Dia do Advogado: IA impulsiona nova geração de profissionais que empreendem no setor jurídico

Dia do Advogado: IA impulsiona nova geração de profissionais que empreendem no setor jurídico

Especialista mostra como a vivência em escritórios e departamentos jurídicos ajuda a construir negócios de tecnologia que automatizam processos e modernizam um dos setores mais complexos da economia

Se antes a tecnologia era vista no Direito como ferramenta de apoio, agora os advogados estão usando o conhecimento adquirido no escritório para criar empresas de tecnologia capazes de atender centenas de outros profissionais e departamentos jurídicos. O movimento acontece em um mercado no qual a inteligência artificial já deixou a fase de experimentação: 92% dos profissionais jurídicos ouvidos pelo levantamento Future Ready Lawyer 2026, da Wolters Kluwer, afirmam utilizar ao menos uma ferramenta de IA em sua rotina de trabalho. Entre eles, 62% relatam economia de 6% a 20% do tempo semanal com o uso da tecnologia.

Para Priscila Spadinger, CEO da Aleve LegalTech Ventures, esse cenário abre espaço para uma nova geração de advogados empreendedores. “O advogado conhece, como poucos, as dores do sistema jurídico. Quando ele enxerga que um problema recorrente pode ser resolvido por meio de uma única solução para todos os casos, o advogado cria um negócio altamente escalável”, afirma a gestora especializada em venture building de legaltechs (startups do campo jurídico).

Inovar exige mais do que dominar tecnologia

Para Priscila, a expansão das legaltechs também evidencia uma mudança nas competências exigidas dos profissionais do Direito. Se o conhecimento jurídico é o ponto de partida para identificar problemas que podem se transformar em negócios, desenvolver repertório sobre inovação passa a ser parte importante dessa jornada. “Não é preciso que o advogado se transforme em programador. Mas ele precisa aprender a identificar uma dor, entender se existe uma oportunidade por trás dela, avaliar soluções e saber como transformar esse conhecimento em algo aplicável e escalável“, afirma.

Essa necessidade de formação acompanha um momento em que o próprio setor jurídico busca acelerar sua maturidade tecnológica. A própria Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) vem ampliando sua agenda dedicada aos impactos da inteligência artificial sobre a profissão. Em 2026, o Conselho Federal da organização lançou o Plano Nacional de Integração da Inteligência Artificial na Advocacia, com ações voltadas à capacitação, modernização dos serviços e inclusão tecnológica. A entidade também iniciou, em parceria com a Universidade de Stanford, uma pesquisa nacional para compreender como os advogados brasileiros estão utilizando IA e quais desafios encontram nesse processo.

O movimento reforça uma mudança de estágio no debate: a questão já não é apenas adotar novas ferramentas, mas preparar os profissionais para utilizá-las. É nesse contexto que a Aleve LegalTech Ventures e a Neo Ventures realizam, a partir de 19 de agosto, a primeira edição do Aleve LegalTech Summit, uma trilha dedicada à aplicação prática da inovação no setor jurídico. A iniciativa conta com apoio oficial da OAB/MG e da Subseção de Osasco da OAB e terá como aula magna inaugural a participação da advogada Layla Abdo, presidente da Comissão Especial de Inteligência Artificial da OAB Federal.

Ao longo da jornada, os participantes passam da identificação de problemas jurídicos à construção de soluções, com conteúdos sobre inovação aberta, legaltechs, testes, validação e desenvolvimento de um roadmap aplicável à própria realidade profissional. A proposta inclui ainda um diagnóstico de maturidade em inovação para escritórios, departamentos jurídicos e áreas corporativas, como RH, compliance e financeiro.

Com conhecimento de causa, a Aleve LegalTech Ventures reúne em seu portfólio 13 legaltechs avaliadas em cerca de R$ 300 milhões. As soluções vão desde legal operations até adiantamento de aposentadoria. “Enquanto muitos têm medo de serem substituídos pela IA, eu insisto que o futuro da advocacia não está na substituição do profissional pela tecnologia, mas na capacidade dos próprios advogados de liderarem a inovação do setor”, ressalta a CEO da Aleve.

Onde estão as maiores oportunidades

Embora todas as áreas do Direito ofereçam oportunidades para inovação, algumas concentram desafios que favorecem o desenvolvimento de soluções escaláveis. Na avaliação de Priscila, alguns segmentos que devem se destacar são os Direitos Tributário, Trabalhista, Previdenciário, Ambiental e Imobiliário, porque sofrem mudanças constantes na legislação e envolvem mais repetição de tarefas, características que favorecem o uso de automação e IA. “Quanto mais burocrática é uma atividade, maior tende a ser o valor de uma tecnologia capaz de simplificá-la”, aponta.

O Direito Tributário aparece entre os exemplos mais evidentes. Em 2026, o Brasil entrou na fase de testes da Reforma Tributária do Consumo, com a introdução da CBS (Contribuição sobre Bens e Serviços) e do IBS (Imposto sobre Bens e Serviços) e novas exigências relacionadas à emissão de documentos fiscais e obrigações acessórias. A transição para o novo sistema seguirá gradualmente até 2033, criando uma longa janela de adaptação para empresas e profissionais.

No Direito do Trabalho, a escala da litigiosidade ajuda a dimensionar o desafio. A Justiça do Trabalho recebeu 5,2 milhões de processos em 2025, crescimento de 6,5% em relação ao ano anterior, segundo o relatório Justiça em Números 2026, do Conselho Nacional de Justiça (CNJ). Negociações coletivas, acompanhamento de convenções sindicais e outras rotinas de compliance trabalhista ampliam a necessidade de monitoramento constante e criam espaço para soluções capazes de automatizar controles, organizar grandes volumes de informação e antecipar riscos.

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná.Profissional com experiência de 50 anos na área de jornalismo, sendo 48 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social.Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Também é professora titular nos cursos de Jornalismo e Ciências Contábeis da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas paranaenses, de São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos.Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 16 anos de blog, mais de 35 mil matérias foram postadas.Ao longo de sua carreira recebeu 20 prêmios, com destaque para o VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005).Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

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