Eleições 2026: gastos disparam 56,2% e elevam pressão sobre crédito

Eleições 2026: gastos disparam 56,2% e elevam pressão sobre crédito

Volatilidade eleitoral aumenta risco de prazos menores e capital mais caro para empresas dependentes de crédito

O ambiente econômico de 2026 chega ao 2° semestre eleitoral com uma aceleração relevante dos gastos públicos já registrada nas contas do Governo Central. No 1º semestre, as despesas discricionárias cresceram 56,2% em relação ao mesmo período de 2025, movimento que foi influenciado pelo período de defeso eleitoral, que antecipou parte da execução dos gastos e do pagamento de emendas parlamentares. No mesmo intervalo, as despesas totais avançaram 12,3% em termos reais, enquanto a receita líquida cresceu 5,6%, e o Governo Central acumulou déficit primário de R$ 92,2 bilhões. O descompasso entre receitas e despesas adiciona incerteza ao cenário fiscal justamente quando empresas precisam definir capital de giro, renegociar passivos e planejar novas captações para atravessar o período eleitoral.

A pressão ocorre em um mercado de crédito corporativo que continua crescendo, mas convive com sinais relevantes de deterioração financeira entre as empresas. O crédito ampliado às companhias chegou a R$ 7,2 trilhões em junho, equivalente a 54,7% do PIB, segundo os dados mais recentes do Banco Central. Ao mesmo tempo, a inadimplência empresarial permanece em patamar recorde.

Em maio, mais de 9 milhões de CNPJs estavam negativados, acumulando R$ 229,9 bilhões em dívidas, ante R$ 212,8 bilhões em março. Cada empresa inadimplente devia, em média, R$ 25,5 mil. As micro e pequenas empresas respondiam por 8,5 milhões dos CNPJs negativados e concentravam R$ 198,8 bilhões em débitos. Nesse ambiente, oscilações de juros, câmbio e expectativas fiscais podem alterar rapidamente as condições de financiamento, principalmente para negócios dependentes de capital de giro ou com ciclos financeiros mais curtos.

Momento de agir

Para o CEO da Multiplike, Volnei Eyng, o momento de agir é antes que a volatilidade eleitoral se intensifique.

“Empresas que estruturam suas operações de crédito com antecedência conseguem negociar em condições mais favoráveis, mantendo liquidez de caixa e previsibilidade financeira mesmo quando o ambiente se torna mais volátil”, afirma. Ele destaca que anos eleitorais historicamente ampliam a oscilação de indicadores como Selic e câmbio, encarecendo o capital para quem deixa as decisões para depois. “Quem espera para reagir acaba pagando mais caro e encontra prazos mais curtos, perdendo o momento estratégico”, alerta Eyng.

Além da preparação interna, o acompanhamento de indicadores econômicos é fundamental. Taxa Selic, projeções de inflação, inadimplência setorial e movimentos de câmbio são variáveis que devem orientar decisões de capital de giro e renegociação de dívidas.

Além da proteção imediata contra choques de liquidez, a governança financeira bem estruturada fortalece a posição da empresa frente a parceiros, investidores e instituições de crédito. Em períodos de maior percepção de risco, como costumam ser os anos eleitorais, empresas que demonstram previsibilidade financeira tendem a conquistar condições mais vantajosas em contratos e renegociações. Mapear o perfil de risco da carteira de clientes, antecipar renegociações e diversificar fontes de crédito reduz a dependência de instituições tradicionais que podem restringir operações em momentos de cautela.

“Setores mais vulneráveis, como construção civil, indústria de bens de capital e agronegócio com insumos dolarizados, podem mitigar impactos estruturando prazos e fluxo de caixa, transformando o ano eleitoral de um período de risco em uma oportunidade para consolidar operações e garantir continuidade operacional”, completa Eyng. A preparação estratégica não só protege a empresa contra choques imediatos de liquidez, mas também fortalece sua posição perante parceiros, investidores e o mercado como um todo.

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná.Profissional com experiência de 50 anos na área de jornalismo, sendo 48 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social.Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Também é professora titular nos cursos de Jornalismo e Ciências Contábeis da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas paranaenses, de São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos.Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 16 anos de blog, mais de 35 mil matérias foram postadas.Ao longo de sua carreira recebeu 20 prêmios, com destaque para o VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005).Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

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