Paraguai cresce três vezes mais que o Brasil e lidera expansão na América do Sul

Exportações da maquila cresceram 26% até agosto e tiveram o Brasil como destino de 60% das vendas
O Paraguai cresceu 5,7% no primeiro semestre de 2026, três vezes o ritmo de expansão de 1,9% registrado pelo Brasil no mesmo período. Segundo compilação divulgada pelo Banco Central do Paraguai (BCP), o país também avançou mais que Peru (3%), Colômbia (2,9%), Argentina (2,2%), Uruguai (0,3%) e Chile (-0,3%).
O resultado foi puxado principalmente pela agricultura, que cresceu 12,3%, e pelo setor de eletricidade e água, com alta de 8,5%. O dinamismo, porém, não ficou restrito a esses segmentos. Serviços cresceram 5,7%, construção, 4,9%, e indústria manufatureira, 4%. Excluídos agricultura e o resultado das binacionais de energia, a economia paraguaia ainda avançou 5,2% no semestre.
A comparação do BCP não inclui a Guiana, que vive um ciclo econômico excepcional associado à exploração de petróleo. Segundo dados oficiais do governo guianense, a economia do país cresceu 33,3% no primeiro semestre, com avanço de 41,3% no setor de óleo e gás. A economia não petrolífera também cresceu 10,1%.
Para Suelen Raizer, fundadora da Frontexa, consultoria que assessora empresas brasileiras na avaliação e estruturação de operações internacionais para ganho de competitividade, o desempenho ajuda a colocar em perspectiva o interesse crescente de indústrias brasileiras pelo país vizinho.
“O que chama atenção é que, mesmo quando retiramos agricultura e as binacionais, a economia ainda cresce 5,2%. Isso mostra que há um dinamismo mais disseminado e ajuda a entender por que o Paraguai passou a entrar com mais frequência na análise de investimento das empresas brasileiras, principalmente das indústrias”, afirma Suelen Raizer.
Regime de Maquila
Um dos pontos de maior conexão com o Brasil está no regime de maquila, modelo que permite a empresas instaladas no Paraguai importar insumos e bens de produção com benefícios tributários para fabricar produtos destinados à exportação. Entre janeiro e agosto, as exportações das maquiladoras chegaram a US$ 1,01 bilhão, crescimento de 26% sobre o mesmo período de 2025. O Brasil absorveu 60% das vendas e o Mercosul, 77%, segundo dados do Ministério da Indústria e Comércio (MIC) e do Conselho Nacional das Indústrias Maquiladoras de Exportação (CNIME).
A produção é concentrada em segmentos industriais. No acumulado até agosto, autopeças responderam por 31% das exportações das maquiladoras, seguidas por confecções e têxteis (16%), bebidas e líquidos alcoólicos (12%) e alumínio (11%). Juntos, esses quatro segmentos representam 70% das vendas externas do regime.
A presença brasileira também aparece na origem dos investimentos. Segundo a Câmara de Empresas Maquiladoras do Paraguai (Cemap), o país possui 339 maquiladoras e aproximadamente 70% do capital instalado no regime é de origem brasileira.
“O Paraguai não está crescendo de costas para o Brasil. Ao contrário, existe uma integração produtiva cada vez maior entre as duas economias. Há empresas que mantêm no Brasil mercado, distribuição e outras etapas da operação e encontram no Paraguai condições competitivas para determinadas atividades produtivas. É menos uma história de substituição de um país pelo outro e mais uma reorganização das cadeias produtivas”, diz Suelen.
Segundo a executiva, estrutura tributária, custo de energia, custos operacionais e os incentivos previstos no regime de maquila estão entre os fatores considerados pelas empresas nessa análise.
“Não existe uma resposta única sobre onde uma empresa deve produzir. O Paraguai passou a ser uma alternativa que precisa entrar na comparação. Para cada projeto, é necessário avaliar onde cada etapa da operação pode ser mais eficiente e como uma estrutura nos dois países pode funcionar de forma complementar”, conclui.








