Motiva conclui a venda de 20 aeroportos para o Grupo Aeroportuario del Sureste por R$ 12,2 bilhões

Motiva conclui a venda de 20 aeroportos para o Grupo Aeroportuario del Sureste por R$ 12,2 bilhões

Foi a maior transação de aeroportos no mundo

A Motiva, maior empresa de infraestrutura de mobilidade do Brasil, concluiu nesta terça-feira (01) a venda de 100% da sua plataforma de aeroportos para a mexicana Grupo Aeroportuario del Sureste (ASUR), um dos principais operadores aeroportuários da América Latina. O valor final da transação, após atualização monetária por taxa negociada entre as partes e ajustes de balanço, foi de R$ 12,211 bilhões, sendo R$ 5,187 bilhões em equity por 100% das ações da CPC Holding, veículo que consolidava as participações da Companhia nos 20 aeroportos, e R$ 7,024 bilhões em dívidas dos ativos.

Maior transação aeroportuária realizada no mundo recentemente, o processo competitivo contou, ao longo de toda a operação, com a participação de mais de 20 de grupos europeus, latino-americanos e asiáticos, superando as expectativas da Motiva. A conclusão da venda ocorreu após a aprovação da transação pelos órgãos de defesa da concorrência, credores e poderes concedentes de Brasil, Equador, Costa Rica e Curação, países onde a Companhia tinha operações aeroportuárias. Neste período, a Motiva seguiu administrando os terminais, preservando o quadro de colaboradores e o cumprimento integral dos contratos vigentes.

A venda da plataforma de aeroportos marca mais um avanço na estratégia de simplificação do portfólio com destravamento de valor, anunciada pela Companhia na Ambição 2035, que prioriza o crescimento rentável, seletivo e sinérgico dos negócios e a eficiência operacional superior para a criação de valor sustentável. Anteriormente, a Motiva já havia encerrado a sua operação de Barcas, no Rio de Janeiro, e repactuado o contrato da BR-163/MS, hoje operada pela Motiva Pantanal. Isso já se reflete nos resultados da Companhia, cuja margem Ebitda saltou de 55,7%, ao final de 2022, para 67,3% ao final do primeiro semestre de 2026.

“A conclusão desta transação é um passo estratégico para simplificarmos o nosso portfólio e ampliarmos a nossa capacidade de investimentos em rodovias e trilhos, segmentos em que a Motiva tem competências distintivas e somos líderes na América Latina e no Brasil, mercado que tem um pipeline rico em oportunidades. Nosso agradecimento a todos os colaboradores da plataforma de aeroportos, que, com dedicação, compromisso e muita competência, cumpriram diariamente a missão da Motiva de melhorar a vida das pessoas através da mobilidade”, disse o CEO da Motiva, Miguel Setas.

Pelos termos finais da transação, os ativos foram precificados a um múltiplo EV/EBITDA (LTM) de 8,8x, que é acima do múltiplo atual da Motiva, o que se traduz em criação de valor para a Companhia e os seus acionistas. Os recursos da operação serão utilizados para a redução do endividamento da holding da Companhia.

Alavancagem

Com a conclusão do negócio, a alavancagem consolidada, que considera as controladas em conjunto com a Motiva, cairia de 3,7 vezes para cerca de 3 vezes, ampliando a capacidade financeira da Companhia para fazer frente ao pipeline de R$ 170 bilhões de oportunidades mapeadas para os próximos anos para concessões rodoviárias, de trens e metrôs no Brasil, além de otimizar a estrutura de capital e melhorar o perfil de risco do portfólio.

“Encerramos hoje um ciclo importante na história e na estratégia de crescimento da Motiva, e quero expressar o meu agradecimento aos colaboradores da plataforma de aeroportos. Ao longo de todo este período, mantivemos a excelência operacional, a segurança e a qualidade no serviço prestado aos nossos clientes. Esse profissionalismo foi decisivo para o sucesso desta transação. Meu reconhecimento a todos que, com competência e comprometimento, fizeram parte dessa jornada e ajudaram a construir o legado da Companhia no setor de transportes”, disse o presidente da Motiva Aeroportos, Waldo Perez, que também ocupa a posição de vice-presidente de Capex, Supply Chain e Serviços Compartilhados da Motiva.

Próximos passos da operação

Finalizada a transação de venda, tem-se início um período de transição acordado entre as partes para a transferência dos ativos dos sistemas corporativos e administrativos da Motiva para a ASUR, com o Centro de Serviços Compartilhados (CSC) da Companhia prestando suporte aos serviços de backoffice ao grupo mexicano temporariamente, tais como folha de pagamentos, suprimentos e Tecnologia da Informação (TI). Essa iniciativa visa garantir a continuidade operacional dos 20 aeroportos sem impactos aos passageiros.

Adicionalmente, no dia seguinte à conclusão da transação, todos os colaboradores que hoje trabalham na plataforma de aeroportos serão transferidos para a Asur. Além disso, os resultados da operação, que atualmente estavam sendo contabilizados na linha “Ativos e Passivos Mantidos para Venda e como Operações Descontinuadas” das demonstrações financeiras, deixam de ser consolidados no balanço neste terceiro trimestre de 2026.

Plataforma de Aeroportos

A Motiva Aeroportos, agora integralmente vendida à ASUR, reúne 20 operações aeroportuárias na América Latina, sendo 17 no Brasil e três em outros países da região, com movimento anual de cerca de 45 milhões de passageiros e mais de 200 rotas regulares. Estes números colocam a operação como a terceira maior do Brasil, com ativos estratégicos, como os aeroportos de Curitiba, Belo Horizonte e Goiânia.

Nos 12 meses encerrados no terceiro trimestre de 2025, a Receita Líquida do negócio de Aeroportos da Motiva totalizou R$ 2,96 bilhões e o EBITDA alcançou R$ 1,52 bilhão, com margem de 51%, além de 524 mil toneladas de carga movimentadas. Esses indicadores traduzem uma plataforma resiliente, diversificada e eficiente, apta a capturar crescimento com qualidade de serviços, produtividade e robusto fluxo de caixa.

“Ao concluir essa transição, a Motiva reforça a sua estratégia de criação de valor sustentável aos seus acionistas e à sociedade. Como anunciamos ao mercado no Capital Markets Day de 2025, a Companhia está em um movimento de se concentrar nos seus negócios principais para se tornar mais simples e com uma expansão mais focada, rentável e sinérgica”, conclui Setas.

Crédito da imagem: Divulgação/Motiva

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná.Profissional com experiência de 50 anos na área de jornalismo, sendo 48 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social.Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Também é professora titular nos cursos de Jornalismo e Ciências Contábeis da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas paranaenses, de São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos.Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 16 anos de blog, mais de 35 mil matérias foram postadas.Ao longo de sua carreira recebeu 20 prêmios, com destaque para o VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005).Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

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