41% dos CEOs brasileiros não têm um sucessor preparado para ocupar a função

41% dos CEOs brasileiros não têm um sucessor preparado para ocupar a função

Só 16,1% apresentam algum nome para a cadeira, o que revela uma defasagem no mercado quanto à capacitação de lideranças

O relatório CEOs do Brasil, trabalho inédito realizado pela EXEC e pela GPTW, revela um um momento de vácuo de sucessão no país. Apenas 16,1% têm um executivo preparado para ocupar a cadeira com a saída do atual — a maioria, 41%, não sabem quem será o próximo. Os números indicam que o mercado não tem investido na formação de novos líderes, o que pode trazer riscos operacionais especialmente em razão da crescente demanda por tomadas de decisões mais ágeis e confiáveis pelo setor empresarial.

O levantamento aponta que a combinação entre uma estrutura executiva concentrada, uma sucessão ainda pouco estruturada e a longevidade dos CEOs brasileiros — maior parcela tem entre 40 e 49 anos (35%) e 50 a 59 anos (36,9%) — reforça a importância de desenvolver essa camada de liderança. Quando a permanência do CEO se prolonga e poucos executivos estão preparados para assumir responsabilidades maiores, a organização tende a concentrar conhecimento e decisões na liderança atual.

Portanto, preparar sucessores e desenvolver a liderança executiva são movimentos que fortalecem a gestão no presente e ampliam a capacidade da organização de sustentar sua estratégia no longo prazo. “A competência que forma sucessores é justamente a mais deficiente, e isso não é um problema pequeno. Sucessões desestruturadas fazem com que o risco organizacional aumente. A maioria das empresas no Brasil é familiar, de capital fechado, e lidera estruturas mais enxutas O mercado precisa estar atento a esse fator”, alerta Rodrigo Forte, sócio da EXEC.

A ideia de aposentadoria precoce não está no horizonte da alta liderança. Um em cada cinco CEOs (19,3%) não tem planos de parar de trabalhar. Entre os que preveem um limite, 24% apontam que isso pode acontecer entre 60 e 65 anos, e 17,5%, entre 65 e 70 anos. Há ainda quem planeje esticar sua estadia na cadeira de C-Level: 11,1% pretendem trabalhar entre 70 e 75 anos, e 6,9% pretendem seguir além dos 80 anos.

Desafio da IA: liderança qualificada

A pesquisa traçou o perfil da alta liderança, reconhecendo distinções de gênero, percepções de futuro, hábitos fora do trabalho e principais desafios no mercado. Outro destaque que o relatório revela é sobre tecnologia: a IA está na agenda dos CEOs, mas encontra obstáculos consideráveis.

76,9% já perceberam que a tecnologia está transformando rapidamente a liderança, embora quase 30% aponte que faltam gestores qualificados para nortear a aplicação da tecnologia nos negócios. “Uma grande parcela das iniciativas de IA falharam em 2025 por gap de liderança, não de tecnologia, Ou seja, efetividade da inteligência artificial deixa de ser um problema técnico e se torna desenvolvimento de liderança”, analisa Rodrigo Forte.

Incerteza em alta, otimismo em queda

No levantamento, 61,8% dos CEOs enxergam incerteza no cenário brasileiro para os próximos três anos — 34,6% se mantêm otimistas e apenas 3,7% demonstram pessimismo. O número representa uma inflexão: no Relatório Tendências em Gestão de Pessoas 2026 do GPTW, o otimismo ainda predominava, embora viesse cedendo gradualmente a cada edição.

“Apesar da incerteza externa, os desafios priorizados pelos CEOs, como liderança, pessoas e sustentabilidade, são fatores sobre os quais a organização tem maior capacidade de atuação. Para os CEOs, agora é fortalecer capacidades internas diante de um ambiente externo imprevisível. Afinal, saber se adaptar a novos cenários é o que tem feito CEOs de diferentes setores conquistarem espaço e credibilidade no mercado”, pontua Rodrigo Forte.

Mais tempo para si

A pesquisa revela também que os CEOs têm buscado um desenvolvimento de carreira mais saudável, mesmo diante de incertezas e dos avanços da tecnologia. A maior parte considera ter uma boa qualidade de vida. Em uma escala de 1 a 5 para avaliar o equilíbrio entre vida pessoal e profissional, 60,3% atribuíram nota alta — 46,5% deram nota 4 e 13,8% deram nota 5. A nota 3, intermediária, foi indicada por 31,8% dos líderes, enquanto as avaliações mais baixas representaram uma minoria, com 6,5% para a nota 2 e 1,4% para a nota 1.

A maioria dos CEOs tira férias regularmente. 34,6% têm de 11 a 20 dias de descanso por ano, enquanto 34,1% utilizam de 21 a 30 dias. Os períodos mais longos, com mais de 30 dias anuais, são a realidade de 21% dos respondentes. Entretanto, 53,5% não conseguem se desconectar das atividades da empresa. No recorte de gênero, observa-se que as mulheres têm maior dificuldade de se desligar do que os homens — 60,9% das executivas trabalham no período de férias, enquanto entre os executivos o número cai para 51,5%.

“Há muito tempo se vê discussões no mercado sobre a necessidade de se buscar uma relação mais saudável com o trabalho, para que as lideranças possam exercer suas funções sem se desconectar de si mesmos e de suas famílias. Houve muito empenho para que se alcançasse esse equilíbrio, que ainda pode ser aprimorado. Os números da pesquisa revelam uma realidade que pode ser referência para a nova geração de líderes que surgirá nos próximos anos”, diz Tatiane Tiemi, CEO do Great Place to Work Brasil.

Dados demográficos

A pesquisa revela que a grande maioria (78,8%) é do sexo masculino, com 36,9% na faixa etária entre 50 e 59 anos e 35% entre 40 e 49 anos. Os CEOs acima de 60 anos representam 17,5%. Apesar de ocuparem um espaço menor nas cadeiras da alta liderança das grandes empresas, as mulheres são, em média, mais qualificadas do que os homens — 73,9% têm pós-graduação ou MBA, contra 60,8% deles. Ambos se formaram em instituições privadas.

O caminho até o cargo, no entanto, não é igual para todos. Segundo a pesquisa, 40,6% dos CEOs afirmaram que a presidência tornou-se um objetivo ao longo da carreira. No entanto, há mais uma disparidade em relação às mulheres: 60,9% delas disseram que o cargo surgiu como consequência da evolução profissional, e não como plano original.

A chegada ao topo acontece majoritariamente entre 31 e 40 anos. E, ao se tornar CEO, o tempo de permanência é relativamente longo — 31,8% estão no cargo entre 6 e 10 anos, e 24,9% há mais de 15 anos. Quase um quarto dos respondentes ultrapassou uma década e meia na mesma cadeira.

Entre os atributos mais valorizados pelos CEOs para a liderança atual estão: visão estratégica (40,6%) e inteligência emocional (37,8%). Em relação aos colaboradores, 64,5% dos CEOs esperam entrega de resultados, 46,5% valorizam o alinhamento aos valores da empresa e 37,8% apontam a resiliência.

Crédito da imagem: AI/ChatGPT

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná.Profissional com experiência de 50 anos na área de jornalismo, sendo 48 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social.Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Também é professora titular nos cursos de Jornalismo e Ciências Contábeis da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas paranaenses, de São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos.Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 16 anos de blog, mais de 35 mil matérias foram postadas.Ao longo de sua carreira recebeu 20 prêmios, com destaque para o VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005).Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

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