Farmácias devem inaugurar uma nova fase de crescimento dos supermercados

Farmácias devem inaugurar uma nova fase de crescimento dos supermercados

A autorização para instalar farmácias dentro das lojas abre espaço para que redes ampliem receita, aumentem a recorrência de clientes e rentabilizem melhor estruturas já existentes

A inauguração da primeira farmácia dentro de um supermercado pelo Assaí marca o início de uma mudança que tende a influenciar a estratégia de crescimento do varejo alimentar brasileiro. Após a sanção da Lei nº 15.357/2026, que passou a permitir a instalação de farmácias em supermercados mediante o cumprimento das exigências sanitárias, a rede anunciou um plano para levar o novo modelo a cerca de 250 unidades. O movimento chama atenção porque ocorre em um setor que faturou R$ 1,067 trilhão em 2024, o equivalente a 9,12% do Produto Interno Bruto (PIB), segundo o Ranking Abras 2025.

Para Márcio Goulart, especialista em gestão de supermercados, diretor da Meta Assessoria, empresa especializada em gestão contábil, fiscal com forte atuação no varejo supermercadista, a chegada das farmácias representa uma oportunidade de ampliar o faturamento sem depender exclusivamente da abertura de novas lojas. “O supermercado passa a participar de uma parcela maior das despesas da família. Em vez de disputar apenas a compra de alimentos, ele começa a atender outras necessidades recorrentes do consumidor, aumentando a frequência de visitas e o potencial de vendas ao longo do mês.”

A avaliação do especialista é que o principal ativo dessa estratégia não está apenas na comercialização de medicamentos, mas no aproveitamento de uma estrutura que já existe. Estacionamento, segurança, energia, equipe administrativa e fluxo diário de clientes deixam de atender somente uma operação e passam a sustentar novas fontes de receita.

“Quando o empresário consegue compartilhar a mesma estrutura entre diferentes operações, melhora a produtividade do espaço físico e dilui os custos fixos. Isso fortalece a rentabilidade da loja sem exigir investimentos equivalentes aos de uma nova unidade”, afirma Goulart.

Mudanças do consumidor

A possibilidade de instalar farmácias também acompanha uma transformação no comportamento do consumidor. Cada vez mais, clientes procuram resolver diferentes demandas em um único local, priorizando conveniência e economia de tempo. Para os supermercados, esse hábito cria oportunidades de ampliar o relacionamento com quem já frequenta a loja, em vez de concentrar esforços apenas na conquista de novos consumidores.

Na avaliação de Goulart, esse movimento deve estimular outras redes a revisarem seus modelos de negócio. “A discussão deixa de ser apenas vender mais produtos. O foco passa a ser como aumentar o valor gerado por cada cliente que entra na loja. É uma mudança importante de estratégia porque aproveita um fluxo que o supermercado já possui.”

O especialista ressalta, no entanto, que a oportunidade exige planejamento antes da implantação. Aspectos como demanda regional, legislação sanitária, gestão tributária, controle de estoque e viabilidade financeira precisam ser analisados individualmente para que a operação gere resultado. “Nem toda loja terá o mesmo potencial. A decisão deve ser baseada em dados e indicadores de desempenho, e não apenas porque um grande grupo adotou esse formato.”

Mais do que uma nova categoria de produtos, a chegada das farmácias sinaliza uma mudança na forma como os supermercados enxergam o próprio negócio. Em vez de crescer apenas pela expansão física, o setor passa a buscar alternativas para aumentar a rentabilidade de cada unidade, aproveitando melhor a estrutura instalada e ampliando sua participação no orçamento das famílias.

Crédito da imagem: reprodução internet

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná.Profissional com experiência de 50 anos na área de jornalismo, sendo 48 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social.Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Também é professora titular nos cursos de Jornalismo e Ciências Contábeis da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas paranaenses, de São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos.Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 16 anos de blog, mais de 35 mil matérias foram postadas.Ao longo de sua carreira recebeu 20 prêmios, com destaque para o VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005).Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

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