Brasil abre empresas em um ritmo acelerado que esgota sistema de 28 anos

Brasil abre empresas em um ritmo acelerado que esgota sistema de 28 anos

Recorde histórico em 2025  e aceleração no 1º trimestre de 2026 forçam a Receita Federal a mudar o CNPJ

O Brasil abriu mais de 5 milhões de empresas em 2025, o maior volume da história, com alta de 19,4% sobre 2024. O ritmo acelerou no começo deste ano: no 1º trimestre de 2026, foram 1,6 milhão de novos CNPJs, crescimento de 13% em relação ao mesmo período do ano anterior. Os números são de análise da Contabilizei, maior escritório de contabilidade do país, com base em dados da Receita Federal. A consequência mais concreta desse boom entra em vigor em julho: o CNPJ, usado no formato numérico desde 1998, vai ganhar letras pela primeira vez na história.
Mais de 70 milhões de cadastros de pessoa jurídica de já foram emitidos, segundo declaração recente do coordenador operacional de cadastros e benefícios fiscais da Receita Federal, Rafael Neves Carvalho. Cada número usado não pode ser reaproveitado. O sistema chegou ao limite. A partir de julho, novos CNPJs passam a combinar letras e números, abrindo espaço para bilhões de combinações. A mudança para o formato alfanumérico, a maior no cadastro desde sua criação, também prepara o sistema para a Reforma Tributária.
“Este recorde não é um evento isolado, mas a consolidação de uma mudança estrutural no comportamento do brasileiro, que entende a importância da formalização das suas atividades econômicas realizadas como autônomos”, afirma o vice-presidente executivo de operações da Contabilizei, Guilherme Soares.

575 novos negócios por hora

Em 2025, os 5 milhões de novos CNPJs equivalem a 13.800 aberturas por dia, ou 575 por hora, incluindo fins de semana e feriados. Só as empresas abertas no ano passado lotariam mais de 63 estádios do Maracanã, um por semana do ano, de acordo com análise da Contabilizei.
No 1º trimestre de 2026, serviços e indústria cresceram 14% cada; comércio, 9%. MEIs 15%; empresas de outros portes, 7%. E há mais pressão vindo: a obrigatoriedade de emissão de nota fiscal por autônomos entrando em vigor em agosto em São Paulo e o fim do período de testes da Reforma Tributária ao final do ano movimentam uma nova onda de formalizações.
“A obrigatoriedade da nota fiscal para autônomos e o fim do período de testes da Reforma Tributária tendem a impulsionar a formalização, tornando o CNPJ alfanumérico não apenas necessário, mas urgente”, reforça o executivo.

Manaus cresce 31% e lidera capitais no 1º trimestre

No ranking estadual do 1T26, o Mato Grosso lidera o crescimento percentual (+19,3%), seguido por Pará, Espírito Santo, Santa Catarina e Rio de Janeiro. Entre as capitais, Manaus se destaca com alta de 31%. O número reflete o aquecimento da Zona Franca, cujo Polo Industrial fechou 2025 com faturamento recorde de R$ 227,67 bilhões e mais de 131 mil empregos diretos (Suframa), e a simplificação municipal que reduziu o tempo de abertura de empresa para 6 horas. Campo Grande, Fortaleza, Brasília e Salvador completam o top 5.

Empreender virou escolha, não fuga da crise

Nos últimos 10 anos, o Brasil abriu mais de 34 milhões de CNPJs, crescimento médio de 9,25% ao ano, mais que dobrando o volume desde 2016. Mesmo com a retração de 2022 (-5%), o ritmo se manteve. São em média 9.400 novas empresas por dia, todos os dias, o equivalente a mais de 430 Maracanãs lotados em uma década.
“A digitalização abriu mais possibilidades e mercados ao pequeno empreendedor. Advogados, engenheiros ou psicólogos, por exemplo, que antes dependiam de presença local para exercer a sua própria vocação, hoje prestam serviços para qualquer lugar do mundo. Uma década de crescimento significativo mostra que o brasileiro não abre empresa só quando não tem outra opção, mas porque a formalização virou vantagem competitiva real na profissão”, completa.
Em junho, a ONU celebrou o Dia Internacional das Micro, Pequenas e Médias Empresas (MPMEs). Em mensagem oficial, o secretário-geral António Guterres convocou governos e empresas a apoiarem os pequenos empreendedores na era digital. Para o dirigente, as MPMEs são “essenciais para o futuro de todos os países e representam o principal caminho para inserção profissional de jovens no trabalho”.

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná.Profissional com experiência de 50 anos na área de jornalismo, sendo 48 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social.Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Também é professora titular nos cursos de Jornalismo e Ciências Contábeis da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas paranaenses, de São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos.Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 16 anos de blog, mais de 35 mil matérias foram postadas.Ao longo de sua carreira recebeu 20 prêmios, com destaque para o VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005).Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

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