Financiamento de veículos bate recorde: o que acontece quando as parcelas atrasam?

Ter planejamento financeiro é fundamental para evitar que atrasos nas parcelas comprometam o orçamento
Segundo o Banco Central, R$ 173 bilhões foram concedidos pelos bancos para a compra de veículos entre janeiro e julho de 2026, a maior parte destinada a pessoas físicas. O valor já supera os cerca de R$ 150 bilhões registrados no mesmo período de 2025 e 2024. Diante do avanço do financiamento, manter uma vida financeira saudável passa por avaliar não apenas a capacidade de assumir uma nova parcela, mas também o impacto dela no orçamento dos próximos meses.
Quando há atraso nos pagamentos, uma das consequências pode ser a busca e apreensão do veículo financiado. O procedimento pode ocorrer quando o consumidor deixa de pagar as parcelas previstas em contrato, permitindo que a instituição credora solicite a retomada do bem dado como garantia na operação. Antes que isso aconteça, porém, na maioria dos casos, é possível buscar uma negociação da dívida com a instituição financeira.
O tema é especialmente relevante no cenário brasileiro atual. No país, o financiamento é uma das principais formas de compra de veículos, de acordo com dados divulgados em janeiro de 2026 pela B3. Em 2025, um total de 7,2 milhões de unidades foram financiadas, sendo 4,6 milhões de veículos usados e 2,6 milhões de novos.
Em geral, nos contratos de financiamento com alienação fiduciária, em que um bem é apresentado como garantia de pagamento, o veículo permanece vinculado ao credor até a quitação integral da dívida. Ou seja, embora o consumidor use o carro ou a moto para circular normalmente, na prática, o bem ainda não é totalmente seu até a quitação.
“A alienação fiduciária é um mecanismo que oferece segurança para a concessão do crédito. Quando ocorre inadimplência, a legislação prevê procedimentos para que o credor possa recuperar o bem objeto da garantia”, explica Claudia Andrade, Diretora de Cobrança da Recovery, empresa do Grupo Itaú e plataforma especialista em recuperação de crédito no Brasil.
Com quantas parcelas em atraso o veículo pode ser apreendido?
Não existe um número mínimo de parcelas definido em lei para que o processo seja iniciado. O que determina a possibilidade de cobrança é a inadimplência contratual. Por isso, é importante que o consumidor leia o contrato e acompanhe qualquer comunicação enviada pela instituição credora.
“A recomendação é que o consumidor trate da situação de inadimplência logo nos primeiros sinais de dificuldade financeira, pois isso amplia as possibilidades de negociação e evita que o veículo seja apreendido”, afirma Claudia.
O que é busca e apreensão de veículo financiado?
A busca e apreensão é um procedimento usado por credores para recuperar veículos com contratos em atraso. Quando o consumidor não cumpre as condições do financiamento, o credor pode adotar medidas para reaver o bem e usar o valor obtido com a venda na redução ou quitação do saldo devedor.
Recentemente, o Marco Legal das Garantias (Lei nº 14.711/2023) passou a permitir a retomada extrajudicial de veículos financiados, desde que prevista em contrato e observados os requisitos legais. A regulamentação específica para veículos ficou a cargo do Conselho Nacional de Trânsito (Contran), por meio da Resolução nº 1.018/2025. Além disso, adotou-se a notificação eletrônica, para que o devedor inadimplente tome ciência do processo.
O que acontece após a apreensão do veículo?
O veículo passa por procedimentos de avaliação e pode ser destinado à venda ou leilão. O valor arrecadado é utilizado pelo credor para abater a dívida existente, mas isso não significa que o débito será encerrado automaticamente.
Caso o valor obtido com a venda seja inferior ao saldo devedor total, incluindo juros, encargos e despesas previstas em contrato, o consumidor deverá pagar a diferença. Por outro lado, quando há saldo excedente após a quitação integral da dívida e dos custos envolvidos, a legislação prevê sua devolução ao devedor.
Como evitar a busca e apreensão do veículo?
Não ignore os primeiros atrasos nas parcelas e entre em contato com o credor quando identificar dificuldades financeiras. Além disso, solicite informações atualizadas sobre o saldo devedor e avalie sua capacidade real de pagamento antes de fechar acordos. Por fim, formalize todas as negociações por escrito e guarde comprovantes e documentos relacionados ao financiamento.
É possível negociar a dívida depois da apreensão?
Depende do momento do processo. Enquanto o veículo ainda não foi vendido, a única forma de reavê-lo é por meio da purgação da mora, ou seja, o pagamento integral do débito em atraso, com os respectivos juros, encargos e despesas. Já se o bem já tiver sido vendido e restar saldo devedor remanescente, esse valor pode ser negociado com o credor. Por isso, o consumidor deve acompanhar a evolução do processo, manter seus dados atualizados junto ao credor e solicitar esclarecimentos sobre eventuais acordos.
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