Alta do dólar e no preço dos combustíveis faz empresas gastarem até 20% a mais com viagens corporativas

Quantidade de viagens está no mesmo patamar de 2025
As empresas brasileiras estão gastando mais para viajar, mas isso não significa, necessariamente, que seus profissionais estejam fazendo mais deslocamentos.
No primeiro semestre de 2026, clientes da Paytrack registraram um aumento entre 15% e 20% nos gastos com viagens corporativas em comparação com o mesmo período do ano anterior. O volume de viagens, no entanto, permaneceu praticamente estável.
A informação foi dada por Pedro Góes, CEO da Paytrack , durante o T&E Summit 2026, evento promovido pela empresa. Segundo o empresário, “nenhuma empresa está viajando mais, mas, no primeiro semestre deste ano, em relação ao mesmo período do ano anterior, as companhias pagaram de 15% a 20% a mais em viagens corporativas”, afirma o executivo.
Para Góes, o crescimento dos gastos reflete principalmente o encarecimento da cadeia de viagens, e não uma expansão proporcional da atividade das empresas.
“Trabalhamos com empresas grandes e vemos que elas têm mantido o mesmo volume de viagens. O tíquete aumentou, mas o número de viagens se manteve igual. Então, o nosso valor em viagens corporativas vendidas aumenta, mas isso é muito mais reflexo do tíquete do que de uma força econômica”, diz Góes.
O cenário observado pela Paytrack acompanha dados recentes do mercado brasileiro. Levantamento da FecomercioSP e da Associação Latino-Americana de Gestão de Eventos e Viagens Corporativas, a ALAGEV, aponta que os gastos das empresas com viagens de negócios alcançaram quase R$ 85 bilhões nos primeiros cinco meses de 2026, alta de 6,2% em relação ao mesmo período do ano passado.
O avanço financeiro, porém, ocorre em um contexto de aumento dos preços. Em maio, a tarifa média das passagens aéreas avançou 11,2% na comparação anual, enquanto a diária média da hotelaria cresceu 5,4%.
Combustível e dólar pressionam custos
Um dos principais fatores por trás do aumento dos preços está no custo da operação aérea. Dados da Agência Nacional de Aviação Civil mostram que o preço do querosene de aviação registrou forte alta em junho de 2026 na comparação com o mesmo período do ano anterior.
Segundo Góes, o impacto é direto sobre o orçamento das empresas, especialmente porque o transporte aéreo representa uma parcela relevante das despesas em viagens corporativas.
“Na aviação, 30% a 40% dos custos de uma companhia aérea estão associados aos combustíveis. Esses custos também são pressionados pelo aumento do dólar, que já vem acontecendo nos últimos anos, e pela situação de guerra no Oriente Médio, que foi um grande ponto para a alta dos valores das passagens aéreas”, afirma.
O movimento não é exclusivo do Brasil. A Global Business Travel Association, GBTA, projeta que os gastos globais com viagens corporativas alcancem US$ 1,71 trilhão em 2026, um crescimento de 7,2%. A entidade aponta que a elevação dos custos de transporte e outros serviços relacionados às viagens tem contribuído de forma relevante para o avanço do faturamento do setor.
O Brasil aparece entre os mercados com maior crescimento projetado para o ano, com alta estimada de 13,8% nos gastos com viagens de negócios.
Desafio passa a ser controlar o gasto antes da viagem
Com o aumento dos preços, a discussão entre empresas deixa de estar apenas na redução do número de viagens e passa a envolver maior controle sobre como os recursos são utilizados.
Para Góes, a tendência é que as organizações busquem cada vez mais ferramentas capazes de identificar oportunidades de economia antes que a despesa seja realizada.
“Esse tipo de solução está sendo muito procurado pelo mercado, porque a melhor forma de você resolver o problema é antes de ele acontecer”, afirma.
A discussão foi um dos temas abordados durante o T&E Summit 2026, encontro promovido pela Paytrack em São Paulo e que reuniu lideranças financeiras e executivos para discutir os desafios relacionados à gestão de despesas e viagens corporativas.
Crédito da imagem: Magnific








