Agenda previdenciária vai além das eleições

Envelhecimento da população, novas relações de trabalho e necessidade de ampliar a poupança colocam a previdência complementar em agenda que vai além do próximo governo
A eleição de 2026 deverá recolocar no centro do debate brasileiro temas como equilíbrio fiscal, crescimento, emprego e capacidade de investimento. Para a previdência complementar fechada, porém, existe uma agenda que não começa nem termina nas urnas. O envelhecimento da população, a transformação das relações de trabalho e a necessidade de formar poupança de longo prazo continuarão pressionando o país independentemente de quem estiver no governo.
Para Rafael Stec, presidente da Fusan, esse cenário exige que o sistema avance para além de seus públicos tradicionais. “A eleição pode mudar prioridades econômicas e regulatórias, mas não muda uma realidade estrutural: as pessoas estão vivendo mais e precisam se preparar financeiramente para um período cada vez maior de aposentadoria. A previdência complementar terá de acompanhar essa transformação”, afirma.
Próximo salto será conquistar quem ainda está fora
A experiência da Fusan mostra que existe espaço para crescer. A entidade encerrou 2025 com patrimônio consolidado de R$ 3,03 bilhões e 13.079 participantes, aumento de 8% em relação ao ano anterior. A expansão também ocorre por meio de novos públicos. O plano Viva Mais Multi Prefeituras, por exemplo, já atende servidores de dezenas de municípios no Paraná e em Santa Catarina e registrou rentabilidade de 14,89% em 2025, acima do CDI de 14,33%.
Para Stec, entretanto, o crescimento da Fusan não deve ser medido apenas pelo patrimônio administrado.
“Nosso desafio é fazer com que a previdência complementar chegue a pessoas que historicamente ficaram fora desse sistema. Isso significa criar soluções mais acessíveis e adequadas às novas formas de trabalho e, principalmente, ampliar a educação previdenciária”, diz Stec.
A questão ganha dimensão ainda maior diante da transformação do mercado de trabalho. Trabalhadores autônomos, MEIs, profissionais de plataformas digitais e pessoas com trajetórias profissionais menos lineares precisam construir alternativas para complementar a renda futura. O Viva Mais Previdência, da Fusan, permite adesão por pessoas físicas e contribuições a partir de R$ 50 mensais, ampliando o acesso à formação de uma reserva previdenciária.
Longo prazo começa onde termina o calendário eleitoral
O ambiente econômico poderá mudar depois das eleições. Juros, inflação, política fiscal e regras regulatórias podem assumir novas direções. A estratégia da Fusan, entretanto, está assentada em fundamentos que atravessam ciclos: governança, gestão profissional, diversificação, educação financeira e visão de longo prazo.
O próprio sistema demonstra sua relevância crescente. A previdência complementar fechada encerrou 2025 com R$ 1,408 trilhão em ativos, enquanto a rentabilidade média alcançou 13,33%.
“A Fusan precisa estar preparada para diferentes cenários econômicos e políticos. Nosso horizonte não é o próximo mandato, mas as próximas décadas. É por isso que crescimento, segurança e inovação precisam caminhar juntos. O participante precisa confiar que estamos tomando decisões hoje pensando na renda que ele terá no futuro”, acrescenta.
Para a Fusan, portanto, o resultado das urnas poderá alterar o ambiente econômico, mas não elimina a necessidade de fortalecer a previdência complementar. Ao contrário: a combinação de maior longevidade, novas relações de trabalho e necessidade de poupança de longo prazo torna essa agenda cada vez mais estratégica.
“A previdência complementar não pode depender de um ciclo eleitoral. Ela precisa ser construída como uma estratégia permanente de proteção financeira e de formação de poupança de longo prazo”, conclui Rafael Stec.








