Com dólar em alta e consumidor mais seletivo, marca própria vira rota de proteção para a indústria

Com dólar em alta e consumidor mais seletivo, marca própria vira rota de proteção para a indústria

Amicci aponta quatro frentes para fabricantes ocuparem capacidade, diversificarem clientes e reduzirem a dependência de um único canal em 2027

O pós-eleição abriu a semana com forte volatilidade. O dólar fechou nesta segunda-feira (26), com alta de 12%, cotado a R$ 5,40, mas pela manhã chegou a ser negciado a R$ 5,6o. Para a indústria, isso significa insumo importado mais caro, crédito ainda restrito e planejamento de 2027 mais difícil. A Amicci (www.amicci.com.br), plataforma de execução de marcas próprias que reúne mais de 4,3 mil indústrias e mais de 300 varejistas de todo o país, avalia que o cenário acelera um movimento que já estava em curso: o varejo amplia suas marcas próprias em busca de margem e fidelização, e a indústria que produz para esse mercado ganha uma fonte de receita menos exposta aos ciclos de marca e de câmbio.

O choque cambial chega sobre uma economia que já operava com juros altos. A Selic está em 13,75% ao ano desde setembro, e a próxima decisão do Copom acontece em 3 e 4 de novembro. As projeções de inflação para 2026 seguem perto de 4,9%, acima do teto da meta. Na indústria, o ano começou com uso de 66% da capacidade instalada, o menor nível para um mês de janeiro desde 2019, segundo a Confederação Nacional da Indústria (CNI).

Ao mesmo tempo, a marca própria cresce em ritmo bem acima do restante da gôndola. Segundo a NielsenIQ, no primeiro semestre de 2026, a categoria avançou 10,9% em volume e 11,9% em valor, um crescimento 3,8 vezes maior que o das demais marcas. A frequência de compra subiu 7,2% e o ticket médio, 9,8%. Hoje, 3 em cada 10 lares brasileiros já consomem marca própria, e 58% dos consumidores declaram intenção de compra.

“Quem decide o próximo ano olhando só para o dólar de hoje toma decisão no susto. O dado que importa para a indústria é outro: a marca própria vem crescendo quase quatro vezes mais que o mercado, e esse movimento não depende de quem governa nem de para onde vai o câmbio. Ele depende do consumidor, que está cada vez mais atento ao valor do que leva para casa”, afirma Johnny Reitzfeld, CEO e cofundador da Amicci.

“Em tempos de incerteza, o empresário tende a esperar a poeira baixar. Só que fábrica com linha parada também é decisão, e ela custa todos os meses. A indústria que transforma capacidade ociosa em projetos de marca própria troca uma perda certa por uma carteira de clientes mais diversificada”, completa Reitzfeld.

Consumidor encurta caminhos

Para a Amicci, o momento reforça uma mudança de comportamento já visível nos dados. Sob pressão no orçamento, o consumidor compara mais, troca de marca com mais facilidade e passa a confiar em produtos que entregam qualidade com preço justo. Segundo a NielsenIQ, a marca própria cresceu em todas as cestas analisadas no primeiro semestre, com exceção de commodities. Em bazar, o avanço chegou a 17,7% em volume e 28,6% em valor, sinal de que o consumidor já confia na marca da rede para muito além dos itens básicos.

“Quando tudo fica incerto, o consumidor não quer pensar muito em cada compra. Ele busca atalhos de confiança: uma embalagem que comunica qualidade, um preço que faz sentido, uma marca que ele já testou e aprovou. A marca própria bem construído vira esse atalho. E quem fabrica esse produto é a indústria”, explica Reitzfeld.

Quatro frentes para atravessar 2027

A Amicci Indústrias reúne soluções para o fabricante transformar o cenário em plano de ação:

Plataforma e cotações: A indústria cadastrada recebe cotações de varejistas que estão ampliando suas marcas próprias e acompanha cada projeto em um único fluxo, do briefing à gôndola.

Indux: Preparação e representação comercial para a indústria que ainda não produz marca própria e quer começar com método.

Exportação: Com o real desvalorizado, o produto brasileiro fica mais competitivo lá fora. A Amicci leva a indústria nacional a varejistas de outros mercados.

Crédito: Capital para a indústria produzir pedidos de marca própria num momento de juros elevados.

“A indústria é a metade da marca própria que menos aparece e a que mais sustenta o resultado. Neste momento, ela precisa de previsibilidade, e previsibilidade vem de ter mais de um caminho de receita: mais clientes no varejo, mercado externo, capital para produzir. É isso que a Amicci organiza para o fabricante”, reforça Reitzfeld.

Com mais de 15,5 mil SKUs desenvolvidos no ecossistema e 10 anos de atuação, a Amicci acompanha de perto a demanda do varejo por novos projetos e compartilha esses dados com o mercado. Casos como Cotton Baby, Marilan, LQB e Zinho mostram indústrias de diferentes portes e categorias usando a marca própria para ganhar escala junto aos grandes varejistas.

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná.Profissional com experiência de 52 anos na área de jornalismo, sendo 50 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social.Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Há 25 anos é professora titular do curso de Jornalismo da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas do Paraná, São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos.Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 19 anos de blog, mais de 50 mil matérias foram postadas.Ao longo de sua carreira recebeu 21 prêmios, com destaque para Embrapa Floresta (Menção Honrosa em 2025); VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005).Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

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