Quase metade das empresas brasileiras ainda não possui protocolo para investigar casos de assédio

Quase metade das empresas brasileiras ainda não possui protocolo para investigar casos de assédio

Tecnologia chega para quebrar o silêncio nas empresas

Apesar de o combate ao assédio ocupar cada vez mais espaço nas agendas corporativas, muitas empresas ainda não estão preparadas para lidar com o problema quando ele acontece.

Um dos principais indicativos desse cenário é que quase metade das organizações brasileiras (49%) não possui um protocolo específico para investigar casos de assédio moral ou sexual, enquanto 35% ainda não contam com uma política clara sobre quais medidas adotar quando a denúncia é comprovada, segundo dados da Pesquisa Nacional sobre a Maturidade no Combate ao Assédio no Brasil – Panorama 2026.

A fragilidade também aparece dentro das próprias áreas responsáveis por garantir a integridade das organizações. Segundo o levantamento, 42% dos profissionais que atuam no combate ao assédio afirmam sentir algum grau de insegurança no exercício de suas funções, um indicativo de que muitas empresas ainda falham em oferecer autonomia, respaldo institucional e proteção para quem conduz essas investigações.

Se as empresas ainda enfrentam dificuldades para investigar os casos, os trabalhadores também encontram obstáculos para denunciá-los. Segundo a KPMG, mais de 30% dos brasileiros afirmaram ter sofrido assédio no último ano. Mesmo assim, 38% permaneceram em silêncio, e 58% disseram não se sentir seguros para fazer a denúncia.

Embora o cenário ainda seja preocupante, especialistas observam uma mudança importante na forma como o mercado enfrenta o assédio. Se antes o maior desafio era encorajar as vítimas a denunciar, hoje o foco está na capacidade das empresas de conduzir investigações com agilidade, imparcialidade e transparência, além de transformar cada caso em uma oportunidade para prevenir novas ocorrências.

“As pessoas estão mais conscientes dos seus direitos e cada vez mais dispostas a denunciar condutas inadequadas. Isso amplia a responsabilidade do compliance, que precisa garantir investigações rápidas, imparciais e bem conduzidas, além de assegurar que as medidas adotadas sejam capazes de evitar a repetição do problema”, afirma Rafael Mendes, CRO da LEME Inteligência Forense, hub de soluções de inteligência corporativa.

Esse novo momento também aumenta a necessidade de ferramentas que deem mais suporte ao trabalho do compliance. Ao centralizar informações, monitorar riscos, acompanhar denúncias e organizar investigações em um único ambiente, essas tecnologias ajudam as empresas a responder com mais rapidez e consistência. “O objetivo é produzir inteligência capaz de revelar vulnerabilidades que dificilmente chegariam ao conhecimento da alta gestão pelos canais tradicionais e tratá-las com agilidade e de forma estruturada”, afirma o executivo.

Para Mendes, esse é um exemplo de como a tecnologia pode mudar a forma como as empresas enxergam seus próprios riscos: “Imagine um gestor que, há anos, humilha sistematicamente sua equipe. Sem um canal seguro, os episódios permanecem isolados e nunca chegam à alta gestão, que conclui que aquele ambiente funciona bem. Quando a empresa implanta um canal independente, online e anônimo, diferentes relatos começam a revelar um padrão de comportamento que antes estava invisível. A empresa, por sua vez, finalmente passa a conhecer o problema e pode encaminhá-lo para uma solução.”

Essa mudança também tem acelerado a adoção de plataformas que transformam dados dispersos em inteligência para a tomada de decisão. Um exemplo é o Farol da Integridade, da LEME, que reúne gestão de denúncias, monitoramento de riscos, investigações e programas de treinamento.

“O mercado amadureceu. Hoje, não basta ter um programa de compliance no papel. As empresas precisam demonstrar que ele funciona, que os riscos são monitorados e que existe capacidade de resposta quando uma irregularidade acontece”, diz Mendes.

A solução permite que as ocorrências sejam registradas de forma identificada ou anônima e conduzidas por um fluxo estruturado de análise e investigação, com todas as etapas centralizadas em um único ambiente para acompanhamento e gestão dos casos.

“O canal é seguro, confidencial e estruturado para o registro e acompanhamento de ocorrências, dando previsibilidade ao processo de apuração e reforçando a confiança de que relatos de irregularidades serão tratados de forma adequada. Isso tende a aumentar a confiança dos colaboradores e fortalecer a cultura de integridade dentro das organizações.”

Além do canal de denúncias, a tecnologia foi desenvolvida para justamente transformar informações dispersas entre diferentes áreas em inteligência para prevenção. “Dados utilizados de forma inteligente permitem que a empresa tenha uma visão integrada dos riscos, identifique padrões de comportamento, acompanhe a evolução dos casos e tome decisões preventivas com base em informações rastreáveis e auditáveis”, afirma o diretor.

Somado a isso, as informações geradas passam a subsidiar inventários de riscos psicossociais exigidos pela NR-1 e pelo Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR), transformando os relatos em ações concretas para melhorar o ambiente de trabalho, prevenir passivos trabalhistas e demonstrar a atuação diligente do empregador.

“O maior erro é acreditar que compliance serve apenas para cumprir uma exigência legal. Hoje, ele protege receita, reduz riscos e preserva a reputação da empresa”, observa Mendes.

Por fim, para Rafael Mendes, a tecnologia pode apoiar esse processo, mas não substitui a preparação das pessoas. “Nenhum programa de compliance é efetivo se colaboradores, lideranças e equipes responsáveis pelas investigações não estiverem preparados para prevenir, identificar e tratar irregularidades”, afirma. Os números mostram que esse ainda é um desafio: 12% das empresas não realizam treinamentos sobre assédio, 25% promovem essas ações apenas de forma pontual, e 26% dos profissionais responsáveis por investigar denúncias nunca receberam capacitação técnica.

A LEME levará essa discussão para a ExpoCompliance 2026, que acontece entre os dias 18 e 20 de agosto, no Centro de Eventos São Luís, na Consolação, em São Paulo, onde apresentará também o Farol da Integridade, plataforma que reúne, entre outros recursos, um módulo de capacitação voltado à formação contínua de colaboradores, lideranças e equipes de compliance.

Crédito da imagem: Pexels

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná.Profissional com experiência de 50 anos na área de jornalismo, sendo 48 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social.Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Também é professora titular nos cursos de Jornalismo e Ciências Contábeis da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas paranaenses, de São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos.Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 16 anos de blog, mais de 35 mil matérias foram postadas.Ao longo de sua carreira recebeu 20 prêmios, com destaque para o VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005).Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

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