Eficiência energética vira pauta de diretoria na indústria

Eficiência energética vira pauta de diretoria na indústria

Programa de Eficiência Energética já soma quase 500 mil MWh contratados em 2026

A indústria brasileira responde por mais de 30% do consumo final de energia e por quase 40% da eletricidade consumida no país, segundo a Empresa de Pesquisa Energética (EPE). Com o consumo em alta, a gestão de recursos energéticos ganhou urgência e foi o tema central do Fórum de Eficiência Energética, realizado em setembro, em Curitiba, durante a Conferência Internacional de Energias Inteligentes, a Smart Energy 2026. O fórum teve a articulação da empresa paranaense Eletron Energia.

O último boletim do Programa de Eficiência Energética (PEE) mostra o programa em aceleração: já são quase 500 mil MWh em economia contratada em 2026, contra 670 mil MWh em todo o ano de 2025.

Apesar do peso da indústria na matriz de consumo, apenas 4% dos recursos do programa foram aplicados no setor entre 2008 e 2018, segundo a  Confederação Nacional da Indústria (CNI). Por isso, o painel “Atualizações no PEE – Aneel”, um dos mais aguardados do fórum, reuniu regulador, distribuidoras e setor produtivo. Um dos participantes foi Ricardo Kenji, fundador e diretor da Eletron Energia.

Kenji destacou a importância do debate sobre o tema neste contexto: “Temos uma das matrizes elétricas mais limpas do mundo, mas ainda carregamos uma indústria com enorme potencial desperdiçado de energia. Discutir isso em um fórum aberto, com o meio acadêmico, governo e empresas, ajuda a acelerar a adoção de medidas que contribuam para mudar este cenário”, afirma.

Economia que aparece na conta

O custo é o argumento mais forte. Segundo a CNI, a tarifa média de energia paga pela indústria brasileira aumentou mais de 50% entre 2010 e 2020. Estudos do programa PotencializEE (CNI/MME/MDIC) indicam que medidas de eficiência podem gerar economia de R$ 10 bilhões ao setor industrial até 2050, com redução média de 34% nos custos com energia nas empresas atendidas.

O fundador da Eletron, destaca a mudança da visão de empresários sobre o tema: “O mercado amadureceu: a eficiência energética saiu do departamento de custos e ocupou a sala da diretoria. Quando vimos representantes de grandes empresas compartilhando o mesmo palco com cases reais, fica evidente que o debate evoluiu de discurso para prática”, diz Kenji.

Networking que vira negócio

Em dois dias de programação, o fórum reuniu centenas de participantes em palestras técnicas, painéis, apresentações de cases e encontros de networking. Entre as organizações presentes estavam ABESCO, Aneel, Copel, SENAI, WEG, Siemens, Renault, Daikin, Alfa Laval, Perfipar e Vitális.

Para o gerente geral da Eletron Energia, Victor Moraes, o resultado prático está nos contatos feitos no evento. “O evento entrega algo que nenhuma publicação técnica substitui: contato direto entre quem tem o problema e quem tem a solução. Vimos indústrias fechando conversas com ESCOs, distribuidoras recebendo demandas do setor produtivo e profissionais trocando experiências sobre certificação e novas competências”, conta.

O movimento indica que a eficiência energética passa a fazer parte do planejamento financeiro das empresas. Com tarifas elevadas e recursos do PEE em expansão, a tendência é que a indústria ocupe espaço maior nos próximos ciclos do programa.

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná.Profissional com experiência de 50 anos na área de jornalismo, sendo 48 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social.Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Também é professora titular nos cursos de Jornalismo e Ciências Contábeis da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas paranaenses, de São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos.Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 16 anos de blog, mais de 35 mil matérias foram postadas.Ao longo de sua carreira recebeu 20 prêmios, com destaque para o VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005).Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

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