Nova lei da NR1 entra em vigor nesta terça-feira

Nova lei da NR1 entra em vigor nesta terça-feira

Entre multas e o crescimento de processos por burnout, nova NR1 transforma a gestão de riscos na maior aliada do caixa das empresas

A segurança e a saúde no trabalho frequentemente são vistas apenas sob a ótica do cumprimento de obrigações legais e da prevenção de multas. No entanto, a Norma Regulamentadora nº 1 (NR1), que estabelece as diretrizes gerais para o Gerenciamento de Riscos Ocupacionais (GRO) e a implementação do Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR), esconde um poderoso potencial de rentabilidade. Quando aplicada de maneira estratégica e correta, a NR1 deixa de ser um centro de custo para se tornar um dos maiores vetores de economia empresarial.

Mais do que uma exigência burocrática, a modernização da norma transferiu o foco do setor de segurança de uma postura reativa para uma visão puramente preditiva. Em um mercado altamente competitivo, onde cada centavo poupado reflete diretamente na margem de lucro e no EBITDA (Lucros Antes de Juros, Impostos, Depreciação e Amortização). O redesenho de processos exigido pela NR-1 funciona como uma consultoria interna gratuita, mapeando os obstáculos operacionais e eliminando ineficiências que antes ficavam camufladas na rotina das organizações.

Paralelamente, a obrigatoriedade dessa conformidade legal  ganha contornos críticos com a nova redação, que passou a ter vigência no dia 26 de maio de 2026. Com a possibilidade iminente de punições severas, a norma é categórica ao determinar que a responsabilidade por todos os treinamentos de segurança e saúde do trabalho é integralmente do empregador. . Assim, a governança em SST deixa de ser um tema de nicho e assume o papel de pilar central de sustentabilidade das empresas.

Os números do Ministério do Trabalho e Emprego e da Previdência Social mostram que o custo da reatividade é infinitamente superior ao da prevenção. Acidentes e doenças ocupacionais custam às empresas e aos cofres públicos bilhões de reais anualmente. Para o empresariado, esse impacto é direto no pagamento de adicionais de insalubridade e periculosidade, custos com substituição de mão de obra e o aumento da alíquota do Fator Acidentário Previdenciário (FAP), que pode duplicar a contribuição do Seguro Contra Acidentes de Trabalho (SAT).

Onde está a economia real?

Para compreender a viabilidade financeira dessa engrenagem, é preciso entender que cada linha de risco eliminada do PGR representa uma torneira de gastos fechada no balanço anual da companhia. A economia real não se dá por cortes orçamentários irresponsáveis, mas sim pela blindagem contra despesas crônicas, multas imediatas e entraves operacionais invisíveis que corroem o faturamento. O verdadeiro retorno financeiro surge  quando a empresa estrutura suas capacitações  de forma estratégica e humanizada.

A estrutura geral de diretrizes prevista na NR-1 dita as regras e parâmetros que servem de base para todas as capacitações das normas setoriais, especiais e gerais.  A regra define três modalidades essenciais de treinamento: o Inicial (realizado antes de o colaborador iniciar suas funções), o Periódico (de acordo com os cronogramas regulares) e o Eventual. Este último funciona como uma barreira de proteção indispensável, sendo obrigatoriamente aplicado em situações críticas, tais como mudanças nos processos produtivos, após a ocorrência de acidentes graves ou diante do retorno de trabalhadores com afastamentos superiores a 180 dias.

Negligenciar esse ponto custa muito caro e os tribunais comprovam essa realidade. Em 2024, o TRT-RS registrou 5.381 processos referentes a doenças ocupacionais (um crescimento de 35%) e 5.642 ações por acidentes de trabalho (alta de 14%). No primeiro trimestre de 2025, a crise se agravou de forma alarmante, com uma alta de  34,8% em doenças ocupacionais em comparação ao mesmo período do ano anterior.

Para tentar conter esse problema financeiro e jurídico, a norma exige que cada certificado de treinamento contenha a validação de um profissional técnico legalmente habilitado e proficiente em SST  Ao estruturar essas ações e manter a documentação em dia, os gestores conseguem converter obrigações técnicas em retornos, cuja rentabilidade se materializa, prioritariamente, em quatro pilares fundamentais:

  • Redução do FAP/RAT: Empresas que investem no PGR  e zeram ou reduzem drasticamente seus índices de acidentalidade conseguem uma bonificação no FAP, reduzindo a alíquota pela metade (multiplicador de 0,5). Em grandes operações, isso representa uma economia de milhares de reais ao ano na folha de pagamento.

  • Mitigação de Passivos Trabalhistas: A identificação precoce de riscos e a adoção de medidas de proteção coletiva eliminam as condições que geram processos judiciais e o pagamento de indenizações milionárias por danos morais, assédio ou danos estéticos.

  • Blindagem contra Multas: Fiscalizações com foco na NR1 aplicam penalidades pesadas por descumprimento de normas de segurança. Estar em conformidade técnica elimina esse risco fiscal imediatamente.

