Indústria aposta em ciência e tecnologia para levar a fermentação natural a um dos produtos mais consumidos do País

Indústria aposta em ciência e tecnologia para levar a fermentação natural a um dos produtos mais consumidos do País

Consumidores valorizam alimentos mais naturais

Durante décadas, inovar na indústria de alimentos significou acelerar processos, aumentar produtividade e ampliar a vida útil dos produtos. Agora, uma mudança silenciosa vem redesenhando esse cenário. Em diferentes mercados, consumidores passaram a valorizar justamente o oposto: processos mais longos, menos aditivos, ingredientes reconhecíveis e alimentos que preservam características naturais.

É nesse contexto que os alimentos fermentados voltam ao centro das atenções. Depois do crescimento de categorias como iogurtes, kefir, kombuchas e vegetais fermentados, a tendência alcança um dos alimentos mais tradicionais da mesa dos brasileiros: o pão francês.

O movimento acompanha uma transformação no comportamento do consumidor. Mais informado e atento aos rótulos, ele passou a buscar alimentos produzidos com ingredientes simples, processos mais naturais e maior valor agregado. Conceitos como clean label, saudabilidade, autenticidade e experiência gastronômica deixaram de ser diferenciais para se tornar fatores decisivos de compra.

Essa mudança já influencia toda a cadeia da panificação. Fabricantes de ingredientes, indústrias, padarias, supermercados e operações de foodservice vêm investindo em soluções capazes de reproduzir, em escala industrial, características antes restritas à produção artesanal.

Segundo Darcy Holanda Mendes, diretor de Marketing e Vendas da IREKS do Brasil, a fermentação natural representa uma das maiores transformações da panificação nas últimas décadas.

“O consumidor mudou sua relação com o pão. Hoje, ele não procura apenas um produto fresco, mas também quer entender como ele foi produzido, quais ingredientes foram utilizados e quais benefícios aquele processo pode oferecer. Isso faz com que a fermentação natural deixe de ser apenas uma tendência gastronômica para se tornar uma estratégia de inovação para toda a indústria.”

Quando a ciência encontra uma tradição milenar

A fermentação natural é uma técnica utilizada há milhares de anos para produzir pães por meio da ação conjunta de leveduras e bactérias láticas presentes naturalmente na massa. Durante esse processo, os microrganismos promovem uma série de transformações que influenciam diretamente aroma, textura, sabor, conservação e estrutura do pão.

Do ponto de vista nutricional, a fermentação prolongada favorece a degradação parcial de proteínas do glúten e reduz compostos como os fitatos, aumentando a disponibilidade de minerais naturalmente presentes na farinha. Pesquisas também indicam que pães produzidos por fermentações mais longas podem apresentar menor resposta glicêmica e melhor digestibilidade quando comparados aos obtidos por processos convencionais de fermentação acelerada.

O grande desafio, porém, sempre foi tornar esse processo compatível com a realidade da produção moderna. Enquanto um levain tradicional pode exigir dias ou até semanas de cultivo e manutenção, padarias e indústrias trabalham com padrões rigorosos de produtividade, regularidade e segurança alimentar.

Foi justamente essa lacuna que impulsionou uma nova geração de tecnologias baseadas em microbiologia aplicada aos alimentos.

A fermentação natural entra na agenda da indústria

Ao mesmo tempo em que consumidores buscam alimentos mais naturais, fabricantes enfrentam outro desafio: agregar valor em um cenário marcado pelo aumento dos custos das matérias-primas, especialmente do trigo.

Em vez de competir exclusivamente por preço, cresce a aposta em produtos premium capazes de oferecer experiências sensoriais diferenciadas e justificar maior valor percebido.

Nesse cenário, a fermentação natural tornou-se uma importante ferramenta de inovação.

Com mais de duas décadas de atuação no Brasil, a IREKS desenvolveu soluções que permitem incorporar os benefícios da fermentação natural à produção em escala, preservando características típicas dos processos artesanais, como aroma, sabor, textura e crocância, sem comprometer a produtividade.

A principal novidade da empresa para a FIPAN 2026 simboliza essa transformação: uma solução tecnológica que possibilita produzir pão francês utilizando fermentação natural de forma padronizada, segura e escalável.

Tradicionalmente associado à fermentação rápida, o pão francês passa a incorporar um processo inspirado na tradicional massa madre europeia, aproximando um dos alimentos mais consumidos pelos brasileiros de uma tendência global de alimentação mais natural.

“Nosso objetivo não é substituir a tradição, mas permitir que ela chegue a muito mais consumidores. A tecnologia torna possível reproduzir, com segurança e regularidade, características que antes dependiam exclusivamente do trabalho artesanal”, afirma Darcy Holanda Mendes.

Muito além de um lançamento

Para a IREKS, a novidade representa mais do que um novo ingrediente.Ela reflete uma transformação estrutural da indústria de alimentos, que passa a investir em processos capazes de unir ciência, tradição e inovação para responder às novas expectativas dos consumidores. Mais do que acelerar a produção, a indústria começa a redescobrir o valor do tempo. E talvez esse seja o principal ingrediente da próxima geração de alimentos.

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná.Profissional com experiência de 50 anos na área de jornalismo, sendo 48 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social.Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Também é professora titular nos cursos de Jornalismo e Ciências Contábeis da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas paranaenses, de São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos.Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 16 anos de blog, mais de 35 mil matérias foram postadas.Ao longo de sua carreira recebeu 20 prêmios, com destaque para o VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005).Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

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