Pressa na compra pode quase dobrar o valor de um bem no Brasil

Pressa na compra pode quase dobrar o valor de um bem no Brasil

Diferença entre modalidades de crédito revela quanto o consumidor paga para antecipar conquistas, muitas vezes sem perceber

O valor de um imóvel ou de um carro não é, necessariamente, o que está na etiqueta. Para quem decide antecipar a compra, esse preço pode crescer de forma relevante ao longo do tempo.

Na prática, o consumidor brasileiro frequentemente paga não apenas pelo bem, mas pelo direito de tê-lo imediatamente. Esse adicional, pouco percebido no momento da decisão, pode representar uma diferença significativa ao longo dos anos e impactar diretamente a construção de patrimônio.

Segundo Gabriel Savian, diretor executivo da Embracon, na aquisição de bens de alto valor, como imóveis e veículos, o preço final pago pode variar de forma expressiva a depender da modalidade escolhida.

Ele explica que, em operações de crédito com juros e prazos extensos, o valor total pago tende a crescer ao longo do tempo, impulsionado pelas taxas e encargos envolvidos na contratação. Em modelos baseados em planejamento, por outro lado, o custo costuma permanecer mais próximo do valor original do bem, acrescido de taxas administrativas. Essa diferença, muitas vezes pouco visível no momento da decisão, reflete o impacto financeiro da antecipação.

“Quando o consumidor opta pelo financiamento, ele está, na prática, comprando tempo. O ponto é que esse tempo tem um preço alto, e nem sempre visível na decisão inicial”, afirma Savian.

O peso do custo total, não da parcela

Para o executivo, um dos principais fatores por trás dessa diferença é o foco excessivo na parcela mensal, em detrimento do custo total da operação.

Indicadores como o Custo Efetivo Total (CET) ajudam a reunir todos os encargos envolvidos (incluindo juros, impostos, seguros e tarifas) e mostram como pequenas variações nas taxas podem gerar impactos relevantes no valor final pago.

Em financiamentos de longo prazo, esse efeito é potencializado pelos juros compostos. “Ao longo dos anos, o consumidor pode pagar uma proporção significativamente maior do que o valor original do bem sem ter essa percepção clara no momento da contratação”, alerta o diretor.

O preço da urgência nas decisões de consumo

A antecipação, em muitos casos, não responde a uma necessidade imediata, mas a uma escolha influenciada por fatores emocionais e comportamentais.

Segundo Savian, a possibilidade de acesso imediato ao bem pode levar o consumidor a subestimar o impacto financeiro de longo prazo, priorizando o presente em detrimento do custo total da operação.

“Existe um componente comportamental importante nessa decisão. A urgência tem valor, mas raramente esse valor é calculado de forma consciente”, afirma Savian.

Planejamento como alternativa à pressa

Para Savian, isso não significa que o financiamento deva ser descartado. Ele segue sendo uma solução importante para situações em que o acesso imediato é essencial, como uma mudança de cidade, uma necessidade familiar ou uma oportunidade específica de negócio.

Por outro lado, quando há margem para planejamento, o consumidor pode adotar alguns critérios objetivos antes de decidir pela antecipação. O primeiro passo é olhar além da parcela mensal e avaliar quanto será pago ao final do contrato, considerando todos os encargos envolvidos na operação.

“Também é fundamental mensurar o valor da urgência, ou seja, entender quanto está sendo pago a mais para ter o bem agora e se esse custo faz sentido dentro do momento de vida”, afirma.

Outro ponto relevante é a preservação da liquidez ao longo do tempo. Comprometer uma parcela significativa da renda pode reduzir a capacidade de investir ou de lidar com imprevistos, afetando o equilíbrio financeiro nos anos seguintes. Nesse contexto, comparar cenários e entender os impactos de cada escolha contribui para decisões mais racionais e alinhadas ao planejamento financeiro.

“Quando o custo da antecipação passa a fazer parte da análise, o consumidor ganha clareza e melhora a qualidade da decisão. O mais importante não é escolher entre uma modalidade ou outra, mas entender o que está sendo pago para antecipar uma conquista”, conclui o executivo.

Crédito da foto: Freepik

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná.Profissional com experiência de 50 anos na área de jornalismo, sendo 48 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social.Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Também é professora titular nos cursos de Jornalismo e Ciências Contábeis da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas paranaenses, de São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos.Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 16 anos de blog, mais de 35 mil matérias foram postadas.Ao longo de sua carreira recebeu 20 prêmios, com destaque para o VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005).Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

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