Dia do Empreendedor: 4 dicas para quem está à frente de um negócio

Com mais ferramentas digitais, dados e recursos de inteligência artificial disponíveis, empreendedores precisam saber escolher o que realmente pode ajudar o negócio
Abrir uma empresa é um processo cada vez mais rápido no Brasil. Em julho de 2026, o país chegou a 25,4 milhões de empresas ativas e registrou 485 mil novos negócios. Desse total, 73,7% foram formalizados em menos de um dia, segundo o Mapa de Empresas do Governo Federal.
Esse crescimento é celebrado no dia 5 de outubro, em que se comemora o Dia do Empreendedor. A data surgiu como uma homenagem à criação do Estatuto da Microempresa e da Empresa de Pequeno Porte, em 5 de outubro de 1999, e celebra os esforços dos empreendedores que buscam formas de alcançar a autonomia financeira e mais liberdade profissional.
No entanto, a facilidade para abrir uma empresa não significa que ficou mais simples administrar um negócio. No dia a dia, o empreendedor precisa lidar com cada vez mais tecnologias, dados, canais de venda, meios de pagamento e ferramentas de automação.
Mudaram os desafios
Com isso, o desafio também mudou. Se antes digitalizar a empresa era, principalmente, uma questão de acesso à tecnologia, hoje é preciso saber escolher as ferramentas certas, entender onde elas podem ajudar e fazer com que trabalhem de forma integrada. Muito além de adotar tecnologia, o empreendedor precisa descobrir como usá-la para facilitar a rotina e melhorar as decisões do negócio.
“Da infraestrutura que sustenta uma operação à maneira de entender o consumidor, vender e tomar decisões, tudo foi profundamente transformado para o empreendedor que criou ou segue à frente de seu negócio em 2026. A questão já não é somente acompanhar a digitalização, mas entender o que de fato mudou para quem empreende e como essas transformações estão alterando a gestão dos negócios”, explica o professor da FGV, especialista em vendas e CEO da Receita Previsível e B2B Stack, Thiago Muniz.
Conheça a seguir cinco dicas para quem abriu uma empresa ou segue empreendendo em 2026:
1) Mais do que adotar IA, é preciso saber onde ela pode ajudar
A inteligência artificial já começa a fazer parte da rotina dos pequenos negócios. Uma pesquisa do Sebrae em parceria com o Meta Instituto de Pesquisa mostra que 52% já haviam recorrido à IA nas duas semanas anteriores à entrevista, realizada entre março e maio de 2026. Além disso, 60% planejavam adotar ou ampliar o uso da ferramenta nos seis meses seguintes. O movimento também aparece entre as empresas brasileiras: segundo a TIC Empresas 2025, do Cetic.br/NIC.br, a parcela que utiliza IA passou de 13% para 17% entre 2024 e 2025. Entre as pequenas empresas, de 10 a 49 pessoas ocupadas, o índice subiu de 10% para 15%.
Para as empresas que ainda não adotam IA, os principais desafios vão desde a falta de pessoas capacitadas até dificuldades para integrar as ferramentas aos sistemas já existentes e organizar os dados. Por isso, antes de escolher uma solução, é importante avaliar se a empresa tem informações confiáveis e bem estruturadas e identificar em quais tarefas a tecnologia pode, de fato, facilitar a rotina e apoiar as decisões.
“A inteligência artificial pode trazer ganhos importantes para empreendedores de qualquer porte, mas é preciso entender que ela não faz milagre. Antes de escolher uma ferramenta, é importante olhar para o fluxo do negócio, identificar onde estão os gargalos e entender em quais etapas a IA realmente pode ajudar.”, complementa Kenneth Corrêa, professor da FGV, especialista em tecnologias emergentes e autor do livro Organizações Cognitivas: Alavancando o Poder da IA Generativa e dos Agentes Inteligentes.
2) Ter mais informações ajuda, mas é preciso saber o que fazer com elas
Hoje, o empreendedor pode descobrir o que o cliente procura antes mesmo de ele fechar uma compra. Comentários nas redes sociais, produtos mais acessados no site, dúvidas frequentes no WhatsApp e itens que mais saem da loja ajudam a entender o que o público quer e podem orientar decisões simples do dia a dia, como o que oferecer, como divulgar e onde fazer ajustes no negócio.
A questão, portanto, não é apenas ter acesso a dados, mas saber qual pergunta o negócio precisa responder antes de buscar mais informação. A multiplicação de possibilidades não ficou restrita aos dados. Ela também chegou à forma de vender.
“O empreendedor hoje tem muito mais caminhos para chegar até o consumidor, mas isso não significa que vender ficou automaticamente mais fácil. É preciso entender quais canais realmente funcionam para aquele negócio, em que momento o cliente está mais disposto a comprar e onde estão as barreiras que fazem essa jornada parar”, explica Thiago da Mata, especialista em vendas e CEO da Kwara.
3) Nem toda novidade tecnológica serve para o seu negócio
Em vez de tentar acompanhar cada novidade, o empreendedor precisa começar pelo problema que quer resolver. Uma nova ferramenta ajuda a economizar tempo? Facilita uma tarefa? Melhora o atendimento? Traz algum benefício para o cliente? E quanto custa manter essa solução funcionando?
Ter acesso fácil a ferramentas de tecnologia e IA também pode passar a impressão de que tudo pode ser resolvido sozinho. Mas escolher uma solução sem entender como ela se encaixa na operação pode aumentar custos e criar novos problemas. Nesses casos, o apoio de um especialista pode ajudar a comparar opções, identificar riscos e escolher uma solução que realmente tenha utilidade para o negócio.
4) Mais opções, mais escolhas: o novo desafio de quem empreende em 2026
Em 2026, a tecnologia está mais acessível, a inteligência artificial chegou a mais pequenos negócios, os consumidores deixam mais sinais sobre seus hábitos e os canais de venda se multiplicaram.
Antes de adotar uma nova ferramenta, abrir outro canal ou investir em uma solução, o empreendedor precisa entender qual problema quer resolver e como aquela escolha pode contribuir para o negócio.
Essa lógica também vale para a relação com o consumidor. Com mais dados e pontos de contato disponíveis, conhecer o cliente já não é apenas uma questão de comunicação e passou a fazer parte da própria estratégia de crescimento.
Segundo Eduardo de Barros, especialista em marketing digital e CEO da IDK Brasil, o conhecimento sobre o consumidor precisa estar conectado à geração de receita.
“Durante muito tempo, muitas empresas trataram o relacionamento com o cliente como uma etapa posterior à venda ou como uma frente de comunicação. Hoje, com a quantidade de dados disponíveis, existe a oportunidade de transformar esse relacionamento em uma fonte efetiva de inteligência para o negócio. Quando a empresa entende quem são seus clientes, o que eles valorizam, como se comportam e o que pode aumentar sua recorrência, ela passa a tomar decisões mais precisas não apenas para vender mais, mas também para reter, aumentar o valor da base e construir um crescimento mais sustentável.”
Em 2026, o empreendedor encontra mais ferramentas, dados e formas de chegar ao cliente do que nunca, mas isso não significa que precise adotar tudo. Um bom ponto de partida é olhar para a rotina da empresa e identificar o que pode ser melhorado: reduzir o tempo gasto em uma tarefa, organizar melhor os pedidos, responder clientes com mais agilidade ou entender quais produtos têm mais saída. Com essas necessidades claras, fica mais fácil escolher as ferramentas certas, testar o que funciona e evitar investimentos que não tragam um benefício real para o negócio.








