Queda nas ações do Mercado Livre é estratégia de crescimento

Queda nas ações do Mercado Livre é estratégia de crescimento

Plataforma absorveu custos para crescer, mas buscará recomposição rápida via frete e leilão de anúncios

O balanço financeiro do segundo trimestre de 2026 do Mercado Livre dominou as manchetes econômicas nas últimas semanas. A companhia atingiu, pela primeira vez, uma receita acima de US$ 10 bilhões e um lucro de US$ 466 milhões, impulsionada por um crescimento de 36% no volume bruto de mercadorias (GMV).

Contudo, a reação do mercado foi negativa, com as ações caindo 8% devido à forte compressão da margem operacional (EBIT), que despencou de 12,2% para 6,7% em função da alta dos custos logísticos.

Mas o Mercado Livre não perdeu margem à toa. A plataforma de e-commerce baixou tarifas e absorveu custos logísticos de propósito, para sustentar o crescimento de GMV, mas essa estratégia é passageira.

Para quem está do lado de lá do balcão, ou seja, do lado do vendedor, o alerta é outro: a conta desse balanço será paga por quem vende na plataforma e não tem controle rígido sobre seus investimentos, explica Lucas Schwichtemberg, fundador e CEO da HimmelCorp. “Quando a empresa quiser essa margem de volta, a alavanca mais rápida é a de Ads (publicidade) e frete. Quem não olha o quanto investe em mídia toda semana, sente o aperto de vender muito e não ver o dinheiro entrar, pois custos como esses voltarão para o seller.”

Por onde o impacto começa a aparecer | Historicamente, quando o marketplace precisa recompor margens, os primeiros indícios de pressão escoam para os serviços agregados. De acordo com Schwichtemberg, o movimento já está no radar.

Para o vendedor que não quer ser pego de surpresa, o primeiro passo é diagnosticar a eficiência da publicidade antes que as regras do jogo mudem.

  • “O primeiro número que o lojista precisa puxar é o ACOS simples (custo de venda publicitária) dos últimos 30 dias, que é o gasto em Ads dividido pela receita que veio desses anúncios. Sem isso, você não sabe de que lado da conta está”, orienta o CEO da HimmelCorp.

  • Em seguida, o controle deve ir além: “Depois, é fundamental calcular o TACOS (custo total de publicidade sobre as vendas) para enxergar quanto da sua receita total depende da mídia paga. Normalmente, as pessoas gastam muito mais do que devem sem controle. O cálculo de segurança é simples: se a margem de contribuição do lojista é de 10%, ele deve reinvestir 1,5% do faturamento em Ads.

Para Schwichtemberg, o balanço de 2T26 marcou uma mudança definitiva no ecossistema de vendas online no Brasil. “A eficiência em Ads virou, sim, a linha divisória. Se o Mercado Livre comprime a própria margem para crescer e vai buscar isso de volta nos anúncios e em outros lugares, quem não gerencia bem o próprio investimento acaba pagando essa conta sem perceber. Faturamento é ego, margem é verdade.”

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná.Profissional com experiência de 50 anos na área de jornalismo, sendo 48 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social.Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Também é professora titular nos cursos de Jornalismo e Ciências Contábeis da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas paranaenses, de São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos.Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 16 anos de blog, mais de 35 mil matérias foram postadas.Ao longo de sua carreira recebeu 20 prêmios, com destaque para o VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005).Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

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