha avançado 1,1% em relação a abril.

Juros altos dificultam o cotidiano

Apesar do ambiente de otimismo, o custo do dinheiro ainda atua como um freio para as decisões de consumo mais imediatas. O nível de consumo atual, embora tenha crescido 1,4% no mês e 3,4% na comparação anual, fechou em 93,8 pontos, permanecendo como o único componente posicionado na zona de pessimismo, abaixo da linha de corte de 100 pontos.

As taxas de juros elevadas continuam restringindo as compras do dia a dia, mesmo diante de fatores positivos como a resiliência do mercado de trabalho, o início do ciclo de redução da taxa Selic e o impacto sazonal positivo das vendas para o Dia das Mães. Por outro lado, as expectativas e as condições de financiamento seguem em patamar favorável, com o acesso ao crédito registrando alta anual de 7,9% e mensal de 1,0%, enquanto a renda atual expandiu 3,1% no ano e 1,8% no mês.

Complementando a rodada de índices positivos, a perspectiva de consumo futuro intensificou seu ritmo ao crescer 1,7% em relação a abril e 2,8% na comparação anual, mantendo sua trajetória de alta pelo quarto mês consecutivo no confronto interanual.

Menor renda, maior intenção

A análise detalhada por faixas de renda revela que o fôlego do comércio no longo prazo vem sendo sustentado primordialmente pela base da pirâmide financeira. Na comparação anual, o desempenho foi liderado com folga pelas famílias com renda de até 10 salários mínimos, cuja intenção de consumo avançou 3,9%, impulsionada por uma alta de 1,6% no emprego atual e por expressivo otimismo de 4,1% nas perspectivas de compras futuras. Esse grupo se beneficia diretamente da dinâmica de preços medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), que abrange famílias de menor renda e registrou alta acumulada de 4,11% em 12 meses até abril, rodando abaixo do IPCA geral e ampliando a capacidade de gasto desse estrato.

Já as famílias com renda superior a 10 salários-mínimos exibiram crescimento anual modesto de 1,4% na intenção de consumo, demonstrando menor sensibilidade às melhorias estruturais do mercado de trabalho, visto que seu indicador de emprego atual recuou 0,1% no ano. Apesar disso, o segmento de renda mais alta reagiu fortemente em maio ao reverter as perdas sofridas no mês anterior, impulsionado pelas altas mensais no consumo atual de 1,6% e nas perspectivas de consumo de 2,0%, embora suas expectativas futuras de compras ainda apresentem queda de 1,8% em relação a maio do ano passado.

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná.Profissional com experiência de 50 anos na área de jornalismo, sendo 48 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social.Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Também é professora titular nos cursos de Jornalismo e Ciências Contábeis da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas paranaenses, de São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos.Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 16 anos de blog, mais de 35 mil matérias foram postadas.Ao longo de sua carreira recebeu 20 prêmios, com destaque para o VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005).Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *