Eliminação precoce da Seleção deve custar até R$ 4 bilhões à economia brasileira

Levantamento estima que queda nas oitavas interrompeu movimentação econômica em bares, restaurantes, supermercados, delivery e comércio, além de reduzir oportunidades de emprego temporário
Desde o último sábado (11), quando os torcedores esperavam que seria a Seleção Brasileira a enfrentar a Inglaterra nas quartas de final da Copa do Mundo, e não a Noruega, a economia do país passou a experimentar uma perda potencial de R$ 4 bilhões.
Segundo levantamento da Consult Inteligência Tributária, a participação brasileira até as oitavas de final movimentou aproximadamente R$ 7,4 bilhões em consumo e serviços. Caso a equipe tivesse avançado, esse volume poderia alcançar R$ 8,3 bilhões nas quartas de final, R$ 9,5 bilhões na semifinal, R$ 10,6 bilhões na decisão e R$ 11,4 bilhões caso o Brasil colocasse a sexta estrela na camiseta amarela.
O estudo quantificou, fase a fase, quanto deixaria de circular na economia nacional caso o Brasil interrompesse sua campanha antes do esperado, como de fato aconteceu.
Na prática, isso significa que a eliminação diante da Noruega faz a economia deixar de movimentar cerca de R$ 900 milhões nas quartas de final, R$ 2,1 bilhões caso o Brasil chegasse à semifinal, R$ 3,2 bilhões se disputasse a final e até R$ 4 bilhões em um cenário de conquista do hexacampeonato.
“O desempenho da Seleção influencia diretamente o comportamento de consumo dos brasileiros. Cada fase adicional da Copa representaria novos dias de forte movimentação para pequenos negócios, especialmente bares, restaurantes, supermercados, delivery e comércio de conveniência”, afirma Ronaldo Madeira, sócio da Consult Inteligência Tributária.
O estudo mostra que a perda econômica não está associada apenas ao cancelamento de três partidas decisivas, mas também ao desaparecimento dos maiores picos de consumo do mais importante torneio de futebol do planeta. A estimativa da Consult é a partida de quartas de final disputada sábado teria movimentado cerca de R$ 520 milhões; uma semifinal aproximadamente R$ 680 milhões e uma final cerca de R$ 850 milhões em apenas um dia.
Consumo disparou nos dias de jogo
O levantamento reúne dados de diversas entidades e identifica um padrão consistente de crescimento do consumo sempre que a Seleção entrou em campo. Entre os principais indicadores observados estão:
- faturamento de bares até 91% superior ao de dias comuns;
- aumento de 63% nas vendas de bebidas por delivery;
- crescimento de 11,4% nas vendas de supermercados;
- alta de 24,4% no gasto médio dos consumidores na véspera dos jogos;
- crescimento de 18% nas vendas de cerveja e de 73,8% nas vendas de pão de alho;
- expansão de 44,9% nas vendas de churrasqueiras e acessórios.
Segundo a Consult, esses resultados ajudam a explicar por que a Copa se tornou um dos principais eventos de estímulo ao consumo de curto prazo no país.
Pequenos negócios concentram maior impacto
O estudo aponta que hiper e supermercados concentram cerca de 70% do faturamento adicional gerado pelo Mundial, com previsão superior a R$ 3,9 bilhões em receitas extras. Bares, restaurantes, serviços de delivery e pequenos comércios também aparecem entre os maiores beneficiados.
Além disso, a pesquisa destaca que boa parte dos R$ 2,42 bilhões projetados pela Confederação Nacional do Comércio (CNC) para bares e restaurantes pressupunha uma campanha mais longa da Seleção, tornando inevitável uma revisão dessas expectativas após a eliminação.
Efeito também chega ao mercado de trabalho
Os reflexos da Copa também aparecem na geração de empregos. O estudo estima que o torneio tenha impulsionado entre 150 mil e 200 mil contratações temporárias no primeiro semestre de 2026.
Com base em séries históricas da Asserttem e do Dieese, a Consult calcula ainda que entre 20 mil e 35 mil dessas vagas poderiam se transformar em empregos permanentes. A eliminação precoce, porém, reduziu esse potencial ao encurtar o período de maior demanda por mão de obra em bares, restaurantes, logística, comércio e eventos.
Metodologia
Para estimar os impactos econômicos de cada fase da Copa, a Consult Inteligência Tributária desenvolveu um modelo que combina dados de entidades como CNC, Abrasel, APAS, iFood, Scanntech, Banco Central, Ipea, Dieese e Asserttem. A metodologia considera apenas a movimentação econômica adicional gerada pelo avanço da Seleção, evitando superestimar o impacto ao descontar gastos que ocorreriam independentemente do torneio.








