Dar lance em imóvel de leilão sem crédito aprovado pode gerar multa e prejuízo

Dar lance em imóvel de leilão sem crédito aprovado pode gerar multa e prejuízo

Análise financeira deve vir antes da arrematação

A busca por imóveis de leilão cresceu junto com o interesse dos brasileiros por formas de comprar mais barato ou investir no mercado imobiliário. Casas, apartamentos, terrenos e salas comerciais oferecidos por bancos, sobretudo pela Caixa, atraem pelos descontos e pelas diferentes modalidades de compra. No site oficial da Caixa, o comprador encontra a lista de imóveis, o calendário de leilões e as cartilhas de orientação para arrematantes.
O que parece oportunidade, porém, pode virar prejuízo quando o comprador olha apenas para o valor do lance e deixa a análise de crédito para depois. Segundo Thaisline Silva, especialista em crédito para imóveis de leilão, esse é um dos erros mais graves de quem entra no mercado sem orientação. “Se você for arrematar um imóvel de forma financiada, precisa aprovar o crédito antes. Jamais aprove o crédito depois de arrematar”, afirma.
A recomendação tem consequência prática. Em algumas modalidades, a desistência ou o descumprimento das regras após a proposta gera multa. Nas condições da Venda Online de Imóveis Caixa, por exemplo, está prevista a retenção de 5% do valor da proposta em casos como desistência ou não cumprimento das condições estabelecidas.

O crédito é etapa anterior ao lance

O erro, segundo a especialista, está em tratar o financiamento como consequência automática da arrematação. Na prática, o banco avalia renda, documentação, restrições, comprometimento financeiro e adequação do processo às regras da operação. “Não é o gerente da Caixa que define se o crédito vai ser liberado. Se a documentação não está correta, o sistema não libera”, explica.
Ela afirma que muitos compradores têm nome limpo, bom score e renda compatível, mas ainda assim podem ter o crédito negado por falta de comprovação adequada ou por erro na organização dos documentos. “Nome limpo e renda compatível ajudam, mas não garantem aprovação. O que aprova crédito é um conjunto de critérios”, diz.
A etapa é ainda mais importante no leilão porque prazos, documentos e regras podem diferir de uma compra tradicional.

Quando o desconto vira armadilha

O leilão costuma atrair pela diferença entre o valor de avaliação e o preço de venda. Mas o desconto não pode ser o único critério. Entre os pontos a avaliar antes da proposta estão o edital, a matrícula do imóvel, a forma de pagamento aceita, eventuais débitos, custos de documentação, despesas com reforma, situação de ocupação e liquidez futura. “Muitos problemas poderiam ser evitados se o comprador analisasse edital, matrícula, débitos e crédito antes do lance. Não é uma compra para fazer no impulso”, afirma.
A empolgação com valores muito abaixo do mercado pode levar iniciantes a ignorar etapas básicas. “Imóvel barato não significa, automaticamente, bom negócio. Um imóvel pode estar barato e ainda assim não ser adequado para o perfil de comprador da região em que se encontra”, diz.

O que checar antes de arrematar

A primeira orientação é conferir se o imóvel permite financiamento, informação que consta no anúncio e no edital. Em seguida, quem não tem capital para pagar à vista deve fazer a análise de crédito antes de qualquer lance.
Também é preciso verificar se a renda está organizada de forma aceita pelo banco. Para autônomos, empresários e MEIs, a comprovação costuma exigir atenção maior. “Tem gente que tem renda, mas não consegue comprovar da forma que o banco aceita. Às vezes o problema não é falta de dinheiro, é falta de informação do que realmente é necessário para ter o crédito aprovado”, explica.
O comprometimento da renda é outro fator. Financiamentos, empréstimos e parcelas já em curso reduzem a capacidade de crédito, e a análise precisa considerar a vida financeira completa do arrematante.
Para Thaisline, a ordem segura é entender edital e matrícula, levantar custos e débitos, verificar a viabilidade financeira e só então dar o lance, com o crédito aprovado ou com recursos para pagamento à vista. “Essa ordem possibilita um negócio seguro e lucrativo”, conclui.

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná.Profissional com experiência de 50 anos na área de jornalismo, sendo 48 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social.Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Também é professora titular nos cursos de Jornalismo e Ciências Contábeis da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas paranaenses, de São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos.Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 16 anos de blog, mais de 35 mil matérias foram postadas.Ao longo de sua carreira recebeu 20 prêmios, com destaque para o VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005).Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

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