Mercado de cuidados masculinos movimenta R$ 35,5 bilhões e cria nova exigência para as marcas

Mercado de cuidados masculinos movimenta R$ 35,5 bilhões e cria nova exigência para as marcas

Com novas categorias ganhando espaço, fundador da Better aponta mudança na forma como marcas precisam conquistar o consumidor masculino

O mercado brasileiro de cuidados masculinos movimentou R$ 35,5 bilhões em vendas no varejo em 2025, alta de 7% em valor, segundo o levantamento mais recente da Euromonitor sobre o segmento, publicado em maio de 2026. O avanço amplia o espaço para novas categorias, mas também muda a régua para as marcas que disputam esse consumidor. Para Henrique Berri França, fundador da Better, a questão não é apenas fazer o homem experimentar um produto, mas entregar uma razão clara para que ele continue usando.

A transformação acontece em um mercado que começa a diversificar sua oferta. O levantamento da Euromonitor aponta avanço de marcas de nicho, lançamentos premium e produtos de skincare masculino baseados em ciência no Brasil. Em 2025, O Boticário e Natura lideravam o segmento, com participações de 22% e 21%, respectivamente.

Os dados de comportamento ajudam a explicar esse movimento. Segundo a Kantar, 72% dos homens demonstraram interesse por produtos de beleza desenvolvidos especificamente para eles em 2024, ante 70% em 2023. Os homens também já representam 39% das ocasiões de uso de produtos de beleza no Brasil.

Para Henrique, o crescimento da oferta não significa que o consumidor esteja disposto a adicionar indiscriminadamente novas etapas à rotina.

“O homem não é resistente ao cuidado em si; ele é resistente a adicionar uma etapa sem entender claramente o benefício. Para um produto entrar de verdade no dia a dia, ele precisa resolver um problema fácil de identificar, entregar um resultado perceptível e ser simples de usar.”

O que faz um produto permanecer na rotina

Essa leitura de comportamento está na base da construção da Better. Desde o desenvolvimento dos produtos, Henrique busca partir de necessidades concretas do consumidor masculino e transformá-las em soluções de aplicação simples e benefício perceptível.

Nesse processo, aspectos como textura, fragrância, quantidade necessária, facilidade de aplicação, tempo de secagem e sensação após o uso deixam de ser detalhes e passam a fazer parte da própria proposta do produto.

“O produto precisa ser pensado para o comportamento de quem vai usá-lo. Se a aplicação é complicada, se o resultado demora para aparecer ou se o consumidor não entende exatamente para que aquilo serve, a chance de ele incorporar o produto à rotina diminui.”

Para o empreendedor, a mesma lógica vale para a comunicação. A embalagem e o design podem despertar interesse e estimular a primeira compra, mas não são suficientes para sustentar a recorrência.

“Design faz o consumidor experimentar; resultado e facilidade de uso fazem ele continuar.”

A proposta também ajuda a diferenciar a construção de produtos masculinos de uma simples adaptação de soluções existentes. Na visão de Henrique, não basta acrescentar códigos visuais associados aos homens ou mudar a comunicação de uma fórmula já criada. É preciso entender o problema que o consumidor quer resolver e como ele espera utilizar o produto.

“Muitas vezes a demanda existe, mas ainda não foi bem atendida por um produto pensado exatamente para aquele uso. O consumidor não quer dez etapas. Ele quer entender o que funciona para ele e encontrar uma solução que resolva aquilo de maneira simples.”

Menos etapas, mais precisão

A expansão do mercado masculino não significa necessariamente uma busca por rotinas maiores. O próprio movimento identificado pela Euromonitor aponta para soluções mais práticas, orientadas por performance e capazes de responder a necessidades específicas.

É nesse espaço que a Better vem construindo seu portfólio. A marca procura identificar necessidades específicas do consumidor masculino e desenvolver produtos que tenham uma função clara dentro da rotina, sem exigir uma mudança complexa de comportamento.

Para Henrique, essa combinação será cada vez mais importante à medida que novas marcas e categorias disputarem o mesmo consumidor.

“O produto masculino precisa ser específico sem ser complicado. Praticidade e performance não são opostos. Quanto mais claro for o benefício e mais fácil for perceber o resultado, maior a chance de um produto deixar de ser uma novidade e se tornar parte da rotina.”

Nesse cenário, a disputa deixa de ser apenas por espaço nas prateleiras ou por uma primeira compra. Para o fundador da Better, o desafio está em criar produtos que façam sentido o suficiente para serem escolhidos novamente.

 

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná.Profissional com experiência de 50 anos na área de jornalismo, sendo 48 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social.Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Também é professora titular nos cursos de Jornalismo e Ciências Contábeis da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas paranaenses, de São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos.Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 16 anos de blog, mais de 35 mil matérias foram postadas.Ao longo de sua carreira recebeu 20 prêmios, com destaque para o VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005).Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

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