Mercado reprecifica o Brasil após resultado das eleições

Mercado reprecifica o Brasil após resultado das eleições

Percepção é que um eventual governo Flávio poderia buscar agenda mais favorável ao controle fiscal e haveria  melhora no ambiente de negócios

As bolsas globais e os ativos brasileiros reagiram de forma positiva ao resultado do primeiro turno porque o mercado interpretou a liderança de Flávio Bolsonaro como um aumento da probabilidade de mudança na condução da política econômica a partir de 2027. Para o economista da Corano Capital, Bruno Corano, a percepção predominante é de que um eventual governo Flávio poderia buscar uma agenda mais favorável ao controle fiscal, à redução de incertezas, à previsibilidade regulatória e à melhora do ambiente de negócios.

Essa leitura reduz, pelo menos inicialmente, o prêmio de risco embutido nos ativos brasileiros. “É por isso que vemos valorização de ações, queda esperada dos juros futuros, fortalecimento do real e uma reação particularmente forte em empresas que carregavam desconto político, como Petrobras e Banco do Brasil, além de setores domésticos mais sensíveis à taxa de juros, como bancos privados, construção civil, shoppings, varejo e empresas mais endividadas”.

Segundo o economista, a reação, porém, não deve ser interpretada como a solução dos problemas estruturais do Brasil. “Flávio venceu o primeiro turno, mas a vantagem foi apertada, de poucos milhões de votos, e o segundo turno continua sendo uma disputa competitiva. O mercado está precificando uma probabilidade maior de mudança, não uma certeza”, alerta.

Além disso, Corano destaca que ainda não há clareza suficiente sobre qual será a política econômica de um eventual governo Flávio. “A expectativa é de uma condução melhor do que a atual, sobretudo em relação à responsabilidade fiscal, ao respeito às estatais e ao ambiente para o investimento privado. Mas será fundamental conhecer a equipe econômica, as prioridades de governo, a capacidade de articulação no Congresso e as medidas concretas que serão propostas”, completa.

Desafios fiscais

Bruno Corano chama a atenção de que o Brasil continuará enfrentando os mesmos desafios fiscais. “A maior parte do gasto público é obrigatória ou vinculada, o que limita muito a liberdade de ação de qualquer presidente. Portanto, uma mudança de governo não altera automaticamente a trajetória da dívida, o nível estrutural dos juros ou a qualidade do gasto público. O que pode mudar é a forma de enfrentar esses problemas, com maior disciplina, mais previsibilidade e disposição para fazer escolhas difíceis”.

Do ponto de vista político, o economista diz que o resultado do Senado foi talvez a principal notícia da eleição. O aumento de senadores mais alinhados a uma visão de maior equilíbrio institucional e de limitação de excessos do Judiciário muda a correlação de forças em Brasília. Isso é relevante para o ambiente político e institucional, embora seus efeitos econômicos sejam indiretos e ocorram ao longo do tempo.

“Para o segundo turno, Flávio parte de uma posição favorável. A tendência é que uma parcela importante dos votos de candidatos que ficaram fora da disputa migre para ele, especialmente os eleitores mais próximos de Romeu Zema e Ronaldo Caiado. Esses grupos têm afinidade maior com uma agenda de centro-direita, liberal na economia e crítica ao atual governo. Isso pode ampliar a vantagem inicial de Flávio”, admite Corano.

Mobilização de eleitores é decisiva

Na opinião do economista,  não é possível dar a eleição como resolvida. O número de abstenções foi muito elevado, com mais de 33 milhões de eleitores que não compareceram às urnas. Em uma corrida decidida por poucos milhões de votos, a mobilização desse eleitorado pode ser decisiva. Uma maior participação de eleitores mais alinhados a Flávio pode ampliar sua vantagem, mas uma mobilização favorável a Lula também pode inverter o resultado, adianta.

“Minha leitura é que o mercado continuará reagindo positivamente enquanto enxergar aumento da probabilidade de uma mudança de rumo econômico. Mas o movimento deve ficar mais volátil nas próximas semanas, porque os preços podem oscilar de acordo com pesquisas, apoios políticos, debates e sinais sobre a composição de uma eventual equipe econômica”, afirma.

Para o investidor, o momento pede equilíbrio. Segundo Corano, há uma melhora clara de percepção sobre o Brasil, mas ainda existe risco eleitoral, fiscal e institucional. O caminho mais prudente é evitar euforia, manter diversificação e fazer alocações graduais, sem assumir que a eleição está decidida ou que a vitória de qualquer candidato, isoladamente, resolverá os desafios estruturais do país.

Crédito da foto: Agência Senado

 

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná.Profissional com experiência de 52 anos na área de jornalismo, sendo 50 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social.Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Há 25 anos é professora titular do curso de Jornalismo da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas do Paraná, São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos.Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 19 anos de blog, mais de 50 mil matérias foram postadas.Ao longo de sua carreira recebeu 21 prêmios, com destaque para Embrapa Floresta (Menção Honrosa em 2025); VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005).Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

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