Fiscalização digital aperta o cerco sobre créditos de ICMS e expõe falhas fiscais nas empresas

Fiscalização digital aperta o cerco sobre créditos de ICMS e expõe falhas fiscais nas empresas

Automação no cruzamento de dados tributários amplia risco de bloqueios, autuações e perdas financeiras para negócios com inconsistências documentais

A fiscalização tributária brasileira entrou em uma nova fase, mais automatizada, integrada e menos tolerante a inconsistências documentais, com o avanço do cruzamento eletrônico de informações e a ampliação do uso de inteligência artificial pela Receita Federal, empresas que utilizam créditos de ICMS passaram a enfrentar um ambiente de controle mais rigoroso, no qual falhas formais podem levar à suspensão imediata de créditos e à abertura de questionamentos fiscais.

Altair Heitor, contador, psicólogo, especialista em gestão tributária para o agronegócio e CFO da Palin & Martins, afirma que a mudança exige uma revisão mais criteriosa da governança fiscal das empresas. “A fiscalização hoje não depende mais apenas de análise humana ou auditorias pontuais. Os sistemas cruzam dados em tempo real, identificam inconsistências automaticamente e tornam o processo muito mais sensível a qualquer divergência documental”, afirma.

Em fevereiro deste ano, a Receita Federal publicou sua política institucional para uso de inteligência artificial, consolidando a adoção da tecnologia em processos internos e reforçando a digitalização da administração tributária. Em São Paulo, o controle sobre créditos acumulados de ICMS já opera por meio de sistemas eletrônicos específicos, como o e-CredAc, utilizado para apropriação e validação desses créditos junto à Secretaria da Fazenda.

Crédito tributário exige conformidade técnica

Segundo Altair Heitor, muitas empresas ainda tratam o crédito tributário como um ativo automático, sem considerar as exigências técnicas envolvidas em sua validação. “O direito ao crédito pode existir juridicamente, mas isso não elimina a necessidade de conformidade operacional. Um erro na classificação fiscal, inconsistência entre escrituração e documento fiscal ou falha no enquadramento tributário pode comprometer todo o aproveitamento desse recurso”, explica.

A pressão por maior controle ocorre em um momento em que empresas buscam alternativas para preservar caixa e reduzir dependência de capital externo, nesse contexto, créditos tributários ganham relevância estratégica, mas exigem disciplina técnica. “O problema é que muitas companhias só percebem a falha quando o crédito já foi bloqueado ou quando o processo entra em questionamento. Nesse ponto, o impacto não é apenas tributário. Ele atinge fluxo de caixa, previsibilidade financeira e capacidade de investimento”, diz o especialista.

Para o executivo, a resposta passa por auditoria preventiva, revisão periódica dos processos fiscais e integração mais robusta entre áreas contábil, fiscal e operacional. “Compliance tributário deixou de ser apenas obrigação acessória. Hoje, ele interfere diretamente na proteção financeira da empresa.”

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná.Profissional com experiência de 50 anos na área de jornalismo, sendo 48 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social.Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Também é professora titular nos cursos de Jornalismo e Ciências Contábeis da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas paranaenses, de São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos.Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 16 anos de blog, mais de 35 mil matérias foram postadas.Ao longo de sua carreira recebeu 20 prêmios, com destaque para o VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005).Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

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