Empresas avançam ao mercado de capitais sem preparo estrutural

Empresas avançam ao mercado de capitais sem preparo estrutural

Especialista aponta que governança, organização societária e qualidade das informações seguem entre os principais desafios para empresas que buscam captação e expansão

O interesse das empresas brasileiras pelo mercado de capitais tem avançado nos últimos anos como alternativa para diversificação de financiamento, expansão dos negócios e ampliação do acesso a investidores. Ainda assim, parte das organizações inicia esse movimento sem estrutura jurídica e organizacional compatível com o nível de exigência do mercado.

“A entrada no mercado de capitais exige um nível de maturidade que vai além do desempenho financeiro. Sem uma base jurídica sólida e uma estrutura organizacional bem definida, a empresa enfrenta dificuldades que podem comprometer desde a captação até a sua credibilidade perante investidores”, afirma o advogado Sandro Wainstein, especialista em advocacia empresarial.

Entre os principais obstáculos está a adoção insuficiente de práticas de governança corporativa. Processos decisórios pouco estruturados, indefinições sobre responsabilidades e ausência de mecanismos consistentes de prestação de contas tendem a gerar insegurança em operações que demandam previsibilidade e transparência.

A estrutura societária também costuma surgir como um dos principais pontos de atenção nesse processo. Estruturas desalinhadas, contratos incompletos e falta de clareza sobre direitos e deveres entre sócios costumam aumentar a complexidade de auditorias e podem impactar cronogramas de operações estratégicas. Em muitos casos, essas fragilidades aparecem apenas em etapas mais avançadas, como a due diligence. “A empresa despreparada perde valuation porque a janela de captação do mercado não espera a empresa ficar pronta”, reforça.

Também pesa na avaliação de investidores e instituições financeiras a qualidade das informações apresentadas ao mercado. Empresas sem processos internos consolidados para controle e divulgação de dados tendem a enfrentar maior escrutínio regulatório e negociações mais longas.

Segundo Wainstein, há um desalinhamento recorrente entre o desejo de acelerar o crescimento e o preparo estrutural necessário para acessar capital de forma eficiente.

“A busca por recursos precisa ser acompanhada por organização interna e previsibilidade. Quando isso não acontece, os custos aumentam, os processos se prolongam e o valor percebido do negócio pode ser afetado”, afirma.

Em um ambiente de investimentos cada vez mais seletivo, governança, estrutura jurídica e consistência operacional passam a ocupar papel central nas decisões de alocação de capital. Empresas que antecipam esse movimento tendem a acessar o mercado com mais eficiência e segurança.

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná.Profissional com experiência de 50 anos na área de jornalismo, sendo 48 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social.Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Também é professora titular nos cursos de Jornalismo e Ciências Contábeis da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas paranaenses, de São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos.Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 16 anos de blog, mais de 35 mil matérias foram postadas.Ao longo de sua carreira recebeu 20 prêmios, com destaque para o VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005).Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

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