  • Otimização do Capital Humano: Menos acidentes significam menos afastamentos. Consequentemente, a empresa economiza ao não precisar arcar com os primeiros 15 dias de salário do trabalhador afastado, além de evitar custos com horas extras para cobrir as barreiras na produção ou contratações temporárias de emergência.

O combate invisível: Absenteísmo e Presenteísmo

A engrenagem financeira da NR-1 também se estende à saúde mental e organizacional. Riscos psicossociais, como o assédio moral, a sobrecarga de tarefas, jornadas excessivas e o estresse crônico, hoje figuram entre as maiores causas de afastamento do trabalho. Em 2025, mais de meio milhão de pessoas precisaram se afastar do trabalho no Brasil por motivos de saúde mental, muitos deles decorrentes exatamente desses riscos psicossociais. Isso reforça que o cuidado com a saúde mental  precisa estar presente em cada etapa do treinamento para gestores, entendendo que o papel da liderança vai muito além de assinar um certificado técnico. É preciso de ação em campo.

As empresas ao falharem no monitoramento do clima e dos riscos intangíveis, abrem margem para o crescimento de duas métricas altamente prejudiciais ao fluxo de caixa. O entendimento profundo sobre absenteísmo e presenteísmo e seus impactos no RH revela que o custo do funcionário que opera sem plenas condições físicas ou mentais (presenteísmo) pode ser até três vezes maior do que os custos de dias perdidos por ausência total (absenteísmo). A lentidão para concluir tarefas rotineiras, os erros frequentes e o isolamento dos profissionais são sintomas claros de que a psique cedeu à pressão, gerando quedas brutais de performance antes mesmo da emissão de um atestado médico.

Não se resolve absenteísmo e presenteísmo apenas com controles mais rígidos, advertências ou palestras motivacionais. A única forma de cessar essa perda financeira é antecipando o problema antes que o colaborador adoeça ou erre. A norma exige justamente que a organização mapeie a causa raiz desses problemas e tenha mecanismos efetivos para identificar, avaliar e controlar tais fatores. Além disso, também assegura aos trabalhadores o direito de recusa na prerrogativa de interromper tarefas que apresentem perigo grave e iminente, o que demanda das empresas canais de comunicação transparentes e uma proteção absoluta contra retaliações.

De acordo com a especialista da Contato Seguro, é exatamente aí que reside o papel do Canal de Acolhimento, ao oferecer um espaço estritamente confidencial focado na saúde mental e no bem-estar do colaborador. A solução atua diretamente na raiz dos indicadores de afastamento através de quatro pilares práticos:

  • Antecipação da crise: Em vez de esperar o atestado médico chegar ao RH, o colaborador que está sofrendo com ansiedade, esgotamento ou assédio acessa o canal e recebe suporte imediato.

  • Escuta por Psicólogos 24/7: O atendimento é humanizado e não automatizado por robôs. Psicólogos especialistas fazem a contenção da crise, validam a dor e orientam o profissional no exato momento da necessidade, inclusive de madrugada.

  • Garantia de anonimato: Ao assegurar um ambiente de confiança, o colaborador tem a liberdade de falar mais abertamente sobre as pressões corporativas sem receio de sofrer retaliações.

  • Inteligência de Dados para o RH: A plataforma gera relatórios consolidados e anonimizados. Com isso, o C-Level e o RH conseguem identificar em tempo real se um departamento específico está adoecendo, permitindo intervenções cirúrgicas na liderança e na gestão antes que a operação pare.

“A NR-1 mudou a perspectiva de segurança do trabalho no Brasil, exigindo uma postura proativa e integrada das lideranças. Quando olhamos para os números, fica evidente que prevenir não é apenas um dever legal, mas uma estratégia de sustentabilidade financeira. Na implementação de um Canal de Acolhimento, as empresas ganham um termômetro em tempo real dos riscos psicossociais e operacionais, gerando uma economia direta ao mitigar o absenteísmo, o presenteísmo e o turnover. O compliance que acolhe é o mesmo que protege o financeiro da empresa”, afirma Heloisa Moraes, Head de Gente e Gestão da Contato Seguro.

Ao final, a matemática é simples e exata: o investimento estruturado em mapeamento de riscos e treinamentos obrigatórios, aliado a ferramentas eficientes de escuta e acolhimento, custa apenas uma fração do valor despendido com indenizações, multas e perda de produtividade. Economizar com segurança não significa cortar orçamento, mas sim aplicar a norma com inteligência para estancar as perdas invisíveis do negócio e humanizar o  ambiente de trabalho para todos.

A gestão proativa de riscos transforma despesas com segurança em proteção lucro operacional, provando que a prevenção é o melhor investimento para as organizações.

Crédito da foto: Freepik

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná.Profissional com experiência de 50 anos na área de jornalismo, sendo 48 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social.Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Também é professora titular nos cursos de Jornalismo e Ciências Contábeis da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas paranaenses, de São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos.Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 16 anos de blog, mais de 35 mil matérias foram postadas.Ao longo de sua carreira recebeu 20 prêmios, com destaque para o VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005).Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

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