Garantias pagas avançam e ajudam a profissionalizar gestão de risco no mercado de locação

Garantias pagas avançam e ajudam a profissionalizar gestão de risco no mercado de locação

Análise baseada em dados e tecnologia ganha espaço na avaliação de inquilinos

O mercado brasileiro de locação passa por uma transformação silenciosa na forma como proprietários e imobiliárias administram o risco de inadimplência. As chamadas garantias pagas, como seguro fiança e fiança onerosa, já representam 37% dos contratos de aluguel no país, contra apenas 4% em 2017. Em menos de uma década, a participação dessa modalidade cresceu mais de nove vezes. Os dados são da plataforma de gestão empresarial Superlógica.

A análise mostra uma mudança estrutural na forma como o mercado brasileiro administra o risco de locação. Para a Avalyst, empresa especializada em garantia locatícia digital, a transformação está diretamente relacionada à combinação entre tecnologia, análise de dados e busca por maior eficiência na aprovação de contratos.

“As garantidoras digitais se tornaram grandes aliadas das imobiliárias porque conseguem qualificar um candidato em poucos minutos e tornar a decisão de locação muito mais rápida. O fiador tradicional exige tempo, documentos e a disponibilidade de uma terceira pessoa. A garantia digital elimina essas barreiras”, afirma Rogério Tavares, CEO da Avalyst.

O avanço ocorre paralelamente à perda de espaço do fiador tradicional, cuja participação caiu de 60% para 25% no mesmo período, entre 2017 e 2026. Atualmente, mais de 90% dos contratos de locação contam com algum tipo de garantia, sinalizando um mercado cada vez mais estruturado em torno de mecanismos de proteção e gestão de risco.

A mudança ganha relevância diante do cenário de inadimplência no país. Em julho deste ano o Brasil alcançou 83,9 milhões de consumidores inadimplentes, segundo a Serasa, o maior número da série histórica da instituição.

Tecnologia amplia capacidade de análise

Por trás dessa transformação está uma combinação de tecnologia, dados e análise de comportamento. As garantidoras digitais utilizam sistemas próprios, consultas a operadoras de crédito e diferentes plataformas de segurança para avaliar o perfil financeiro dos candidatos à locação.

Na prática, a análise considera não apenas a existência de dívidas, mas também aspectos como comportamento de consumo, comprometimento da renda e histórico financeiro. A combinação desses dados permite identificar com maior precisão o perfil de risco de cada candidato e, consequentemente, contribuir para a formação de carteiras mais saudáveis para as imobiliárias.

“Além das consultas de crédito, avaliamos o comportamento de consumo do potencial inquilino, o quanto da renda já está comprometido e as dívidas existentes. Também acompanhamos estudos sobre novos indicadores de comportamento. Qualquer dado novo só entra na análise com transparência, consentimento do candidato e total conformidade com a LGPD”, acrescenta o CEO da Avalyst.

Segundo ele, o objetivo não é simplesmente aumentar o rigor da aprovação, mas tornar a análise mais precisa e equilibrada. “Queremos ampliar o acesso à locação para quem tem um bom perfil, mas pouco histórico de crédito. A tecnologia permite uma avaliação mais completa e, potencialmente, mais justa”, explica Tavares.

Da análise de risco à entrega das chaves

A digitalização também muda a experiência de quem procura um imóvel. Ao substituir a dependência de um fiador, a garantia digital dá maior autonomia ao inquilino, que pode avançar com a locação sem precisar mobilizar familiares ou terceiros.

Para as imobiliárias, o principal ganho está na velocidade. Segundo a Avalyst, há situações em que a análise de um candidato pode ser concluída em menos de 30 segundos. “Analisar um candidato já foi o maior desafio do setor. Hoje não é mais. O próximo desafio é reduzir o tempo de toda a jornada de locação”, diz Tavares.

A empresa trabalha com a perspectiva de que, em uma nova etapa de digitalização do mercado, seja possível entregar as chaves do imóvel em até 24 horas, desde a aprovação do candidato até a formalização da locação.

Crédito da foto: Magnific

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná.Profissional com experiência de 52 anos na área de jornalismo, sendo 50 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social.Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Há 25 anos é professora titular do curso de Jornalismo da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas do Paraná, São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos.Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 19 anos de blog, mais de 50 mil matérias foram postadas.Ao longo de sua carreira recebeu 21 prêmios, com destaque para Embrapa Floresta (Menção Honrosa em 2025); VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005).Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

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